
Porcupine tree.Esta banda de rock progressivo(pelo menos é o rótulo mais adequado ao seu som” edita então o seu novo disco. Com o título “In absentia”.
Discografia da banda:
In Absentia-2002(edição europeia:2003)
Stars Die - The Delerium Years '91-'97-2001
Recordings -2001
Lightbulb Sun-2000
Stupid Dream-1999
Coma Divine-1997
Signify-1996
The Sky Moves Sideways-1995
Up The Downstair-1993
On The Sunday Of Life-1992
Os porcupine tree foram uma iniciativa do guitarrista Steven Wilson que criou a banda e convidou Richard barbieri(teclista dos japan) e Colin Edwin para colaborarem no disco. Após a sua edição os dois músicos acabaram por se juntar a Wilson e tornaram-se membros definitivos dos porcupine tree, aos quais se juntou mais tarde Chris maitland o baterista. Editaram um rol de discos, acabando por gerar um grande culto dentro da sonoridade progressiva.Chris maitland abandonou a banda em 2002, sendo que Gavin Harrison o substitui.

Após esta brevíssima introdução falo então desta obra que tem por nome “In absentia”. Um disco repleto de grandes momentos,de momentos em que pensamos que a palavra perfeição foi ultrapassada por estes músicos.Onde não há palavras para que descrever o que sentimos, onde o nosso vocabulário é insuficiente. E só os grandes discos conseguem isso. Para mim este é um dos exemplos.
È-me extremamente complicado fazer referência às faixas. Porque é um disco que vale como um todo: Não tem peças, todo ele é uma peça enorme e inquebrável. Melodias vertiginosas que nos enchem por completo. A voz de wilson que entra nos nossos ouvidos como que um sopro de um vento ameno e calmo mas cheio de vontade de se mostrar.

Que dizer então das músicas? “Blackest eyes” é uma das músicas mais fortes do disco. Mais rock provavelmente. Também de uma delicadeza enorme, tendo uma melodia absolutamente fantástica e um refrão de encher o ouvido e nos fazer cantar do princípio ao fim. È extremamente abstracta a letra, algo que só com o coração podemos identificar. È mesmo um disco poético.
“Trains” é a segunda faixa. Extremamente calma cheia de elementos acústicos e com um solo de guitarra absolutamente fascinante. È mesmo uma música calma e tranquila, sem momentos de fúria(aliás eles também são muito poucos no disco ou mesmo inexistentes) e com uma melodia maravilhosa.Como se durante todos os nossos dias, os nossos ouvidos estivessem absolutamente necessitados de ouvir algo assim. Palavras não me chegam para descrever a beleza de magistral peça de arte. È uma das minhas músicas favoritas no disco e estou a ouvi-la enquanto a critico. Já acabei o que tinha a dizer mas não me apetece nada mudar de faixa para ouvir a terceira...
“Lips of ashes” é o nome da terceira faixa. Com um ambientes pinkfloydianos e umas gotas de genesis especialmente aquando das palavras proferidas por wilson(quando canta “touching you inside”. È uma música negra, que nos remete para esse tipo de ambientes, e que é fantástica para ouvir numa noite densa e silenciosa. Também tem a viola a acompanhar, num conjunto que resulta magnífico.
Evidencio também a música a seguir a esta “The sound of muzak”, algo mais rápido (ou seja uma música lenta, mas “lips of ashes” tem mesmo um ritmo extremamente vagaroso o que ,neste caso, lhe assenta lindamente) e com mais elementos que as duas anteriores. A voz de wilson mais impulsionada mas continua a ter aquela doçura fantástica. Tem um refrão denso e que fala sobre aquilo que é cantado no resto desta faixa: O futuro musical que se adivinha negro. Tem um solo absolutamente magistral, mas sem qualquer vislumbre de pseudo virtuosismo. Basicamente só aperfeiçoa ainda mais o que já era perfeito.
E a seguir? Um bafo. Um murmúrio. Uma palavra lançada no ar e apanhada na negritude dos corpos mais atreitos. Um piano que aparece para iluminar o nevoeiro. Foi aquilo que imaginei com esta faixa de nome “Gravity eyelids”. È impressionante as atmosferas aqui criadas, onde nada é feito por acaso. Mais uma grande música.

