No mercado discográfico nacional chegou a ser "rainha" das edições com alguns títulos a serem editados em números das largas centenas de milhar. O título eventualmente mais publicado em cassette terá sido o "Apita o Comboio", original do grupo Zimbro.
Não posso confirmar nenhum destes números mas, numa conversa particular com uma pessoa muito próxima da edição, a cassette do "Apita o Comboio" terá visto cerca de 600.000 exemplares.
A história da cassette é "salva" no entanto, pelas inúmeras gravações Bootleg de concertos e pela enorme utilidade que tinham quando se pretendia copiar o LP emprestado pelo vizinho. Ou para fazer a Mix Tape com as músicas favoritas para a vizinha.
O que pouca gente sabe é que no reino dos gravadores de cassettes (comummente designados por Decks) existiam equipamentos audiófilos como, por exemplo, o Revox:

ou o Nakamichi:

Talvez igualmente curioso seja a existência de Decks de Cassettes profissionais.
Para uso em estúdio, para entregar aos artistas as pre-mixes para ouvir no carro ou em casa, etc.
Desses decks profissionais tenho um, o Tascam 122B, como o que se vê nesta foto:

(o meu não é este pois a paisagem do meu é bem menos "Suiça")
Este Deck em particular tem características bem interessantes:
. ajuste de Bias no painel frontal, através de parafusos (coisa que só existia nos gravadores multipistas profissionais)
. entradas e saídas balanceadas a +4dB em ficha XLR (para além das RCA normais)
. comando à distância por cabo
. duas velocidades de fita (normal e alta - 2X a velocidade normal)
. filtro de ruído Dolby B, C e HX.
. 3 cabeças: apagamento, gravação, leitura (permitia o controle do sinal da fita mesmo durante a gravação)
A resposta de frequência deste Deck vai até aos 20000 Hz, na velocidade alta e se as cassettes tiverem uma boa formulação de fita.
Como tudo isto será uma curiosidade mediana para muitos dos que não sabem bem o que é um deck de cassettes, conto pelo menos criar algum interesse naqueles que sabem o que é um Deck normal mas nunca viram o interior de um Deck profissional.
Por isso, lá vai pornografia:

Com o painel da frente retirado vê-se a estrutura em aço.

Vista geral do interior.

Um dos motores e painel de fusíveis.

"Motherboard" do gravador.

Circuito do filtro de ruído Dolby.

Motores.

Solenóides para travagem dos motores.

Placa para controle dos VUs (sim, que a medição do nível do sinal ainda era uma coisa importante - não se metiam limitadores em tudo)

Interior das XLR de entrada e saída.

Filtragem da fonte de alimentação.

Estabilização da fonte de alimentação.
Este deck de cassettes funciona na perfeição desde 1982, sempre com os componentes originais e sem uma única avaria.
As cabeças têm já milhares de horas de uso e estão como novas.
Aqui estão elas, empoeiradas

Espero que achem isto interessante, ou curioso, ou divertido.
Seja como for, dá para comparar o nível de exigência de fabrico e a complexidade de uma coisa destas com um interface de gravação actual.
E podemos por-nos a pensar porque é que os interfaces de 2 canais não custam 4 Euros em vez de 300.
This post has been edited by resolectric: 15 November 2011 - 16:02

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