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Mistura digital ao vivo Utilização de um DAW ou o sistema S.A.C. ao vivo

#1 User is offline   rato.pt 

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Posted 18 October 2011 - 15:36

Alguém aqui já conhece ou usou o sistema S.A.C. (Software Audio Console)? Quais as opiniões?

E a utilização de um DAW tipo Reaper ao vivo?

Para além deste tema já alguém usa Isoboxes em Portugal? Ou mica os combos/colunas num sitio fora da "vista"?

Vi Katónia no mês passado e eles tocaram todos com backing tracks e munição in-ear. Em palco apenas tinham a bateria.

Achei um espectáculo muito bom e de muita coragem. (Para o comum do ouvinte os caixotes em cima do palco não são musica).

Esta forma de tocar acho que tem vantagens:

- Menos material pesado a transportar (mais barato o transporte)
- Espaço em cima de palco (menos complicado partilhar o palco em festivais por exemplo)
- Simples de montar (montagem com vista à simplicidade e qualidade sonora apenas)
- Som mais "limpo" para o técnico de som (independência de canais menos interferência com e da a bateria ou outros instrumentos acústicos)
- Agora como só se toca em festivais não se precisa montar e desmontar entre bandas (gestão de tempo)

Dois temas com que, como "musico" e que gosto de participar em organizações, me deparo e gostaria de saber a vossa opinião.

This post has been edited by rato.pt: 18 October 2011 - 15:42


#2 User is offline   resolectric 

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Posted 18 October 2011 - 16:18

View Postrato.pt, on 18 October 2011 - 15:36, said:

Alguém aqui já conhece ou usou o sistema S.A.C. (Software Audio Console)? Quais as opiniões?

E a utilização de um DAW tipo Reaper ao vivo?

Para além deste tema já alguém usa Isoboxes em Portugal? Ou mica os combos/colunas num sitio fora da "vista"?

Vi Katónia no mês passado e eles tocaram todos com backing tracks e munição in-ear. Em palco apenas tinham a bateria.

Achei um espectáculo muito bom e de muita coragem. (Para o comum do ouvinte os caixotes em cima do palco não são musica).

Esta forma de tocar acho que tem vantagens:

- Menos material pesado a transportar (mais barato o transporte)
- Espaço em cima de palco (menos complicado partilhar o palco em festivais por exemplo)
- Simples de montar (montagem com vista à simplicidade e qualidade sonora apenas)
- Som mais "limpo" para o técnico de som (independência de canais menos interferência com e da a bateria ou outros instrumentos acústicos)
- Agora como só se toca em festivais não se precisa montar e desmontar entre bandas (gestão de tempo)

Dois temas com que, como "musico" e que gosto de participar em organizações, me deparo e gostaria de saber a vossa opinião.

Quanto ao SAC não comento pois não conheço.

Quanto a usar uma DAW em palco, depende. Para fazer o quê?
Se for para gravar, nada de especialmente complicado existirá.
Se for para reproduzir sons pré-gravados é preciso que todos os músicos sigam "a máquina". Obviamente.
Mas de qualquer maneira não percebo bem qual a pergunta que estás exactamente a fazer.
Explica melhor.

Quanto a usar isoboxes não é muito frequente pois não é muito necessário (nem em estúdio) e convém sempre fazer um cálculo sobre o que se perde e o que se ganha. Também acontece usarem-se painéis de plexi para separar amplificadores de percussões, ou para separar os sidefills do baterista para evitar bleed para o resto do palco... acontece.
Não creio que a parte "em Portugal" que está na tua questão tenha muita importância.
Sabes, por cá sempre se fez (e continua a fazer) o que se faz nos outros sítios. Não somos uma aberração assim tão grande.

