stratocosta

A influência das quebras das vendas na qualidade da produção musical presente e futura



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stratocosta    3647

em resultado de outros tópicos , um assunto interessante para debate. ( digo eu ).

 

não sei se é o vosso caso, mas para além de ser músico, quando ouço música dou atenção aos pormenores 

da produção / gravação da mesma.

 

ainda recentemente ouvi o  Bridge Over Troubled Waters do Simon and Garfunkel  e por coincidência li um artigo 

sobre a gravação e a produção desse trabalho.

 

além de soar muito bem, é interessante saber  , por exemplo , o esforço feito pela equipa para produzir determinados resultados,

desde levar a bateria para o hall do prédio da editora , gravar numa capela etc.

 

não havia plug-ins , não era só carregar num botão, assim como ainda hoje nem tudo funciona em virtual.

 

em resumo :

 

 a descida das vendas , afetou / irá afetar seriamente a qualidade de gravação / produção ?

 

 a qualidade vai ficar limitada só a artistas consagrados para quem o retorno do investimento é garantido ? 

 

 

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Canoxa    178

Todas as peças do processo contam. A partir do momento em que, por causa da descida das vendas, ficas sem orçamento para um engenheiro de som — ou vários — tão criativo e consumadamente profissional como os músicos (vamos assumir), a qualidade vai forçosamente descer, umas vezes mais, outras vezes menos discretamente.

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Pai da Gina    1761

Na minha opinião acho que isso vai depender um bocado da relação artista/fans.

 

Hoje é certo que ao lançar um cd, esse cd vai ser ouvido no youtube/spotify/ipod/etc 90% das vezes. Agora depende do grau de exigência dos fans, ou seja, aqueles que realmente gostam da banda e que compram tudo, se vão ficar desiludidos ao colocarem o cd/vinil na aparelhagem de casa.

Pode haver fans que não se importem, outros que se importem muito...cabe ao artista decidir o que fazer.

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Na minha optica, já poucos são os audiófilos!

Hoje, no mercado de consumo, e salvo raras excepções, a musica é descartavel e sazonal. Não estou a ver o publico "target" a dizer que não compra o cd ( se é que compra ) porque a bateria é do "ezdrummer" e não gravada numa capela ancestral com reverb milagroso...

 

Hoje uma qualidade razoavél são "Peanuts"... e suficientes para uma banda aparecer.

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stratocosta    3647

E quem quase não compra CDs de "bandas"?

 

não percebi, queres desenvolver ?

 

estás a falar de outros gêneros ? tipo clássica ?

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pipes    3570

Não tenho opinião totalmente formada sobre esta questão.

 

É um pouco como os amps a válvulas. Há quem os prefira pelo "purismo" e há quem use emuladores ou o raio que o parta. Há quem consiga ouvir a diferença e há quem não consiga.

 

Não creio que vá mudar muito para o consumidor generalista. 

 

Enquanto músico, sei que se tiver um orçamento maior, vou estar mais liberto relativamente a prazos, e não vou andar a gravar à pressa, pois não tenho mais tempo/dinheiro para estar no estúdio. Se tivesse um orçamento de 5000€, demoraria o dobro do tempo a gravar (ou não), o que não quer dizer que fizesse melhor música. Apenas estaria mais "relaxado".

 

É daquelas coisas que demora anos até se perceber o real impacto.

 

Edit: Convoco o @resolectric para esta conversa, pois parece-me pertinente, devido à sua experiência profissional

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Canoxa    178

não percebi, queres desenvolver ?

 

estás a falar de outros gêneros ? tipo clássica ?

Precisamente. Eu sei que tipo de habitus em que o fórum se insere, e tento não fugir da discussão a não ser me pareça útil injectar o insight de outras práticas musicais na conversa em dado momento.

 

O exemplo do Grohl que tu (tu? penso que foste tu) foste buscar no outro tópico parece-me cabal. Aquela brincadeira não aconteceria em mais nenhum contexto senão no do rock. Primeiro, porque o rock, ao agarrar-se à sua caracterização (já há muito francamente inaplicável) de música popular urbana, é a única que vai valorizar aquele stunt de gravar numa garagem. Mesmo que, para isso, se tenham que esquecer que aquilo não é regresso nenhum ao DIY, e que na verdade ainda fica mais caro.

 

O Cobain não ficou satisfeito com o Bleach. Para o Nevermind, chamaram o mesmo senhor da história acima, o Butch Vig. Deram-se ao luxo de fazer uma primeira sessão de tracking para meio álbum, ou lá que foi, trocarem de label, e terem orçamento de 65,000 $ — em '91! — só para a segunda e definitiva sessão. 

 

Isto só podia acontecer no rock. Daí eu ter chamado ao barulho grupos que não se podem propriamente caracterizar por bandas. Podemos falar de agrupamentos de câmara de música clássica ou de outras músicas escritas, de combos de jazz, da malta de world music e fusão, e não sei que mais.

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stratocosta    3647

O exemplo do Grohl foi uma brincadeirinha da minha parte, com a cena do "gravar em casa".

 

achas que a "crise" é transversal aos vários gêneros musicais ?

 

temos uma clientela de um determinado gênero musical que gosta de pagar pela qualidade ? 

 

na música "clássica" não estou a ver o maestro a gravar com o iphone e a editar em casa....

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Canoxa    178

O exemplo do Grohl foi uma brincadeirinha da minha parte, com a cena do "gravar em casa".

 

achas que a "crise" é transversal aos vários gêneros musicais ?

 

temos uma clientela de um determinado gênero musical que gosta de pagar pela qualidade ? 

 

na música "clássica" não estou a ver o maestro a gravar com o iphone e a editar em casa....

Eu sei, eu sei, e só fizeste foi bem em mostrar o artigo à malta, era relevante e eu, pessoalmente, gostei de ler.

 

O que tentei dizer no último post é que, quando se trabalha num circuito artístico profissional, temos que fazer bons produtos. Coisas à prova de bala. E não falo de nenhum julgamento artístico, falo mesmo de pressupostos técnicos. Isto acontece na música, na televisão… O design é toda uma indústria criativa apostada em tornar algo num produto que valha a pena. 

 

Mesmo as músicas populares urbanas procuram um simular perfeito de uma sujidade. Os exemplos do último de Foo Fighters e dos álbuns dos Nirvana chegam? No que diz respeito ao rap e ao hip hop, a partir do momento em que os seus headliners se tornaram agentes capazes de movimentar a indústria, usaram todos os recursos que esta punha à sua disposição. O Straight Outta Compton nos NWA é de '88, mas duvido que o Dre na altura ainda fosse um menino, como profissional. Nós conhecemos Bob Marley porque ele era o maior, ou porque os álbuns do Peter Tosh eram gravados em situações piores? Quando está em CD, preferem ouvir fado como deve de ser ou com todos os barulhos de uma casa de fados?

 

A única excepção será o punk — porque o punk exclui por definição essa apropriação pela indústria — e o black metal — por estupidez. Lembram-se de mais alguma? Vinco que falo de trabalhar profissionalmente, não de youtube warriors e malta de garagem.

 

Posto isto, respondendo-te, toda a gente gosta de pagar pela qualidade. Mesmo quando essa não é uma preocupação explícita, mas um requerimento mais subterrâneo e adquirido. A crise parece-me ser bem transversal a todos os géneros, sendo a única excepção os artistas de cada star circuit.

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