F.Coelho

O tipo de madeira numa guitarra eléctrica condiciona o tom?



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F.Coelho    234

Antes que este link desapareça por algum motivo, deixo-vos aqui algo para ler nos tempos livres:

https://www.researchgate.net/publication/233420802_Vibroacoustical_Study_of_a_Solid-Body_Electric_Guitar

Estou a ler aos poucos. Estou a gostar. Tem algumas coisas que confirmam aquilo que se fala aqui, outras são "novidade" (pelo menos para mim).

No entanto, também temos que observar algumas dificuldades deste tipo de trabalho. Deixo aqui uma conclusão do autor:

It seems that the three guitars dynamically behave in a very similar way, with almost the same modal frequencies, modal dampings and mode shapes. However, for the 4th mode of Ash guitar at 387Hz(torsional mode),whatever the excitation method, we can notice a significantly different modal damping compared with the otherguitars (circled in Fig. 3.8).
From this Modal Analysis study, it can be concluded that the close similarities in term of dynamical behavior (modal parameters) of the three tested guitars are certainly due to their identical shapes and dimensions. The mode shapes show that the neck (plus the headstock) vibrates much more than the body, which could mean that the material of the neck has more influence than the material of the body on an electric guitar’s tone. Nevertheless, since the necks of these three tested guitars come from the same maple trunk, the slight and subtle differences in tone perceived by the participants of B.Navarret’stestbetweenthethreeguitarsmaybeduetothedifferentwoodsusedfor their body, particularly for ash.
In general, the type of connection (glued, bolted, screwed...) between the neck and
19 CHALMERS, Master’s Thesis 2009:76
the body is also of paramount importance, since it contributes to the overall damping i.e. the sustain of the guitar. For all the three tested guitars the neck is screwed to the body, so we can not compare that parameter. This being said, other important parts of an electric guitar which might have an influence on its tone are the string ends, where each of the six strings are connected to the instrument. This is the focus of the next chapter.

 

Fonte:

Master’s Thesis in the International Master’s program Sound and Vibration

YO FUJISO
 
Team Lutheries – Acoustique – Musique (LAM) 11 Rue de Lourmel – 75015 Paris, France
 
Department of Civil and Environmental Engineering Division of Applied Acoustics Vibroacoustics Group

CHALMERS UNIVERSITY OF TECHNOLOGY Göteborg,

Sweden 2009 

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Wheeljack    0

A menos que esteja desligada, não. O som está nos pickups, palheta, nos dedos, no nut, posicionamento do strum nas cordas, em suma, em todo o lado menos na madeira 

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tmo    1640

Ui, @F.Coelho o que foste desenterrar, hehehe.

Curto e breve, a madeira influencia o tom de um cordofone eléctrico? SIM. É significativo a ponto de alterar totalmente o seu timbre? NÃO, na minha experiência, claro.

Se os blocos de madeira transportam a vibração das cordas, estas serão influenciadas pelos blocos de madeira que compõem o instrumento e parece-me que isto é facilmente aceite por todos. Se a influência é significativa a ponto de ser possível identificar esta ou aquela madeira sendo tudo o resto igual? muito provavelmente será impossível identificar inequivocamente que madeira transmite que tipologia de tom. Ao fim do dia, conseguiremos perceber a existência de diferenças, mas identificá-las em BLIND TEST... naaahh...

Será mais significativa a diferença na tipologia de construção, e mesmo assim...

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xtech    2914

@F.Coelho vieste abrir uma caixa de pandora!!

O que eu posso dizer, sem certezas, é que "eu acho que sim", baseado nos meus ouvidos, mas é a minha opinião pessoal.

As guitarras que tenho soam-me diferentes. Por exemplo, Ibanez RG em basswood ou mogno com os mesmos picapaus soaram-me diferentes. Pode ser de outras coisas? Pode, e não digo que não, mas não excluiria de todo as madeiras.

P.S. - O que acham de se abrir uma votação para isto? É matéria que bate sempre bem com uma sondagemzita para acirrar os pontos de vista :D 

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pgranadas    2245

Mesmos picapaus, numa guitarra de madeiras diferentes, não chega para tirará conclusões.

