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tmo    1640

Faz-me lembrar uma empresa na qual trabalhei em que tinham ficheiros photoshop com 1000+ layers... muitas delas tinham apenas uma manchinha que bem poderia estar junta a outra, ou então estava escondida e resultava de uma qualquer iteração do trabalho que entretanto se tinha tornado obsoleta. Não duvido que este caso seja semelhante, mas também não me dei ao trabalho de ir ver o link... ainda... a música em si... meh...

 

há 1 hora, resolectric disse:

(...)

O sistema e o ritmo de trabalho eram mais lentos mas mais naturais, mais consistentes com o acto performativo e com os tempos de respiração necessários entre cada take e entre cada verificação do instrumento e dos aspectos musicais a corrigir nas repetições.

(...)

É uma pena e tem tudo a ver com a fotografia analógica, tal como ele refere e muito bem.
Enquanto que usando um negativo se "pensa" na fotografia que se vai tirar, em digital tiram-se 300 e depois, em casa, escolhe-se uma.
Uma que vai ser alterada no Photoshop pois ficou uma bosta.

(...)

Não sei se concordo contigo nestes argumentos, mas ainda bem que assim temos mais cor e podemos caminhar para uma melhor compreensão dos aspectos envolventes. A minha justificação diz respeito, obviamente, à minha experiência nos assuntos em mesa.

1º argumento, não sei se concordo com a questão "mais consistente com o acto performativo". Mais lentos, sim, por força das questões técnicas que referiste, mais naturais parece-me bastante subjectivo, portanto vou passar em frente, agora mais consistentes com o acto performativo? considerando a possibilidade de loop recording na maioria dos DAWs eu diria que à medida que se vão repetindo os takes, a expressão vai-se afinando e consequentemente aprimorando os pormenores como rigor ao tempo, acentuações e ornamentos estilísticos e expressivos que caracterizam cada um de nós. A pausa para bobinagem das fitas pode ser contra producente nestes casos e falo por experiência própria. Agora podes apontar que, sabendo que se tem n+1 takes para gravar, que o músico relaxa e não se empenha tanto... errr... é discutível, na minha opinião, claro.

2º argumento, relativo à questão da fotografia, no antigamente, a revelação da fotografia era feita em ambiente controlado e tinha (e ainda tem para quem assim trabalha) como objectivo seleccionar alguns elementos em detrimento de outros, coisa que ainda se faz no laboratório digital... que é o Photoshop e semelhantes. Não vejo mal nenhum em editar a fotografia de forma a esta vá ao encontro do pretendido.

O problema real não é tanto sobre as ferramentas em uso, mas o excesso de uso de determinadas ferramentas em detrimento do objecto (artístico) final e pretendido, portanto um problema de equilíbrio entre o é possível fazer isto e aquilo, e o mas dever-se-á fazer tal coisa?

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resolectric    1077
há 26 minutos, tmo disse:

...

Não sei se concordo contigo nestes argumentos, mas ainda bem que assim temos mais cor e podemos caminhar para uma melhor compreensão dos aspectos envolventes. A minha justificação diz respeito, obviamente, à minha experiência nos assuntos em mesa.

1º argumento, não sei se concordo com a questão "mais consistente com o acto performativo". Mais lentos, sim, por força das questões técnicas que referiste, mais naturais parece-me bastante subjectivo, portanto vou passar em frente, agora mais consistentes com o acto performativo? considerando a possibilidade de loop recording na maioria dos DAWs eu diria que à medida que se vão repetindo os takes, a expressão vai-se afinando e consequentemente aprimorando os pormenores como rigor ao tempo, acentuações e ornamentos estilísticos e expressivos que caracterizam cada um de nós. A pausa para bobinagem das fitas pode ser contra producente nestes casos e falo por experiência própria. Agora podes apontar que, sabendo que se tem n+1 takes para gravar, que o músico relaxa e não se empenha tanto... errr... é discutível, na minha opinião, claro.

2º argumento, relativo à questão da fotografia, no antigamente, a revelação da fotografia era feita em ambiente controlado e tinha (e ainda tem para quem assim trabalha) como objectivo seleccionar alguns elementos em detrimento de outros, coisa que ainda se faz no laboratório digital... que é o Photoshop e semelhantes. Não vejo mal nenhum em editar a fotografia de forma a esta vá ao encontro do pretendido.

