E aqui vai a 3ª e última parte deste artigo.
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Os Pickups
A guitarra já começa a subir de estatuto. Os primeiros orgãos a serem melhorados foram os trastos e o braço juntamente com a sua escala. De seguida, foi efectuada a revisão do circuito eléctrico com a mudança dos respectivos potenció-metros. Agora vem a parte quente - os Pickups.
Estarei a ver mal ou o instrumento vem com umas peças que mais parecem geradores de ruído? Verdade meu senhor, existem neste momento, no meio musical dois tipos de pickups.
A saber: os bons e os maus (como nos filmes). Por acaso, os que se encontram em guitarras baratas pertencem à mais recente categoria - “nem dá pra falar”. Para resolver esta questão existe uma solução muito prática e simples: Mudança destas bobines de indução!!! Ou seja FORA COM OS PICKUPS. Toca a comprar pickups a sério.
Eu vou utilizar um DiMarzio Class of '55 e um Seymour Duncan Hot Rails. Para vocês não posso aconselhar nada pois cada pickup tem a sua sonoridade específica (+ graves, - graves, Metal, Jazz e muitos mais), portanto deixo ao vosso critério (leiam os catálogos ou se tiverem possibilidade experimentem que vale bem a pena). Gostaria que ficassem a saber que no próximo número, vou falar como escolher pickups.
Mantendo basicamente a estrutura electrónica da guitarra e com vista a obter maior versatilidade, o que proponho (para não complicar muito) é: em conjunção com o selector de 5 posições já existente, criar a hipótese de, na 4ª posição (pickup do meio + pickup do cavalete em paralelo) poder juntar dois também em série. Tu podes bem perguntar - mas então também há outro tipo de ligações? Pois há! Aliás, as Stratocasters ou guitarras deste tipo são como o bacalhau: existem 1001 maneiras de as ligar, mas não te assustes pois eu apenas tento dar algumas explicações sem complicar muito, principalmente para quem nunca andou nestas vidas.
A Montagem
A montagem dos pickups é fácil, visto terem os mesmo formato dos anteriores e não obrigarem a nenhuma mudança no guarda unhas.
Comecemos pelo pickup do meio.
1º Retirar os parafusos que prendem o pickup ao guarda-unhas.
2º Anotar num papel o ponto de ligação do pickup ao selector de 5 posições (se tiveres medo de te enganares, pinta o terminal de ligação do selector com marcador.
3º Dessoldar o fio do pickup do selector, e o fio de massa do mesmo da carcaça do pot.
4º Montar os novos pickups nas suas posições utilizando as molas dos antigos e os novos parafusos. Neste caso o Class of ‘55 é um pickup com apenas dois fios, um branco (positivo) e um preto (negativo) e o Hot Rails como mostra na figura abaixo é um Humbucker e portanto tem duas bobines, tendo por isso 4 fios: Branco, Preto, Verde e Vermelho. Para a ligação que proponho há que adicionar há electrónica já existente um mini-interruptor (mini-switch) On/On que se compra em qualquer loja de electrónica. Para a montagem no guarda-unhas é necessário abrir um pequeno furo com uma broca. Se utilizares um berbequim eléctrico, usa-o na velocidade mais lenta e tem o cuidado de prender bem o guarda-unhas porque quando a broca começar a girar ele terá tendência para começar a girar, o que pode danificar o que já está montado. Escolhe com cuidado a posição em pretendes instalar o interruptor de modo a que este não interfira na tua posição de tocar.
Caso ainda não tenhas comprado os potenciómetros e não estejas com muita fé em furar o guarda unhas, existe uma solução: utilizar um potenciómetro como interruptor incorporado, do tipo push/pull (puxar/empurrar). Se optares por essa solução, destina esse potenciómetro ao controlo de volume.
Segue-se o esquema das ligações:
Mais uma informação importante: caso optes por furar o guarda unhas, antes de o fazer, utiliza um objecto afiado (prego, tesoura..) para marcar o centro do furo, assim evita que a broca se passeie pelo guarda-unhas, riscando-o
Já montámos os pickups no guarda unhas e a guitarra parece pronta. Mas não: ainda falta algo que me parece vital.
As guitarras que usam pickups do tipo single coil (o nosso caso) enfermam de um problema que é típico para estes pickups - a tendência para um alto ruído de fundo - especialmente quando o artista tira as mãos das cordas e para além disso trabalha a um certo volume. Os pickups têm ainda a particularidade de captar alguns parasitas gerados por aparelhos que trabalham em AC (corrente alternada/rede), tais como secadores, lâmpadas fluorescentes, etc., o que até pode constituir uma alternativa barata para quem não tem graveto para pedais de efeitos.
Bem, a solução que vos proponho não é 100% eficiente, mas ajuda em boa medida a eliminar algum deste ruído. Existem diversos métodos para obter uma boa filtragem e eu penso que este que vou falar é o que dá melhor resultado.
A grafite é um bom condutor e alguns fabricantes têm desde há algum tempo usado este produto para blindar as suas guitarras. A grafite é vendida em sprays (geralmente utilizados pelos técnicos de TV nos cinescópios dos aparelhos) nas boas casas de electrónica.
Operação Grafite
1º Com fita de papel de pintura e algumas folhas de jornal, tapa toda a zona pintada da guitarra, deixando apenas exposta a zona da cavidade dos pickups e restante parte eléctrica.
2º Agita bem o spray de grafite e aplica uma camada, como se estivesses a pintar com o spray.
A grafite ao ser aplicada fica com um aspecto húmido e após poucos minutos seca, tornando-se baça, com a cor do bico do lápis.
3º Repete a operação até que fique uma camada uniforme na cavidade.
