Queria aqui deixar o meu (triste) testemunho para reforçar o uso de protecções.
Quando tinha 15 anos ouvia música bastante alto, o que me fazia sentir bem. Fiz parte duma banda entre os 16 e 19 anos e como é habitual ensaiavamos num espaço pequeno numa cave com o som extremamente alto de modo a que a bateria não abafasse os restantes instrumentos. Nesta altura era costume sair de lá com algum zumbido, mas nunca me passou pela cabeça o uso de protecção. Nesta altura pertencia também a uma banda filarmónica e às vezes andava à rasca dos ouvidos porque o meu lugar era imediatamente à frente dos trompetes. Sentia este zumbido também quando saía das discotecas, mas quando acordava ao outro dia de manhã, já tinha desaparecido. Por volta dos 21 anos, num concerto em paredes de coura, senti que o som estridente estava a provocar-me uma certa ressonancia no ouvido esquerdo e provocou-me tonturas. Passei uns 2 anos seguintes com uma certa sensibilidade a sons altos e quando ia a discotecas sentia mais zumbidos do que era costume e passei durante este periodo a evitar sons muito altos. Aos 23 anos já não me incomodavam sons altos até que num concerto em que me estava a sentir confortável, numa espécia de brincadeira/acidente gritaram-me a um ouvido e senti de imediato tonturas e um grande desconforto. Depois deste incidente que me provocou um traumatismo sonoro, fiquei com hipersensibilidade ao som, alguma perda de audição e zumbido permanente (tinnitus/acufeno). Agora tenho 30 anos e não voltei a poder frequentar nenhum local com musica alta (bares, discotecas) o que como devem imaginar é muito dificil lidar com isto socialmente e leva a algum isolamento social. Tive sempre imenso gosto por música e ainda tentei o ano passado tocar viola-baixo numa banda com o uso simultâneo de protectores intra-auriculares e exteriores tipo concha e mesmo assim não consegui suportar o som. Concluíndo, apesar do que me aconteceu ser bastante raro pelo que li em artigos na internet, se tivesse tido mais cuidado e usado protecções se calhar podia ter evitado ter chegado a esta situação extrema. O meu otorrino explicou-me o seguinte: toda a gente tem uma espécie de "reserva" que se vai esgotando com a exposição a sons altos. No meu caso a minha esgotou-se. Algumas pessoas têm mais sensibilidade do que outras. Algumas saiem da discoteca sem qualquer zumbido, outras quando chegam a casa, o zumbido ja desapareceu e outras desaparece apenas no dia seguinte. Cada vez que se fica com os ouvidos a zumbir e quanto mais tempo se mantem o zumbido, a "reserva" vai-se gastando. Por isso o melhor é ter-se algum cuidado e não abusar, pelo menos para se chegar a uma certa idade e ainda se se conseguir ouvir alguma coisa.
Desculpem o testamento

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