Acordes de Sétima dúbios.
#1
Posted 20 January 2010 - 20:03
Qualquer acorde de Sétima, pode ser encarado como Dominante de uma tónica. E seguir-se essa tónica. Isso é o mais normal.
G7 - C.
(Sol, si, re, fa -> Sol, do, mi, sol)
A maravilha está em começar a ler os acordes de sétima como outras coisas.
Qualquer acorde de sétima pode ser encarado como uma primeira inversão de uma Sexta Alemã, que é um acorde do Quarto Grau aumentado. Ou seja, Qualquer acorde de sétima pode ser encarado como sub-dominante de uma tonalidade, que até pode ser menor.
Na prática:
G7 - F# - Bm.
(sol, si, re, Mi# -> Fa#,la#,do#,Fa# -> Fa#,si,re,fa#)
Este segundo passo passa por se encarar a sétima não como fá mas como mi#, e então o acorde em vez de ser SOL, si, re, fa, a dominante de Do, passa a ler-se como Mi#,Sol, Si, Re, ou seja o quarto grau alterado de Si menor.
Mais ainda:
Qualquer acorde de sétima com quinta baixada (7b5) pode ser encarado como uma segunda inversão de uma Sexta Francesa, que é um acorde do Segundo grau. Ou seja, qualquer acorde de sétima pode ser encarado como uma sub-dominante de uma outra tonalidade.
G7b5 - F#7 - B.
(sol, si, do#, mi# -> Fa#, la#, mi, fa# -> Fa#, si, re#, fa#)
Neste caso passamos por encarar a sétima não como fá mas como mi# e a quinta baixada como do# e não como réb. E então o acorde em vez de ser SOL, si, re, fa, a dominante de Do, passa a ler-se como Do#, mi#, Sol, si, ou seja, o segundo grau de Si.
E assim podemos construir progressões interessantes e inesperadas.
Em vez de
C - Dm7 - G7 - C
(um clássico I-ii7-V7-I)
Ficamos com coisas como,
C - Dm7 - G7b5 - F#7 - B - C#m7 - Gb7 - F7- Bbm - Bb7 - F - F7b5 - E7 - A.
I - ii7 - 6F - V7 - I - ii7 - 6G - V7 - i - V7 - i - 6F - V7 - I
Boas Modulações!!
Alguém quer sugerir mais coisas giras?
- O lá entoado por si faz dó.
#2
Posted 20 January 2010 - 22:14
Abraço
#3
Posted 20 January 2010 - 23:01
Chamam-se Sexta porque fazem um intervalo de sexta aumentada com o baixo.
- O lá entoado por si faz dó.
#5
Posted 21 January 2010 - 00:32
Logo esta questão coloca-se apenas na base teorica, para se poder brincar com modulações.
Eu encaro as modulações sempre a partir de sensíveis, quer sejam as dominantes, 6ª aumentadas ou diminutas, e respectivas inversões.
#6
Posted 21 January 2010 - 00:37
Não entendo isto explicado assim. Explica-me este raciocínio.
E entenderia assim: "qualquer acorde de sétima da dominante pode ser encarado como o segundo grau maior com quinta diminuta, na segunda inversão com fundamental omitida. Ou seja, qualquer acorde de sétima da dominante pode ser entendido como dominante da dominante de uma tonalidade que pode até pode ser menor"...
Fica melhor nos sopros e Dó já está um bocado gasto
www.anteroavila.com
#7
Posted 21 January 2010 - 02:01
A tua explicação também funciona. Só que estás a encarar uma Sexta Francesa como Dominante da Dominante.
A minha explicação era para encaixar uma Sexta Alemã (que não é diminuta) como Sub-Dominante. A questão aqui põe-se porque Uma sétima dominante é dominante, mas ao tocares na primeira inversão e encadeada com outra Sétima dominante meio-tom abaixo, ela passa a ser ouvida como sub-dominante, o que seria um quarto grau. E faz certo sentido visto que é um quarto grau aumentado.
Isto é tudo uma questão de contexto. Sétimas isoladas serão sempre sétimas. Só se tornam sextas aumentadas quando em vez de resolveres para uma tónica resolves para outro lado, obrigando o ouvido a reinterpretá-las.
Aliás:
O fenómeno da Sexta Alemã em minha opinião não difere muito da substituição tritónica penso eu de que...
- O lá entoado por si faz dó.
#8
Posted 21 January 2010 - 12:04
A sexta alemã é exactamente a mesma coisa, só que em relação à dominante, em vez de ser em relação à tónica.
Eu não estava a falar da sexta francesa, mas sim da sexta alemã mesmo. Não a entendo como sub-dominante. Mas sim como dominante da dominante.
O exemplo que tu deste: G7 F#7 Bm
Este G7 que em dó é a dominante, eu leio como dominante da dominante de Bm. Ou seja: C#(b9b5) na segunda inversão e sem fundamental. Porque me dou a esse trabalho quando ficaria muito mais óbvio um Em9 sem fundamental? por duas razões: uma não explica o fá ser natural e outra, ouve-se como dominante de fá#. Da mesma forma que G7 seria a dominante de F# por substituição tritónica, continua a ouvir-se dominante de fá# mesmo quando esse fá# é dominante de si. É assim que soa no meu ouvido.
Portanto concordo contigo quando dizes que a sexta alemã tem a mesma filosofia do que a substituição tritónica. Não concordo, ou melhor, não entendo ou não ouço, como subdominante.
Aliás todas as sextas aumentadas, me parecem provenientes de segundos graus e não de quartos graus. Mas posso estar a fazer alguma confusão ou não estar a ver algum pormenor.
Já agora, se fosse sexta francesa: G7b5, F#7, Bm A análise funcional do G7b5 seria C#7b5 Sem fundamental na segunda inversão. A diferença é que não tem a nona.
This post has been edited by Anterix: 21 January 2010 - 12:12
Fica melhor nos sopros e Dó já está um bocado gasto
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#9
Posted 28 March 2010 - 04:08
Realmente as Sextas hoje já as consigo entender como dominantes das dominantes. Faz todo o sentido.
No entanto a explicação tem uma gralha:
Quote
Não percebo onde está a ausência de fundamental.
G7b5= Sol, si, reb, Fa.
C#7b5= do#, mi#, sol, si.
As notas são iguais e estão cá todas. Não há qualquer nona, mas a fundamental está lá... dizer C#7b5 na segunda inversão ou G7b5 é a mesmíssima coisa, são as mesmas notas por enarmonia. A fundamental (C#) é a quinta abaixada...
Dito isto, e sabendo que são o mesmo acorde, faz todo o sentido o resto da explicação porque:
C# é dominante de F# que é dominante de B.
Realmente tem mais lógica encarar o Sol, si, reb, Fa como
C#7b5 - F#7 - B do que como G7b5 - F#7 - B.
Na primeira leitura "vemos" e ouvimos claramente o movimento V-I duas vezes consecutivas.
Na segunda leitura esse movimento não está lá - vemos um movimento de meio-tom, que quanto muito pode levar a sub-entender uma substituição tritónica. Que para todos os efeitos também pode ser entendida. De qualquer maneira uma substituição tritónica é sempre uma substituição de Dominante.
Logo funcionalmente são sempre dominantes e nunca sub-dominantes.
Explicação compreendida e esplanada. Erro meu, no princípio do raciocínio no primeiro post.
This post has been edited by Aliceag: 28 March 2010 - 04:10
- O lá entoado por si faz dó.
#10
Posted 03 April 2010 - 16:48
Tens toda a razão. Enganei-me naquela frase. A Sexta Francesa TEM fundamental.
Bem visto!
Abraço!
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