stratocosta

A influência das quebras das vendas na qualidade da produção musical presente e futura



Posts Recomendados:

pipes    3614
há 1 hora, resolectric disse:

Pois, de certa maneira ;)

 

 

E já está a acontecer: reedições em vinil, de coisas que antes só existiam em CD e discos de vinil com etiquetas coladas a dizer "Mastered from High Resolution 96KHz Studio Masters".
Ok... então o melhor era terem apoiado o PONO do Neil Young em vez de colocarem ficheiros de 96KHz num suporte de plástico que aos 13KHz já perdeu 3dB.

E depois, mesmo com o gira-discos mais maravilhoso, a soma das partes é tão crítica e contém tantas variáveis que pensar que alguém vai ouvir as coisas com uma qualidade medianamente alta será de "um num milhão".

Quanto às cassettes: verdade!
Nos primeiros anos do meu estúdio gravava conteúdos para umas 15 ou 20 edições de cassette por ano, depois passou a zero no início deste século e em 2018 já são duas ^_^
A penúltima coisa que gravei para ser editada, saiu em cassette!

Mas também isso vai acabar (em princípio) pois tanto quanto me informaram não há neste momento nenhum fabricante de fita de cassette (1/8 de polegada).
Há um fabricante de cassettes a trabalhar em força, na Maia, fazem as cassettes... mas não fazem a fita.

 

 

O Youtube como ferramenta de promoção funciona como substituto das rádios "de outrora".

Como os blogs ou os vlogs funcionam como os jornais especializados.

Agora, se compararmos a visibilidade de uma entrevista a uma banda, por exemplo no Blitz em 1996, ou um blog a publicar um artigo de uma banda, em 2018... qual tinha mais visibilidade?

Apesar do blog estar "à mão" de milhares de milhões de pessoas, diria que ter 1000 leitores numa semana é uma utopia.
Já os jornais de outrora (mesmo o Blitz, jornal, noutras épocas) chegavam a muito mais gente apesar de estarem menos acessíveis que qualquer publicação online.

Eu costumo comparar a divulgação pela internet com a rádio de Onda Curta: há tanto "lixo" no ar, tanto ruído, que é difícil ouvir alguma coisa com clareza.
 

É isso mesmo Paulo. É dia e noite.

A TV e rádio mainstream, continuam a ser os grandes divulgadores em termos de grandes audiências. São esses meios que continuam a criar as tendências, digam o que disserem. Ignorarem isto, é enfiar a cabeça na areia, por muito avançado que o digital esteja.

Quem vive disto (quem está nos grandes festivais, etc) são sempre os mesmos que têm airplay. A internet é fixe, mas sobressair no youtube, é 1 em 1 milhão, pois toda a gente de repente tem tempo de antena...

  • Gosto 1

Partilhar este post


Link para o post
Partilhar nas redes sociais
stratocosta    3685
há 6 horas, pipes disse:

É isso mesmo Paulo. É dia e noite.

A TV e rádio e jornais/revistas  mainstream, continuam a ser os grandes divulgadores filtros em termos de grandes audiências. São esses meios que continuam a criar as tendências, digam o que disserem. Ignorarem isto, é enfiar a cabeça na areia, por muito avançado que o digital esteja.

Quem vive disto (quem está nos grandes festivais, etc) são sempre os mesmos que têm airplay. A internet é fixe, mas sobressair no youtube, é 1 em 1 milhão, pois toda a gente de repente tem tempo de antena...

:rolleyes:

por vezes há boas razões  para nunca termos ouvido falar de determinados artistas 

não tinham qualidade para passar ao "mainstream" .

de vez em quando lá aparecem umas pérolas perdidas , mas em contrapartida os "poderes estabelecidos"  fizeram o favor de filtrar muito lixo. :D

já perdi imensas horas a ouvir musica que enfim .........