E agora temos um instrumental que assenta na perfeição. Agressiva, parece um arranhão no vidro.Incisiva penetrante. De facto as instrumentalizações estão perfeitas.
Depois, para acalmar recebemos “Prodigal”, talvez a minha música preferida do disco. A mais descontraída na minha opinião, com uma melodia extremamente contagiante e uma voz que remete para algo decadente. Cresce aquando de um refrão fantástico (para variar). Começa a tornar-se mais agressiva a partir de certa altura, após wilson cantar pela segunda vez o refrão. E a partir daqui abrimos a boca de espanto. O que nos está reservado é uma manta instrumental maravilhosa, que delicia. Temos mais um solo, que para não variar não tem qualquer tipo de falso virtuosismo. Voltamos ao formato por onde começou a música...E volta a parte instrumental...E tanto de a descrever não chego a lado nenhum porque não consigo. È tão difícil falar e escrever sobre algo que nos deixa sem palavras...Volta a ter outro solo( e agora “por cima” da manta instrumental..) è outro sobre azul...Daquelas coisas que nos coloca a chorar só de o ouvir. A sério. Fenomenal.
Bom já estou refeito do momento de genialidade.
E após momento tão genial temos “.3” Que é sobretudo instrumental, apesar de ter algumas, poucas frases pelo meio (“black the sky, weapons fly/lay them waste for your race”) Mostra-se aqui mais uma vez as guitarras mas o piano de barbieri é fundamental para criar uma densidade delicodoce nesta música. Quando quiserem descrever uma paisagem ouçam-na. Perfeito.
“The creator has a mastertape” Frenética. È talvez a palavra que a melhor lhe descreve. È uma música mais rápida e nervosa, e todos os instrumentos estão combinados para melhor lhe dar essa atmosfera. Vê-se que o seu objectivo foi amplamente alcançado. Música muito mais furiosa que cai mesmo bem após momentos mais calmos.
“Heartattack in a layby”. O piano de barbieri extremamente delicado e com uma grande fragilidade. A voz de Wilson igualmente frágil que nos sussura aos ouvidos. Toda ela demonstra vidro. Parece que consigo ouvir crianças a brincar ingenuamente, sem saber o futuro que lhes espera, apesar de a letra falar sobre a perdição num ermo e como é que o ser humano dele poderá sair. Por um lado também é verdade que o ser humano é frágil, bem como toda esta atmosfera...Tudo assenta perfeito.
Depois “strip the soul” o single. Nada comercial nem “radio-friendly”, sendo que tem 7 minutos e meio...Portanto só por isto j´se consegue calcular. È mais rock, especialmente nas aproximações ao refrão. È daquele tipo de som que custa a entrar mas após algumas audições entra-nos e de que maneira. Com uns riffs de guitarra fantásticos e uma fúria que aparece implícita. È mesmo contagiante de facto. Atmosfera pesada, numa das músicas mais agressivas do disco.
Um casal de mão dada pelas nuvens a avistar grandes montanhas fofas e densas. Com frio, com medo da escuridão mas sem desistirem por um ideal libertário. Chorando e sofrendo mas com dignidade. São estes momentos que me vêm à memória numa música que só poderia estar no fecho e onde quase só se conta com o piano de barbieri e na voz, mais uma vez frágil de Wilson. Não poderia acabar melhor este álbum.A música tem por título "Collapse light into earth". E agora replay se fazem favor.

E em jeito de resumo, que dizer? “In absentia” tem tudo no local certo. Tudo. Todas as notas, todos os solos, as músicas estão no sítio certo e têm a duração certa. Tudo isto poderia soar forçado, mas os porcupine conseguiram tudo isto e mantém uma enorme honestidade. Comprei-o à menos de um mês e já é um dos discos da minha vida. Estranho mas é verdade. E acabaram-se-me as palavras que já escrevi demais. Só vos resta comprarem “In absentia”. E aqui digo com toda a certeza. Jamais se irão arrepender. A perfeição mora aqui. E só não leva 20 porque o possuo à pouco tempo. Mais umas semanas e não sei não..
Nota-19/20

Sites consultados-porcupinetree.com
ptfans.com
This post has been edited by cherub_rocker: 11 January 2004 - 02:30

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