Quanto a micar combos "fora da vista" queres dizer o quê? Colocar os combos "fora da vista" ou colocar os microfones dos combos "fora da vista"?
É que há espectáculos em que não é minimamente viável ter backline em cima do palco. Por exemplo em casos em que exista algum tipo de performance com actores ou bailarinos ou em que existam cenários móveis ou outros artefactos.
Nesses casos todos os instrumentos podem ser ligados por stage boxes ou via wireless e a monição pode ser in-ear ou com sistemas tradicionais à frente ou à volta do palco.
Se falas de micar "fora da vista" querendo dizer que os microfones não ficam visíveis, é uma questão de pensar se o que interessa é a qualidade do som ou o aspecto de um combo sem microfone à frente.
É que há questões físicas incontornáveis para não se poder micar instrumentos ou combos de determinadas maneiras pouco visíveis.
Mas não creio que seja a isso que te referes.

Quanto a in-ear creio que deve ser sempre uma opção do artista. Afinal, a monição é para lhe agradar a ele e não ao técnico.
E sim, têm diversas vantagens técnicas. O problema é que não são sempre confortáveis e muitos ouvidos não se adaptam a in-ears. Também muitos in-ears não se adaptam a todos os ouvidos.

Quanto aos backing tracks são frequentes nos concertos pop que envolvem muita dança por parte dos cantores.
Como o movimento intenso da dança tira capacidade respiratória aos cantores estes iriam cantar pior. Mal mesmo, na maior parte dos casos.
Daí que seja frequente as vozes serem "playback" controlado pelo side-chain de um noise-gate.
O cantor dança e canta à vontade mas o microfone está cortado enquanto existir som na sua via de Playback.
Quando a via de Playback não tem som, a via de microfone do cantor abre (liga-se) e o cantor pode comunicar normalmente com a audiência com as expressões do costume: oooh, yeahhh, come on, vamos lá com essas palmas.... e expressões do género.
Como a transição entre Playback e voz Live é "seamless" (contínua, sem interrupção) a voz parece ser sempre ao vivo.

Isto também se faz em Portugal, tal como o uso em concerto de sistemas auto-tune em rack.

Somos um país cheio de técnicos modernos.

#3 User is offline   Desventrar 

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Posted 18 October 2011 - 16:34

O resolectric já disse tudo, irrita-me um bocado o pensamento de estarmos sempre atrasados quando não é verdade, isto não só em relação a este assunto, em relação a tudo.

Trabalhei como roadie durante uns anos e além dos esquemas utilizados pelas bandas com que trabalhei vi dezenas de outras com os esquemas mais variados.

Faz-se de tudo cá, do melhor ao pior, do mais avançado ao mais convencional, assim como qualquer outro país do mundo.

#4 User is offline   resolectric 

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Posted 18 October 2011 - 16:51

View PostDesventrar, on 18 October 2011 - 16:34, said:

...
Faz-se de tudo cá, do melhor ao pior, do mais avançado ao mais convencional, assim como qualquer outro país do mundo.

Isto.
Sem tirar nem pôr.

#5 User is offline   rato.pt 

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Posted 24 October 2011 - 17:04

Uouuu... longe de mim... estar a criar aqui a discussão... melhores ou piores que os outros... de certeza que existirão exemplos piores e melhores lá fora... agora que somos um pais de imagem somos... e quando digo imagem não é que seja tudo mau. Mas só imagem? Sim... mas adiante... é a minha opinião...

Sim, o que falo é em esconder as colunas que por motivos de som convém que sejam micadas... para não se perder a característica em determinados sons...

A questão de fazer o jeito ao técnico... não é por ele mas sim pelo efeito no som final. uma banda em cima de palco vai querer transmitir algo ao publico e não ser uma montra de guitarras e colunas...

Por isso a minha questão sobre esta forma de montar o equipamento para um espectáculo de rock... apenas isso... gosto da ideia de um espectáculo em que o foco é o musico e não os seus trinta instrumentos... apesar de que compreendo que muitas vezes são mesmo os instrumentos o foco...

Na musica pop já se vê o foco mais no artista... e aí usam-se técnicas para facilitar a sua performance... como foi aqui exemplificado...

Em relação a munição eu não sou o melhor para falar disso mas como na sociedade existem aqueles que só olham para o seu umbigo em cima do palco isso continua a acontecer... por isso ás vezes é complicado ter colunas espalhadas... mas compreendo o artista é o artista...