  • Gosto 2

Partilhar este post


Link para o post
Partilhar nas redes sociais
resolectric    1197
há 5 horas, stratocosta disse:

:rolleyes:

por vezes há boas razões  para nunca termos ouvido falar de determinados artistas 

não tinham qualidade para passar ao "mainstream" .

de vez em quando lá aparecem umas pérolas perdidas , mas em contrapartida os "poderes estabelecidos"  fizeram o favor de filtrar muito lixo. :D

já perdi imensas horas a ouvir musica que enfim .........

É verdade para qualquer meio de divulgação que se promova através de quantidades.

Quero dizer, na TV, na Rádio ou mesmo no YouTube, aquilo que aparece com maior projecção é aquilo que traz mais gente até esse meio e aquilo que traz mais gente é o que aparece mais. Uma pescadinha de rabo na boca.

Claro que com meios de divulgação abertos, não controlados por directores de programas ou playlists (como as rádios e as tv's) podemos sempre procurar aquilo que nos agrada mais e ignorar de imediato aquilo que não nos agrada. Mas isso continua a ser complexo pois podemos nunca descobrir aquela "preciosidade", aquela "obra de arte" que nos encheria a alma.
O ruído é tanto que só por sorte algum dia encontraremos "o tal" artista.

Mas sim, é uma forma mais democrática de se conseguir e usufruir da promoção do artista.
E como todas as formas de democracia, tem os seus "quês" e os resultados são os que se vêem.

  • Gosto 1

Partilhar este post


Link para o post
Partilhar nas redes sociais
mpexus    633

Antes o que nos chegava era "filtrado" pelos gostos dos gajos das Radios, ou pq lá fora explodiam e eles resolviam passar por cá.

Agora todos nós temos acesso  tudo e há tanto que a saturação é imediata.

Dou um exemplo de algo que me aconteceu há coisa de 3 meses. Fui ver o Louvre, inicialmente estas em alta "tusa mode" pq fdx é o Louvre certo? 3 horas depois andas a correr literalmente lá dentro a tentar ver tudo e na realidade já não vês nada com olhos de ver e realmente apreciar. A quantidade é tanta ( há tantas salas e salinhas e corredores e mais salinhas no meio de corredores) e tão variada que é impossível apreciar aquilo em menos de 1-2 semanas, mínimo 3 dias para se ter uma real noção e ficar a apreciar por mais que 30seg -1 min obras seleccionadas. Andam-se Kms lá dentro e as dores de pés ao fim de 6 horas foi mais forte :D

Agora imagina a internet em que ha muito mais e todos os dias aparecem mais. É mesmo já No One Cares ou pelo menos eu não procuro nada, se me aparecer à frente e gostar ouço, se gostar muito ouço mais umas vezes e se realmente gostar mesmo mesmo muito então compro.

Depois tens o caso de malta que vai para os forums despejar o que fazem e pedem opiniões, se estas não forem o que querem ouvir nem se dignam a responder nem que seja a dizer obrigado pelo nosso tempo em termos dito algo.. aliás a minha ultima opinião sobre algo feito em PT foi dada neste forum há coisa de 1-2 meses e passada 1 semana disse a mim mesmo: mas pq ca***** perdi eu o meu tempo a dar uma opinião. Nos forum que frequento muitos tem a politica de só lá poderes ir despejar a merda que fazes depois de andares a interagir com a comunidade durante algum tempo, mas interagir a serio não é fingir que, caso contrario apagam-te ou editam-te o post com uma merda qualquer.

  • Gosto 3

Partilhar este post


Link para o post
Partilhar nas redes sociais
F.Coelho    256
há 19 horas, resolectric disse:

Eu costumo comparar a divulgação pela internet com a rádio de Onda Curta: há tanto "lixo" no ar, tanto ruído, que é difícil ouvir alguma coisa com clareza.

Gostei de ler a discussão anterior, onde foram ditas interessantes e importantes coisas, por parte dos intervenientes.