O problema real não é tanto sobre as ferramentas em uso, mas o excesso de uso de determinadas ferramentas em detrimento do objecto (artístico) final e pretendido, portanto um problema de equilíbrio entre o é possível fazer isto e aquilo, e o mas dever-se-á fazer tal coisa?

Fazes bem em não concordar. Digamos que usaste o tempo de "rebobinar a fita" entre o momento em que me leste e o momento em que elaboraste a resposta para pores em marcha um processo intelectual, de raciocínio.

Com isto creio que também respondi ao teu 1º argumento.

Mas sim, claro que existem variáveis e há casos (leia-se: músicos) em que a rapidez insistente, sem pausas e sem delongas, é mais eficaz para a obtenção de resultados.
Seja como for, pela minha experiência com ambos os métodos de trabalho, reafirmo que alguns segundos de pausa entre cada take de correcções, é essencial para que a almejada correcção surja.
Caso contrário é quase sempre fruto do acaso e passível de um "Olha! Agora saiu bem! Guarda esse!"

 

Quanto ao 2º ponto, o da fotografia: obviamente. Faço o mesmo. Sempre fiz, apesar de não ter máquinas digitais, depois de ter deixado de usar laboratório passei a digitalizar os meus negativos e a trabalhar no Photoshop.
Seja como for, faço-o com a consciência de que "a bosta" que produzo sempre que abro o obturador da máquina, foi pensada e não o fruto de uma sequência de 300 frames.
...sem os tais "segundos de pausa". Sem o tal "slowdown" para rebobinar. Mesmo na fotografia.
 

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stratocosta    3673
há 23 minutos, resolectric disse:


Caso contrário é quase sempre fruto do acaso e passível de um "Olha! Agora saiu bem! Guarda esse!"

 

guarda esse e faz copy & paste :rolleyes:

não era melhor decorar a "malha" / solo e gravar quando estiver no ponto ?

se bem que o truque a la Gilmour de gravar vários takes e fazer a montagem das melhores frases depois também funciona fixe.

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resolectric    1077
Agora mesmo, stratocosta disse:

guarda esse e faz copy & paste :rolleyes:

não era melhor decorar a "malha" / solo e gravar quando estiver no ponto ?

se bem que o truque a la Gilmour de gravar vários takes e fazer a montagem das melhores frases depois também funciona fixe.

A tua primeira frase: acontece constantemente.
Infelizmente também acontece com músicos que querem fazer a produção "toda analógica" mas depois querem esse tipo de operações digitais.

Sobre o método da montagem de frases, sim, é frequente fazer-se. Tanto em instrumentos como em voz.
E já o fazia em fita mas com a limitação do número de pistas disponíveis.

Em fita, o que era "divertido" (NOT!) era quando as pistas não chegavam para todos os sons ou todos os instrumentos que se pretendia gravar.
Quantas vezes tive frases de saxofone gravadas na pista do Timbalão de chão, nas partes em que ele não tocava.
E durante a mistura era preciso fazer manualmente todos os ajustes de panorâmicos, equalizações e níveis necessários para a mudança do som na mesma pista. E depois voltar à mesma configuração para o outro som, e novamente para a configuração do segundo som e por aí fora.
Em tempo real, sem memórias a não ser a do cérebro e as anotações em papel.
Isto a misturar para fita, era divertidíssimo.
Principalmente em músicas grandes, quando algo falhava quase no fim da mistura :D

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tmo    1640

Estes facilitismos permitiram que muitos músicos com inúmeras inseguranças pudessem gravar e obter resultados até francamente audíveis. É fazer uma sopa de batata e elevá-la a prato gourmet.

A questão das fotos é a mesma, com o facilitismo das ferramentas, o observador deixa para a frente o trabalho.

Ou seja, quando a performance é assim-assim, o trabalho recai sobre a produção... quando a performance é top, já está produzida.

Tanto uma como outra dão trabalho aos diferentes intervenientes, mas no fundo é mais importante o resultado final. Não importa quanto tempo ou o trabalho que demorou a pintar um quadro, apenas que foi pintado e que transmite uma mensagem. A música não é diferente. Uns usam chaves de fendas, outros usam aparafusadoras, qual é mais válido?

