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Para aqueles que seguem a banda desde a sua estreia em 1999 com o “EP 01”, a estranheza inicial dissipa-se facilmente. Afinal, já nessa altura os Coldfinger nos apresentaram de forma compactada o largo espectro de emoções e atitudes que são capazes de transformar em música. Em 2000,com o álbum de estreia “Lefthand”, levaram-nos numa viagem em contramão ao íntimo dos Coldfinger, aos recantos fumarentos da sua sonoridade, onde a voz de Margarida Pinto surge suave e limpa sobre a rudeza das máquinas, nas produções envolventes e intensas de Miguel Cardona. Em 2001, “ Return to Letfhand” traz-nos novas visões deste mundo pela mão de vários remisturadores. Em 2002, dão um passo na direcção da luz para nos trazerem “Sweet Moods & Interludes”, o segundo álbum de originais, que revelou uns Coldfinger amadurecidos, de sonoridades quentes e circunspectivas, conscientes. Em 2003 editam “Live Coda” um disco gravado ao vivo numa apresentação intimista e despretenciosa, despido de artifícios. Sempre conceptuais, com esta edição os Coldfinger fecharam um ciclo. Como a Coda indica. Colocaram-se num ponto estacionário e remeteram-se ao silêncio,ao início.
É assim que cinco anos passados sobre a última edição e com nova formação(Miguel, Margarida, Nuno e Ruca), os Coldfinger, voltam para nos surpreender.
“SUPAFACIAL”, talvez por ser o primeiro dos temas é o que mais nos surpreende, de resto este é o tema que serve de mote ao álbum. Depois, bem... Depois aproveitam para fazer contas com o trip-hop de Bristol abrindo novas pistas em discurso directo e curto, passam pelo “ discopunk” contagioso, pela pop atrevida servida na voz sensual de Margarida, e por temas em que a vertigem do passado se ilumina para um reencontro dos Coldfinger com a sua própria história.
Nem tudo é tão óbvio. Apresentam novos resultados para o experimentalismo de outros trabalhos, uma nova arquitectura de sons e estruturas, e um rock surpreendente com avisos vários à navegação: atenção power rangers musicais e censores da pide, nasty nasty é o que os Coldfinger prescrevem para os nossos ouvidos.
Tudo é tão óbvio. Em pouco tempo, tudo se esclarece, e esgota-se o novo álbum. “SUPAFACIAL” é curto e carrrrrrrrrrrrrrregado de grandes canções, singles e mais singles, com singles atrás de singles. São guitarras contaminadas pelos synths da amargura e o fado do loop engravatado em que o “bastard” é um ser só, a jogar num cabaret do futuro com o Blues na era do Mp3. A velha estória do gato e do rato. Sente-se o doce sabor do vício e da viagem sem retorno.
“Missunderstone” é o epílogo perfeito para o novo disco. É o tema em que os Coldfinger regressam ao ventre musical que os nutre, que é a magia da voz de Margarida.
“SUPAFACIAL” é uma forma de estar, uma afirmação desprendida da consciência do valor superficial das coisas e, porque não, também da música. O constatar do valor facial da música. Como o da moeda. E que duas outras coisas fariam girar assim o mundo?
Coldfinger 2007
Nas lojas a 7 de Maio

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