Antes de avançar só queria fazer um parêntesis: não gosto do digital quando ele é utilizado para acrescentar mais valia a um artista, que de outra forma nunca o teria. Ou seja, deixa de ser um trabalho honesto para passar a ser uma mentira.

Voltando ao tema principal. Aceito e reconheço que cada músico fale do seu ponto de perspectiva. É natural.

Mas da parte do, chamado, "consumidor" o que se passa é que existe tanta e tanta música que se chegou a um nível de saturação (em termos electrónicos, diria a um nível de distorção). Este nível por ser incómodo pode ter o efeito nefasto de "afastar" as pessoas da música, ou então, as pessoas vão mesmo precisar de quem os oriente.

Há poucos dias coloquei aqui um vídeo muito interessante, que volto a colocar aqui o link:

https://www.youtube.com/watch?v=-c7d5W0_NPA

E de facto as pessoas não querem ouvir tudo. As pessoas querem ter um universo restrito de músicas que lhes dão boas sensações, que lhes levante para cima quando estão em baixo, que lhes motive quando têm obstáculos pela frente... enfim, a música é importante porque tem um lado terapêutico que inconscientemente conhecemos.

Com tanto "lixo" que existe, provavelmente, as pessoas sentem que estão a perder cada vez mais o seu tempo a saltar de link em link à procura daquela música que não encontram. E as pessoas não querem perder tempo. Por isso, talvez se imponha a necessidade da existência de "advisers" qualificados que apontem orientações e que façam a distinção entre quem faz música e quem produz "lixo".

A música de excelência nunca morrerá. A música de excelência é aquela que é pensada, trabalhada, polida... como uma peça de arte.

Talvez, por sentirem que existe tanto "lixo" as pessoas se estejam a tornar mais exigentes.

Quanto à fama dos músicos no YT, como alguém dizia, mais ou menos, neste fórum e bem, por vezes existem mais números de visualizações porque as pessoas pura e simplesmente só passaram por lá, ou seja, só lá estiveram um segundo.

A filtragem do lixo deveria ser possível por meio de um mecanismo qualquer. Mas tal, vai contra os direitos e as liberdades pessoais.

E assim, nós consumidores, estamos condenados a ficar de mãos atadas.

Para terminar. Ouvir música é um acto íntimo. É deixar que "alguém" entre no nosso cérebro (como cita Daniel J. Levitin no seu livro a que se refere no vídeo). E nós precisamos saber quem é essa pessoa. Quais são os seus bons e maus hábitos, a sua posição sobre determinados assuntos controversos,... ou seja, as pessoas querem uma ligação que vai para além da música.

E nisso, a internet, o YT e tudo o resto, torna tudo tão impessoal.

Partilhar este post


Link para o post
Partilhar nas redes sociais
stratocosta    3685
há 2 minutos, F.Coelho disse:

 Antes de avançar só queria fazer um parêntesis: não gosto do digital quando ele é utilizado para acrescentar mais valia a um artista, que de outra forma nunca o teria. Ou seja, deixa de ser um trabalho honesto para passar a ser uma mentira.

 

não percebi, queres explicar melhor isso ?

 

Partilhar este post


Link para o post
Partilhar nas redes sociais
F.Coelho    256

É uma opinião meramente pessoal. Deixo aqui um link:

https://bestdigitalpianoguides.com/how-technology-affects-music-and-musicians/

Refiro-me a esta parte do texto:

"One disadvantage of this tech-friendly musical world is that in the past with analog world; there used to be specialized experts for each aspect of production and recording. You needed a singer, writer, mixing engineer, producers, musicians and many other experts were involved in the process. But now everything can be done single handedly. New electronics and MIDI inventions make it easier for musicians to deliver complex pieces of music with ease as they can easily re-adjust anything they have done with mistakes without needing a huge amount of technical skills. Master pieces are now more about ideas than your ability to play your instrument well and technically correct."

