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F.Coelho    141

Diria que este tema não só é sério, como também deve ser levado a sério, como é óbvio.

Há cerca de 6 meses, depois de “severos” trabalhos de carpintaria na modificação de guitarras, conjugados com uma prática intensa de treino de técnicas de guitarra e de temas “puxados”, saltou-me uma dor no ombro direito (no braço do picking) de tal forma que, pura e simplesmente, só conseguia dormir sentado no sofá enquanto o analgésico/anti-inflamatório fazia efeito.

Durante uma semana foi um mártir de dores, que irradiava para todo o braço, até ao pulso.

Com os analgésicos e anti-inflamatórios, as dores foram desaparecendo e aos poucos, e lentamente, diria que após 3 semanas de dores, reativei a minha prática.

Mas notava que não estava a 100%, pois se nuns dias não tinha dores, noutros elas pareciam que queriam “galopar”.

Há cerca de 2 meses, “galoparam”, não tão intensas como anteriormente mas impeditivas de ter uma prática normal. Reparei que a técnica sweep picking era a que me provocavam as maiores dores, localizadas na parte frontal do ombro na zona onde se juntam os tendões do bicepede e dos peitorais. Por outro lado, não conseguia colocar a mão atrás das costas, pois as dores eram imensas.

Com receio de repetir o que já me tinha acontecido, consultei um osteopata que me identificou vários focos de inflamação à volta do ombro, inclusive por detrás da omoplata.

A sessão libertou-me mais o ombro tendo ficado marcada outra sessão no espaço de 3 semanas.

Mas as dores não passavam e então comecei a pesquisar na net sobre dores no ombro do braço do picking. E então fiquei surpreendido pela elevada quantidade de pessoas que padeciam do mesmo mal. Li imenso sobre o assunto e fiquei a saber que as dores poderiam ter origem em enfermidades diversas. Outra coisa que me chamou a atenção foi o facto de a osteopatia poder ser benéfica dentro de determinado quadro (inflamação sem deformações dos tecidos ou da parte óssea), pelo que se deveriam fazer sempre exames (RX, Eco ou TAC) à zona afectada.

Desta forma cancelei a segunda sessão de osteopatia e procedi à realização de exames.

Neste momento aguardo a decisão médica sobre o caminho a seguir para a recuperação/cura das lesões que tenho.

Posso dizer que nestes dois últimos dois meses tem sido penoso, do ponto de vista psicológico, não poder tocar. A única coisa que tenho feito é treino da mão esquerda, em termos de legato. Enfim, frustrante. Atenuei a dor emocional, regressando à guitarra clássica, já que o dedilhar não me afecta o ombro.

Também tenho posto pomada para as dores, todos os dias à noite, antes de me deitar e tenho dormido bem, a par de sentir o ombro mais solto e com menores dores.

 

Vou agora tentar sintetizar o que acho que é importante transmitir ao fórum, daquilo que li:

 

Todos os movimentos musculares exigem que haja uma boa oxigenação/irrigação, por isso, respirar bem é importante.

Perante movimentos repetitivos o nosso cérebro dá “ordem” para que os músculos intervenientes no processo se tornem mais fortes e mais curtos. Perante um desequilíbrio de massa muscular o que acontece é que o braço tem tendência a “prender” numa posição, pelo que, para contrariar este efeito devem ser realizados movimentos de alongamento nos músculos que trabalham e de reforço dos músculos que não trabalham.

A realização de movimentos em tensão, até por vezes, sob pequena dor, leva à produção de substâncias químicas prejudiciais e pode infligir micro-rupturas que depois são “curadas” com o endurecimento da articulação/músculo. Portanto, deve-se procurar tocar de forma descontraída e logo que apareça uma pequena dor deve-se parar.

Devem ser evitadas posições que coloquem desde logo músculos sob tensão, mesmo antes de iniciar a prática, pois é meio caminho para aparecerem situações atrás descritas. Por exemplo, ambos os ombros devem estar ao mesmo nível, pelo menos. O ombro do picking nunca deverá subir mais que o outro, especialmente quando se ataca a corda mais alta (E grave).

A idade é um factor importante. Muitos jovens adoptam posições que mais tarde se vêm a revelar fatais para desgaste de articulações. Nos jovens as recuperações são mais fáceis no pessoal com a idade mais avançada tudo se torna mais difícil (como é o meu caso).

 

Penso que transmiti o mais importante. Entretanto, deixo aqui um link sobre a experiência de alguém do mundo da música. Escolhi este porque aborda aspectos pessoais pertinentes, não tem muito a ver com o ombro, mas sim sobre as mazelas repetitivas e suas consequências.

http://www.judithkay.com/repetitivestraininjury.htm

Por fim deixo aqui uma sugestão para quem dá aulas de guitarra, na primeira aula, para qualquer aluno, o sumário deverá ser: “Posturas e perigos para a saúde”.

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Alguém    3

Tópico importante.

Uma coisa que tento sempre conjugar com as aulas de guitarra é o exercício físico.

Há uns meses fui consultar um osteopata e um ortopedista por problemas músculo-esqueléticos diferentes. O ortopedista foi logo directo: problemas ósseos? Exercício físico!

Desde então tenho feito ginásio com regularidade e sinto a diferença.

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Rui T    1436

Este livro do/da Jamie Andreas é fundamental:

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Acho que também há um DVD.

O princípio básico é se sentirem tensão em qq parte do corpo sem ser o abdómnen a posição está errada.

O ginásio é fundamental para trabalhar os músculos que vão ser usados e os outros que suportam esses músculos.

E para ganhar postura corporal. E para o mais importante de tudo - e mais díficil-, que é ganhar consciência corporal para saberem onde é que estão a sentir mais tensão ou menos tensão. Esta última parte demora muito tempo.

Depois das lesões, pt's (personal training) e massagens com alguém muito competente também ajuda.

Se sentirem dores depois dos exercicios ponham logo gelo. Não é os sacos com aquele gel azul, é gelo mesmo - picado, dentro de um saco de plástico e com um pano por baixo, claro. E é logo a seguir não é 20 minutos depois.

@ F.Coelho: As melhoras!

 

 

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