Nota: é importante não ter peças da guitarra na área de pulverização pois a grafite suja-las-á. Aplica a grafite num local arejado e evita respirar a pulverização.
4º Deixa secar bem a grafite durante uns 20 minutos e com a ajuda de um multímetro analógico regulado em Ohms X1 ou X10, encosta as pontas de prova uma à outra. A agulha mover-se-á de um extremo ao outro do quadrante.
Colocando agora cada uma das pontas de prova em contacto com os extremos da zona grafitada, verifica se o comportamento é semelhante ao do teste “em seco”.
Em caso afirmativo, o trabalho está bem feito e a área está totalmente coberta.
Os Condensadores
A guitarra está quase pronta. É incrível como a paciência pode dar um resultado interessante. Para terminar esta fase da recuperação das guitarras vamos ficar com a montagem dos condensadores.
Vamos fechar finalmente a guitarra e voltar a montar todas as partes trabalhadas, mas não sem que nos refiramos a alguns pequenos pormenores.
Sem bem se lembram, aquando da parte da electrónica, não me referi ao condensador que a guitarra traz. Isto poderia parecer uma falha. Contudo, foi propositado, porque este pequeno objecto electrónico tem, ao nivel das variações da tonalidade, uma importância tremenda. Posso dizer-vos que li numa revista americana que o Sr. Steve Morse, passou um dia inteiro na MusicMan a ensaiar vários valores de condensadores no seu modelo de assinatura, até acertar com o que lhe interessava! Bem, mas adiante... O condensador, num circuito passivo como o de uma guitarra vulgar e barata, tendo um dos seus terminais ligados à massa (neste caso, à caixa do potenciómetro) remove, conforme o seu valor, maior ou menor quantidade de agudos do espectro tonal. Normalmente, as guitarras com pickups estilo single coil (uma só bobina) utilizam condensadores com valores na ordem dos .047uF ou .050uF, as guitarras com humbuckers .020uF ou .022uF. Isto devido à diferença de pickups que cada guitarra tem. Comprem três condensadores de diferentes valores de acordo com a configuração de pickups da tua guitarra; se a tua guitarra por acaso tem pickups idênticos aos anteriormente usados na mudança de pickups, façam como eu (alistem-se na Força Aérea!) comprem os condensadores com os seguintes valores: .033, .047 e .050uF, façam um teste com cada um deles e, se tiverem possibilidade, gravem o som resultante. depois escolham o condensador que mais vos agrada.
Para não estar sempre a pôr e a tirar o guarda-unhas e cordas de cada vez que experimentam um condensador de valor diferente, podem-se servir da seguinte artimanha: soldem um fio fino ao terminal do potenciómetro onde está normalmente soldada uma das pernas do condensador e outro fio ligado à caixa do potenciómetro onde a outra perna liga à massa.
Ao montarem o guarda-unhas (ou protector de palheta) passem os fios para fora, ficando as pontas não soldadas acessíveis do exterior. Assim, poderão soldar cá fora os vários condensadores, com a guitarra já afinada, fazer a escolha e reconstituir depois o circuito definitivo.
Ainda àcerca dos condensadores, há o seguinte a dizer: dos vários tipos à venda no mercado, os que dão melhores resultados nestas aplicações, na minha opinião, são os cerâmicos, uns pequenos discos cor-de-tijolo.
Hoje em dia as guitarras Made in Taiwan e afins trazem condensadores de poliester, com aspecto de almofadas verdes, mas eu não sou grande apreciador deste tipo.
Não comprem condensadores para tensões superiores a 100 Volts, pois o seu tamanho é despropositado. Para terminar esta secção aconselho ainda que utilizem um outro condensador, este pode ser de poliester, 0.47uF e para cerca 150 Volts, intercalado entre o fio de massa que vem do cavalete (ou, neste caso das garras das molas do trémolo) e a caixa do potenciómetro. Isto evita que o artista ou tu que porventura não sejas artista, não te livras um choque nas cordas, no caso de passagem de corrente do amplificador. Notem que os condensadores a utilizar são não polarizados, ou seja, qualquer das suas pernas pode ser soldada a qualquer dos dois pontos em que são inseridos no circuito.
Agora chegou o momento em que tudo vai ser novamente montado na seguinte ordem:
1º Aperta com a chave sextavada do braço, de modo a só aconchegar - quando sentires que terás de começar a forçar não prossigas.
2º Aperta o braço da guitarra ao corpo com a respectiva chapa e parafusos.
3º Se grafitaste a guitarra faz o seguinte: usa um pequeno parafuso para prender a ponta de um fio à cavidade da electrónica e afins (faz na ponta do fio um anel e estanha-o). Depois de apertado o parafuso e fixado o fio, cobre a união com a base com o spray grafite, assegura-te com o multímetro, que o circuito se encontra condutor até à outra ponta do fio e solda-a à caixa do potenciómetro.
4º Reconstitui todo o circuito, ligando todos os fios que dessoldaste aquando da montagem (positivo e malha do jack + fio de massa do cavalete ou trémolo - o tal onde vamos intercalar o condensador de defesa).
5º Aperta o guarda-unhas ao corpo da guitarra, tendo o cuidado de arrumar bem os fios de forma a não ficarem entalados. E pronto, agora podes ter a certeza de que tinhas uma guitarra de p´raí 20 ou 30 contos (não sei se será esse o teu caso) e que agora tens um bom instrumento à tua medida e preferência que te saiu muitíssimo mais barato do que se tivesses recorrido às muito dispendiosas Custom Shops.
Por esta 1ª coluna de Guitar Tech da Shred-o-Matic despeço-me!