Derivada do latim "latens" (dignifica que está oculto, disfarçado), em psicologia a latência é o tempo decorrido entre o estímulo e a resposta correspondente. E isto é exactamente verdade para o caso da gravação de audio: desde que executamos o "estímulo" (tocar uma nota no instrumento) até que a nota é de facto gravada ou tocada pelas colunas que estão ligadas ao output da nossa placa de som.
A latência é causada por delays (atrasos) no percurso do sinal devido ao seu processamento. Desde a conversão analógico-digital, até ao processamento interno no computador, até à conversão digital-analógico, passando pelo processamento de efeitos digitais, tudo no percurso é um potencial criador de latência uma vez que pode introduzir atrasos. As portas USB possuem um buffer (i.e. uma quantidade de memória que armazena dados temporários - e a memória tem um tempo de acesso, na ordem dos nanossegundos), os computadores têm memória RAM onde os dados ficam temporariamente antes de serem processados, os buses do computador estão sujeitos a pedidos de interrupção (IRQ), e tudo isto é susceptível de atrasar o sinal. Se nestes aspectos falamos na ordem dos nanossegundos, o acumular de vários nanossegundos pode chegar aos milissegundos, e a partir daqui as coisas complicam-se!
O chamado "sample buffer", que nos drivers das interfaces audio (vulgo placas de som) é responsável por armazenar alguns milissegundos de audio que vem do instrumento para poder ser enviado para processamento e gravação pelo computador é responsável por adicionar provavelmente a maior parte da latência ao sinal. Quanto menor for este buffer, menor será o atraso do sinal. E surge a tentação de perguntar: então mas se o sample buffer gera atraso, por que não defini-lo o mais pequeno possível? A resposta a esta questão é: se se baixar em demasia, começam a aparecer "clicks" e "pops" na gravação, isto porquê? Porque no processamento do computador há sempre atrasos, e esses atrasos fazem com que a fluidez dos dados possa não ser contínua (e passa a ser discreta no tempo, com "saltos" de nível sonoro, de descontinuidade de informação Quanto mais lento for a CPU do computador, mais descontinuidades vai haver devido a não conseguir dar conta do recado. Se se subir a memória do buffer em demasia, a gravação fica "fluída" e não há descontinuidade sonora, mas há um delay muito grande entre a entrada dos dados e a gravação/saída, e portanto começa a causar-nos problemas porque quando ouvimos o nosso som já é muito "depois" de o termos tocado, o que é frustrante e nos faz sair do tempo.
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