Eu por experiência desde que comecei com os in-ears não quero outra coisa... até porque acho que a pressão sonora é mais baixa agora que os uso que quando tinha de comer com tarolas, pratos e guitarras a furarem-me os ouvidos... coisa que até curto... mas à frente de um palco... em cima dele dispenso... deve ser como quem vende perfumes... se calhar usa perfume... mas detesta o cheiro de uma loja de perfumes... e preferia andar com uma mola.. :D

Já agora para contextualizar. Sou apenas um curioso que lê um pouco e tenta aprender... muito longe de ser um profissional muito menos por em questão os nossos profissionais... mas sim tento, de fora do sistema, levantar alguma questões...

Deixo mais uma questão. Faz sentido olhar para o som de ao vivo como ou pelo menos feito em parceria com o de estúdio. Digo, haver uma relação entre técnico de estúdio e ao vivo para se poder replicar os vários sons e ambientes conseguidos em estúdio? Há uns tempo vi uma entrevista com o técnico de som de Linkin Park e este estava a usar plugins da Waves ao vivo que foram usados em estúdio depois de falar com o técnico de estúdio. Faz sentido?

#6 User is offline   resolectric 

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Posted 26 October 2011 - 14:07

View Postrato.pt, on 24 October 2011 - 17:04, said:

...
Sim, o que falo é em esconder as colunas que por motivos de som convém que sejam micadas... para não se perder a característica em determinados sons...

Perfeitamente possível. Se existir espaço ou se existir cenário que possa ocultar o equipamento inestético, isso faz-se com facilidade.




View Postrato.pt, on 24 October 2011 - 17:04, said:

Eu por experiência desde que comecei com os in-ears não quero outra coisa... até porque acho que a pressão sonora é mais baixa agora que os uso que quando tinha de comer com tarolas, pratos e guitarras a furarem-me os ouvidos...

Sim, passa a haver muito menos volume de som em palco. A audição fica mais protegida e também se torna mais fácil "micar" os instrumentos.
Claro que é preciso ter cuidado com o volume dos in-ear pois estão muito próximos do tímpano, mas isso é óbvio.



View Postrato.pt, on 24 October 2011 - 17:04, said:

Já agora para contextualizar. Sou apenas um curioso que lê um pouco e tenta aprender... muito longe de ser um profissional muito menos por em questão os nossos profissionais... mas sim tento, de fora do sistema, levantar alguma questões...

Fazes muito bem. Não creio que aqui alguém se incomode com isso.



View Postrato.pt, on 24 October 2011 - 17:04, said:

Deixo mais uma questão. Faz sentido olhar para o som de ao vivo como ou pelo menos feito em parceria com o de estúdio. Digo, haver uma relação entre técnico de estúdio e ao vivo para se poder replicar os vários sons e ambientes conseguidos em estúdio? Há uns tempo vi uma entrevista com o técnico de som de Linkin Park e este estava a usar plugins da Waves ao vivo que foram usados em estúdio depois de falar com o técnico de estúdio. Faz sentido?

Essa questão não se responde facilmente pois depende das opções estéticas do artista.
Novamente ele (mas é preciso não esquecer que o técnico trabalha para o artista e por mais que nós, técnicos, tenhamos a nossa profissão em elevada consideração, o que fazemos serve unicamente para elevar a prestação do artista. Do verdadeiro, e não a nossa, de técnicos. O bom trabalho técnico é um trabalho "transparente". O bom técnico é aquele que não se vê.

Quanto às opções estéticas do artista, como dizia ali em cima, depende do que ele pretende:
a ideia é transportar para palco uma réplica exacta do som que foi produzido em estúdio? Então algum equipamento igual (ou equivalente) terá de ser usado.
O caso da Cher, com o AutoTune no tema "I Believe" é um bom exemplo. Usava um Antares Auto Tune em rack para concertos.

Se, por outro lado, o artista encara o concerto como um momento único, uma performance que vale por si, pela presença, pelo palco, pela potência do som, pelo SHOW... então a replicação das técnicas de produção em estúdio pode ser esquecida.