  • Gosto 1

Partilhar este post


Link para o post
Partilhar nas redes sociais
stratocosta    3685
há 24 minutos, F.Coelho disse:

É uma opinião meramente pessoal. Deixo aqui um link:

https://bestdigitalpianoguides.com/how-technology-affects-music-and-musicians/

 

isso é um artigo "jornalistico" , dá para perceber que quem o escreveu percebe pouco de musica .

"but at the same time it is making standing out in the competition much difficult. The market is becoming over-saturated and thus it is not one of the biggest challenge to make yourself stand ou"

a solução para o destaque é a mesma do antigamente: compor boa musica :rolleyes:

claro que "boa" é relativo, as ondas estão saturadas , mas de lixo.

já não se faz musica como antigamente :P

  • Gosto 1

Partilhar este post


Link para o post
Partilhar nas redes sociais
John10    585

Esta discussão é interessante.

Para mim o problema é que apenas pessoas mais interessadas em música, como as que se vêem em fóruns, é que estão interessadas nela, e "nós" contamos pouco para "the great scheme of things".

Se considerarmos um pré internet e um pós internet, poderemos dizer que ambos têm as suas vantagens e desvantagens. Francamente, para mim, não há nada melhor do que ligar o pc e ter toda a oferta à minha disposição e mais do que oferta, conteúdo extra, do género "behind the scenes" e assim.

Contudo, considero que certas bandas que em tempos apareceram, hoje em dia não teriam grande hipótese porque o mundo mudou. Agora é fácil para as editores seleccionarem apenas por lucro potencial, enquanto antigamente se calhar tinham de arriscar em artistas e ver o que é que dava. Faz-me lembrar uma palestra que assisti do editor chefe da Gradiva, em que lhe era questionado se ele achava que os livros do José Rodrigues dos Santos eram boa literatura, e ele disse algo do género "Não, mas os livros dele trazem-me dinheiro que depois me permite realmente publicar obras que acho que devem ser publicadas e têm qualidade, portanto jogamos com isso". E antigamente as editoras funcionavam um bocado assim. Tenho a certeza que muitas editoras editaram discos que achavam que eram obras primas e que depois pouco venderam e se calhar até deram prejuízo, não sei.

Hoje em dia podem esperar e escolher ou até fazer um custom built. Tipo Nicky Minaj.

Quanto a mim, limito-me a ver o que há na net, mas se gostar de algo compro. Se for bom o suficiente para chegar à pen que tenho no carro normalmente compro, mais tarde ou mais cedo. Não apenas porque ache que o dinheiro vá chegar ao artista, até porque muitas vezes compro usado, mas porque gosto de ter o suporte físico e ver o artwork e os livros que acompanham.

  • Gosto 4

Partilhar este post


Link para o post
Partilhar nas redes sociais
stratocosta    3685
há 53 minutos, John10 disse:

Quanto a mim, limito-me a ver o que há na net, mas se gostar de algo compro. Se for bom o suficiente para chegar à pen que tenho no carro normalmente compro, mais tarde ou mais cedo. Não apenas porque ache que o dinheiro vá chegar ao artista, até porque muitas vezes compro usado, mas porque gosto de ter o suporte físico e ver o artwork e os livros que acompanham.

eu que pensava que era um otáro. também compro grande gosto e a minha garota já segue a minha "excentricidade"  , sempre que vamos a Fnac compra sempre um cdzito.

fiquei pasmado da penúltima vez que fui ao Porto, ter lá encontrado uma loja de CD´s , é coisa mais rara que um pilhão :D 

o ultimo que comprei ( online , mas cd fisico )  foi o tales from topographic oceans dos Yes.

tinha a copia em mp3, mas tinha de ter o original.

 

 

  • Gosto 2

Partilhar este post


Link para o post
Partilhar nas redes sociais

Regista-te ou entra para comentar!

Para deixar um comentário é necessário estar registado. É muito fácil!

Criar uma conta

Regista-te e vem fazer parte desta comunidade! É fácil!

Registar-me

Entrar

Já estás registado? Entra aqui!

Entrar agora