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stratocosta    3673
há 14 horas, resolectric disse:

A tua primeira frase: acontece constantemente.
Infelizmente também acontece com músicos que querem fazer a produção "toda analógica" mas depois querem esse tipo de operações digitais.

Sobre o método da montagem de frases, sim, é frequente fazer-se. Tanto em instrumentos como em voz.
E já o fazia em fita mas com a limitação do número de pistas disponíveis.

Em fita, o que era "divertido" (NOT!) era quando as pistas não chegavam para todos os sons ou todos os instrumentos que se pretendia gravar.
Quantas vezes tive frases de saxofone gravadas na pista do Timbalão de chão, nas partes em que ele não tocava.
E durante a mistura era preciso fazer manualmente todos os ajustes de panorâmicos, equalizações e níveis necessários para a mudança do som na mesma pista. E depois voltar à mesma configuração para o outro som, e novamente para a configuração do segundo som e por aí fora.
Em tempo real, sem memórias a não ser a do cérebro e as anotações em papel.
Isto a misturar para fita, era divertidíssimo.
Principalmente em músicas grandes, quando algo falhava quase no fim da mistura :D

Isso era trabalho para separar os homens dos meninos.... :nojento:

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resolectric    1077
há 4 horas, stratocosta disse:

Isso era trabalho para separar os homens dos meninos.... :nojento:

ehehehhe

Não sei... mas que gravar era algo bastante mais empolgante, era. E misturar também!
A simples existência do "Undo" veio alterar por completo o ambiente e a "tensão arterial" de uma gravação.
Mesmo no caso das misturas!
Era frequente ter misturas feitas com ajuda de algum dos músicos porque 10 dedos não chegavam para tudo o que acontecia durante uma mistura! Tinham de ser a quatro mãos, com folhas de cábula individuais para cada um.

E no caso do meu estúdio estou a falar de uma mesa "pequena", de 40 canais!

Na realidade há uma série de factores em que o aparecimento dos sistemas digitais veio facilitar por completo a produção de música.
As opções informáticas de Undo, Copy, Paste, a possibilidade de fazer cortes de elevadíssimo rigor nos trechos gravados, o Punch In/Punch Out automatizado com rigor e repetível até ao infinito e uma coisa que é pouco referida mas que foi muito importante para quem "vinha de trás": a compatibilidade entre estúdios!

Nos sistemas analógicos os problemas de compatibilização eram quase infinitos: formatos de fita e de gravadores, calibração dos níveis de fluxo magnético entre máquinas diferentes, formulações de fitas diferentes, velocidades de gravação diferentes, sistemas de redução de ruído diferentes e incompatíveis...
Encontrar um estúdio compatível era um desafio!
Situações do género "O baterista está em França e tem de gravar lá. Enviamos a fita mas temos de arranjar um estúdio onde gravem com 16 pistas em 2 polegadas, com 30ips de velocidade e com Dolby A."
Era para esquecer. Não ia acontecer.

EDIT: na biografia do Ken Scott «Abbey Road to Ziggy Stardust» falam de um "acidente" que aconteceu quando receberam nos Olympic Studios em Londres, uma fita de uma banda americana, para quem iam fazer umas gravações adicionais.
Destruiram a fita original, que veio dos EUA, porque ao pararem a leitura, a fita esticou. A espessura da fita era menor do que a espessura das fitas usadas no Reino Unido e as máquinas americanas tinham travões diferentes, mais suaves.
Quando a máquina inglesa aplicou os travões... a fita esticou, ficou ondulada e o som acompanhooOOUUuuuooOOUUuuu.... :D

 

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stratocosta    3673

recentemente tive de afinar umas gravações ao vivo / sala de ensaio feitas em k7.

estavam quase meio tom abaixo e os temas mais lentos do que seria o original.

foi só carregar as faixas par o reaper , pegar numa guitarra ( afinada :rolleyes: ) e de ouvido "afinei" as faixas.

depois rendering e voliá .

simples !

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resolectric    1077

E anda o pessoal aflito com as gravações do Robert Johnson, sem saber que afinações usava e que acordes fazia!
Tudo porque os discos tanto saíam a 78 rotações, como 80 ou mesmo 88!

Agora alteraste a verdade captada nessas cassettes e nunca se vai saber que acordes tocavam :D

 

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