O artista é que manda.

#7 User is offline   marcio_silva 

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Posted 23 December 2011 - 05:15

View Postrato.pt, on 24 October 2011 - 16:04, said:


Sim, o que falo é em esconder as colunas que por motivos de som convém que sejam micadas... para não se perder a característica em determinados sons...

A questão de fazer o jeito ao técnico... não é por ele mas sim pelo efeito no som final. uma banda em cima de palco vai querer transmitir algo ao publico e não ser uma montra de guitarras e colunas...

Por isso a minha questão sobre esta forma de montar o equipamento para um espectáculo de rock... apenas isso... gosto da ideia de um espectáculo em que o foco é o musico e não os seus trinta instrumentos... apesar de que compreendo que muitas vezes são mesmo os instrumentos o foco...

Na musica pop já se vê o foco mais no artista... e aí usam-se técnicas para facilitar a sua performance... como foi aqui exemplificado...


Obviamente que claro que dá jeito, e é obrigação do técnico dar a conhecer ao artista as várias possibilidades de fazer as coisas, e todas as limitações, pós e contras dos mais variados sistemas... Obviamente que a resposta final é sempre do artista, que tem também que conhecer que todo o equipamento tem o seu limite...e depois assumir essa opção!
Essa de micar fora de palco, faz-se com muita gente cá, e lá fora...á quem opte por ambas as maneiras... tem seus pós e contras...como qualquer outro sistema. Lembro-me, por exemplo, no concerto de xutos no atlantico, há uns valentes anos, todo o backline estar fora do palco! Não por questões técnicas, mas por questões estéticas. Metallica, por exemplo, nesta ultima tour, apesar de ter colunas no palco, o sistema que era micado, estava no camião, fora do palco em isobox... O de limp bizkit, da ante-penultima vez q tiveram cá, existiam 2 rigs iguais..um no palco, e o micado por debaixo... etc...


View Postrato.pt, on 24 October 2011 - 16:04, said:


Em relação a munição eu não sou o melhor para falar disso mas como na sociedade existem aqueles que só olham para o seu umbigo em cima do palco isso continua a acontecer... por isso ás vezes é complicado ter colunas espalhadas... mas compreendo o artista é o artista...

Eu por experiência desde que comecei com os in-ears não quero outra coisa... até porque acho que a pressão sonora é mais baixa agora que os uso que quando tinha de comer com tarolas, pratos e guitarras a furarem-me os ouvidos... coisa que até curto... mas à frente de um palco... em cima dele dispenso... deve ser como quem vende perfumes... se calhar usa perfume... mas detesta o cheiro de uma loja de perfumes... e preferia andar com uma mola.. :D

Já agora para contextualizar. Sou apenas um curioso que lê um pouco e tenta aprender... muito longe de ser um profissional muito menos por em questão os nossos profissionais... mas sim tento, de fora do sistema, levantar alguma questões...


View Postrato.pt, on 24 October 2011 - 16:04, said:


Deixo mais uma questão. Faz sentido olhar para o som de ao vivo como ou pelo menos feito em parceria com o de estúdio. Digo, haver uma relação entre técnico de estúdio e ao vivo para se poder replicar os vários sons e ambientes conseguidos em estúdio? Há uns tempo vi uma entrevista com o técnico de som de Linkin Park e este estava a usar plugins da Waves ao vivo que foram usados em estúdio depois de falar com o técnico de estúdio. Faz sentido?


Faz e não faz, como disse o Reso... plugins ao vivo já se faz cá, e faz-se também lá fora... às vezes para chegar á sonoridade do album, outras vezes por gosto pessoal. As mesas digitais, todas têm pós e contras, e coisas onde são melhor e piores. Uns processadores externos ajudam a resolver algumas "lacunas" ou coisas "menos boas" e essas consolas possam ter, ou simplesmente para procurar a sonoridade do disco! É preciso ver que um técnico irá sempre meter um cunho de si no som da banda...é preciso também ter isso em conta! Um técnico não pode trabalhar acima nem abaixo do artista, mas ao lado dele...

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