Para que não esqueçamos este compositor extraordinário e esta pessoa maravilhosa venho aqui em mais uma das minhas "tertúlias" sobre os grandes autores portugueses. Acabou por ter uma carreira efémera, mas bem recheada. Carlos Paião "apareceu" para a música após ter ganho o primeiro concurso "mais a sério" onde tentou participar, o Festival da Canção, em 1981. Morreu em 88, mas em 7 anos de carreira conseguiu fazer algumas das músicas que mais marcam ainda os portugueses. Cobrindo vários tipos de canção, desde a mais romântica, à mais alegre e parodiante, considero-o um dos compositores de música ligeira mais versáteis que já tivemos. São dele a autoria de músicas como "Para as sogras que encontrei" ou "Canção do Beijinho" comumente cantadas pelo Herman.
Apesar de já conhecer e admirar o Carlos, houve um momento que me marcou e me trouxe a conhece-lo melhor. Foi há cerca de 3-4 anos, quando na RTP foi feito um concurso entitulado "A canção da minha vida" e onde saiu vencedora a carinhosa música "Cinderela" de Carlos Paião. Foi um momento que renovou a lembrança dos portugueses a este compositor tantas vezes esquecido. As palavras e a reacção dos pais do Carlos, que nunca me irei esquecer, assim o mostraram também. A comoção e a humildade daqueles pais que se via transparentemente que tinham imensa saudade do filho, mas que, acima de tudo, tinham imenso orgulho dele!
Carlos Paião, a saudade, fica o sorriso.




Letrismo:
Quote
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Playback
Carlos Paiao
Composição: Carlos Paião
Carlos Paiao
Composição: Carlos Paião
Podes não saber cantar,
Nem sequer assobiar
Com certeza que não vais desafinar
Em play-back, em play back, em play-back!
Só precisas de acertar,
Não tem nada que enganar,
E, assim mesmo, sem cantar vais encantar
Em play-back, em play back, em play-back!
Põe o microfone à frente,
Muito disfarçadamente,
Vai sorrindo, que é p'ra gente
Lá presente
Não notar!...
Em play-back tu és alguém
Mesmo afónico cantas bem...
Em play-back,
A fazer play-back
E viva o play-back
Hás-de sempre cantar bem.
Em play-back, respirar p'ra quê?
Quem não sabe também não vê...
Em play-back,
A fazer play-back
E viva o play-back
Dá p'ra toda uma soirée!..
Podes não saber cantar,
Nem sequer assobiar
Com certeza que não vais desafinar
Em play-back, em play back, em play-back!
Só precisas de acertar,
Não tem nada que enganar,
E, assim mesmo, sem cantar vais encantar
Em play-back, em play back, em play-back!
.
Abre a boca, fecha a boca
Não te enganes, não te esganes,
Vais Ter uma apoteose,
Põe-te em pose
P´ra agradar!...
Em play-back é que tu és bom,
A cantar sem fugir do tom...
Em play-back
A fazer play-back
E viva o play-back
Hás-de sempre cantar bem.
Com play-back até pedem bis:
Mas decerto, dirás feliz...
Em play-back
A fazer play-back
E viva o play-back
Agradeces e sorris
Podes não saber cantar,
Nem sequer assobiar
Com certeza que não vais desafinar
Em play-back, em play back, em play-back!
Só precisas de acertar,
Não tem nada que enganar,
E, assim mesmo, sem cantar vais encantar
Em play-back, em play back, em play-back!
Em play-back, em play back, em play-back!
Em play-back, em play back, em play-back!
Para recordar, já dizia ele em 1981. A letra fala por si!
Carlos Paião, um exemplo de dedicação!

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