
Tracklist:
01 - Punk Moda Funk
02 - Bigamia
03 - Líbido
04 - Letra S
05 - A Dama Do Sinal
06 - 1 Beijo = 1000
07 - O Amor É Isto
08 - Homens de Princípios
09 - Mata-me Outra Vez
10 - Um Crime à minha Porta
11 - Débil Mental
12 - Esfera
13 - Chuva
14 - Letra S
15 - Raquel
Álbum de estreia dos portuenses Ornatos Violeta, este trabalho tem uma sonoridade crua, nua e pertinente. Parece ir directo ao assunto de cada música não aceitando preconceitos e assumindo à partida que música é música, agrade a quem agradar, chateie a quem chatear.
Os Ornatos surgem-nos aqui, talvez algo imaturos, mas com SEDE de música! Nota-se uma ansiedade, uma vontade de dar, de tocar, de vibrar, de espalhar sentimentos e notas, de chocar tudo e todos e de não deixar ninguém indiferente. Tudo isto está também patente no grafismo da capa do álbum, apelativo, básico, duro, a dizer tudo o que quer dizer com um esboço, uma cor e uma palavra: Cão!
As hostilidades são iniciadas logo com o cáustico "quero mijar" de Punk Moda Funk, que se desenvolve num tema de voz fluída mas marcada, melódica mas com flutuações qb para nos manter entretidos e atentos, como aliás seremos impelidos a estar durante o resto do álbum.
Bigamia segue o mote do balanço, batida incisiva, sonoridade marcante, pintura de grafitti através do som. Nesta música sobressaem as partes instrumentais, elaboradas mas quase instintivas, com um destaque pessoal para o saxofone do meu amigo Cris
Líbido torna mais claro o conteudo sexual do álbum, primeiramente insinuado ao de leve em Punk Moda Funk com a referência a Sharon Stone e agora mais declarado, de peito aberto. A vida tal como ela é. Os assuntos mundanos, o amor, o sexo, as pulsões, a violência. Tudo isso transportado para a música com a aparente naturalidade e real impacto de uma pedrada no charco.
A letra S resulta num devaneio poético, repetido e redistribuido em 2 formatos sonoros, um deles com a participação de Manuela Azevedo, dos Clã. Música de sonhar, quase infantil na sua inocência, que contrasta com o restante negrume mundano do álbum.
O álbum segue a marcar pontos, entre o romantismo de 1 Bejio = 1000 ou A dama do sinal, misturado com alguma fúria musical que volta a saltar em temas como Débil Mental, numa raiva quase cega, mas altiva espelhada em frases como "se tu não gostas do meu falar, repara bem que eu cago para o teu não gostar", frase essa que poderia perfeitamente definir o álbum como um todo. Dedo do meio esticado com post-it amarelo por baixo a dizer "monta". E mais, mais referências sexuais, mais masturbação, mais pornografia, mais toques de vida do quotidiano, do canal 26 característico da zona norte, mais música...
Tudo isto para, no fim, culminar com a doce inocência de "Raquel" e relembrar, com ar nostálgico, a música de fecho de edição da velhinha RTP
Fica então o review, a pedido da Trinity e com um agradecimento ao Endyamon por ter disponibilizado a tracklist

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