F.Coelho

Ângulo do braço de uma guitarra



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F.Coelho    234

neck-angle.jpg

Um assunto que ainda não vi (pelo menos nos últimos tempos) debatido no fórum.

Existem muitos links sobre o assunto. Escolhi este por exemplo:

http://www.buildyourguitar.com/resources/tips/aangle.htm

Numa primeira análise, um ângulo que obrigue a levantar os saddles, coloca o "braço para trás".

Ou seja, a zona da pestana do braço fica mais junto ao nosso corpo.

A figura a seguir (vista do alto) procura exemplificar 3 possíveis situações e implicações na maneira de tocar(?)

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Alguém tem experiências a contar sobre este assunto?

Vantagens e ou desvantagens?

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F.Coelho    234

Entretanto estive em buscas e por agora só encontrei este link:

https://www.xylembassguitar.com/why-buy-xylem-basses.html

que em determinada altura do texto refere:

"To further improve ergonomics, Xylem necks have a slight backward angle that reduces the muscle tension in your back and fretting arm, allowing you to relax and focus on creating music."

Qual o ângulo do braço da/s vossa/s guitarra/s?

Que experiência têm?

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F.Coelho    234

@CarlosC obrigado pelo teu contributo.

De forma a tornar a coisa mais clara vou tentar exemplificar.

Andei à procura de fotos de perfil de guitarras pela net e só encontrei o que queria relativamente às Gibson.

Vejamos esta imagem extraída do site da Thomann relativo a esta Gibson (por exemplo):

5c276597272bc_ngulodebraoexemplo.png.91caa4164128a8d3fba9712882dfb098.png

Vamos ver mais em pormenor a guitarra:

5c27659d215be_ngulodoBraodistncias.png.8ee225ef5177458a32b6c1f6787b5e04.png

Se considerarmos que  a distância AC são 46 centímetros, resulta que a distância BC serão 3 centímetros (um ângulo de cerca de 3,7 graus).

Tal como o @CarlosC citou nas strato, por exemplo, são (normalmente) rasas. Logo, nestas, a distância é BC é zero.

E o porquê deste problema?

Porque considero haver diferenças no toque, no que se refere à anatomia do braço humano.

Por exemplo, na Gibson, se estivermos a tocar um solo na zona do 3º traste e de repente saltarmos para o 19º traste, temos a sensação que a mão vai "do vale para a montanha". A mão sobe. A mão afasta-se do nosso corpo.

Nas strato, não existe essa sensação, parece que ficamos num mesmo plano.

E nas guitarras que têm um ângulo do tipo da posição 3 da figura do meu post inicial, existe a sensação que a mão se aproxima do nosso corpo.

Acho que no tipo de guitarras Gibson, a variação de movimento que o cotovelo faz é menor.

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F.Coelho    234

TUDO TEM EXPLICAÇÃO!

Desde a minha lesão no ombro que está a fazer um ano do episódio (relatada aqui no fórum), agora praticamente curada, fui forçado a adoptar uma nova posição para tocar sentado (guitarra numa posição mais baixa). Tal veio trazer problemas no braço esquerdo (braço e mão da escala), pois senti a escala mais afastada e como tal, mais tensão na mão e no braço na zona do cotovelo. Sentia que o braço da guitarra estava "mais longe". Reparei então que as guitarras que tinha em posse não tinham ângulo entre o braço e o corpo. Há excepção de uma delas que me dava mais conforto no tocar.

Já foi referido que as stratocaster não têm ângulo (de forma geral) entre o braço e o corpo. Já alguém pensou o porquê?

A explicação é simples: tem a ver com o tipo de ponte que é utilizada.

Nas Les Paul, existe um ângulo pronunciado, que se reflecte na altura das cordas quando encontram a ponte. Se medirmos a distância na vertical das cordas na ponte ao corpo, vemos que esse valor anda por volta de 1,8 cm. Por outro lado, o pick do neck está mais baixo que o pick da bridge (por questões de compensação de equidade de volume em ambos).

imagem.png.7e6e863e3c3c9db16976823989b7fb65.png

Ora nas stratocaster, o tipo de ponte que se utiliza (saddles) tem uma altura mais pequena, cerca de 1,2 cm. O que acontece é que esta altura não comporta ângulos significativos entre o braço e o corpo. Existem algumas que têm um micro-tilt de afinação do ângulo, mas é para variações muito pequenas. Por outro lado, há quem não goste muito deste sistema, pois o braço deixa de fazer um pleno contacto com o corpo da guitarra, com influência na redução do sustain.

Vejamos um trabalho (pouco ortodoxo) que fiz numa Yamaha Pacifica.

Como vemos na figura, introduzi um pequeno ângulo entre braço e corpo (entre 2 a 3 graus, segundo as minhas estimativas).

20190123_132447.jpg

Ora tal facto, aquando da escolha da acção das cordas, obrigou-me a colocar uma "cunha" na bridge para que os parafusos dos saddles não ficassem no máximo do curso, tal como se pode ver na figura.

(De facto a cunha metálica é uma parte de uma ponte que estava fora de uso, no saco dos esquecidos, que foi serrada. Esteticamente não se nota alterações.)

20190123_132518.jpg.8db11929f51b7fffcb6d0f4340955844.jpg

Por outro lado, para manter o som dos pick's num mesmo volume tive de baixar a altura no pick do neck e subir nos picks central  e bridge (acompanhando a linha das cordas da guitarra).

Depois deste trabalho, senti grandes melhorias de conforto, especialmente quando se toca na primeira metade superior do braço.

Igualmente também noto alguma melhoria no sustain. especialmente na corda E mais fina.

Dúvidas? Coloquem-nas.

20190123_132524.jpg

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F.Coelho    234

No seguimento do meu anterior post, encontrei um artigo muito interessante.

Merecem destaque, entre outras coisas:

1. O porquê do ângulo do braço;

2. O porquê alguns fabricantes abandonaram o fabrico de guitarras com ângulo do braço.

Ora se tiverem paciência aconselho a ler:

https://www.premierguitar.com/articles/25904-jol-dantzigs-esoterica-electrica-why-neck-pitch-matters

e tirem as vossas conclusões.

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CarlosC    35

@F.Coelho de nada, obrigado também pela activa contribuição e tempo dedicado à pesquisa deste detalhe. 

Este assunto em particular é muito dedicado, lembro-me de ouvir falar em "neck re-sets" em guitarras estilo Gibson L-5 vintage entre outras, por vezes em estado inalterado atingem valores muito elevados, mas que precisaram de voltar a encaixar o braço na posição certa. 

Maior ângulo implica maior altura na ponte e maior pressão sobre o tampo, resultam daí diferenças sonoras em instrumentos acústicos. 
Achei interessante, também costumo usar umas réguas para gerir os setups.

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