A bridge tem influência, a distancia entre as cordas e os picapaus teem influencia, as cordas teem influencia, até o nosso próprio corpo tem influencia (não podemos esquecer que a guitarra esta enconstada a nos, e agarrada pelo braço, absorvemos assim parte das vibrações), etc...

Penso da mesma forma que o @tmo, no final das contas a diferença de tom entre duas guitarras é o somatório de N factores, sendo a madeira uma ínfima parte da soma.

Numa guitarra acústica, aí a história é outra. A câmara de ressonância do instrumento é um factor importantíssimo da equação, e a madeira usada terá influencia. Imho

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F.Coelho    234

É isso mesmo...

O autor também (pelo que já li) não apresenta dados gritantes.

Chamou-me a atenção de 4 coisas:

1. Parece que o braço tem mais influência no sustain, pois é o elemento do conjunto que mais vibra (o que me parece óbvio). Já todos fizemos aquela experiência de fixar uma régua na ponta de uma mesa e actuar na outra extremidade e ficar a ouvir aquele som vibrante. Mas de facto nunca tinha sentido isto. Se é o braço o responsável por um melhor sustain então muito do que se ouve e vê por aí na net que apontam para a bridge, em que inclusivamente indicam massas de aço mais pesadas para os tremolos, algo estará errado;

2. A transferência de energia é maior na pestana do que na bridge;

3. O autor coloca a limitação das formas dos corpos, isto é, a experiência é feita com 3 guitarras de design igual. Este facto pode ser interessante. Consoante a forma e o material um dado corpo tem uma frequência de ressonância. A essa frequência a propagação/reflexão de ondas de energia dá-se de forma mais intensa;

4. Corpos mais maciços não produzem necessariamente um guitarra mais rica.

No mundo real, naquilo que tenho observado é que, de guitarra para guitarra existem um leque de notas que soam mais intensas e mais ricas (até os harmónicos). Por vezes fico surpreendido por determinado tema estar a ser tocado numa determinada tonalidade. Mas depois observo que determinadas notas, nos momentos chaves saem mais intensos e mais ricos. E então interrogo-me: "Será que ele está a tocar nesta tonalidade para aproveitar a potencialidade da guitarra (daquela guitarra específica) naquelas notas?".

Bem, parece que se está a entrar mais no campo da mística do que da ciência, já que esta apresenta resultados e aponta caminhos que vão um pouco contra o que se divulga.

Se calhar cada guitarra é um caso próprio. Umas têm um bom nascimento outras nem tanto.:)

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xtech    2914
há 1 hora, F.Coelho disse:

4. Corpos mais maciços não produzem necessariamente um guitarra mais rica.

Certo, mas produzirão certamente mais sustain, o que não é coisa de somenos importância.

 

há 1 hora, F.Coelho disse:

A essa frequência a propagação/reflexão de ondas de energia dá-se de forma mais intensa;

Braços set neck "long tennon" ou neckthrough por exemplo, têm uma superfície de contacto maior, logo maior a transferência de energia. Braços bolt-on tem 3, 4 ou 5 pontos de contacto. Pode argumentar-se "ah e tal a cola", mas a cola enrijece e muitas vezes adere melhor à madeira que a própria madeira.

A cena é que o que vibra são as cordas e quem capta são os pickups. Mas a vibração depende muito do "acoplamento" das cordas à guitarra, à forma como a energia das cordas é transferida, a forma como a madeira do corpo ajuda na vibração dessas cordas, e nas frequências de vibração. E o corpo aí interessa: massa, densidade, forma, etc.

Não é do som acústico que estamos a falar aqui por que isso só conta para instrumentos acústicos. Numa guitarra eléctrica tudo o que influencie a vibração das cordas face aos pickups conta. E portanto, na minha opinião o corpo também influencia. Se é muito ou pouco, será discutível, mas meter um braço com cordas num calhau soa diferente de meter um braço com cordas num corpo de madeira. Há vídeos no youtube que mostram isso. Continua a soar a guitarra eléctrica, mas o som é diferente.

Não quero com isto ser um cork sniffer (até porque não sou), até porque muitas das diferenças de ressonância, densidade e transferência de energia entre as diferentes madeiras serão pequenas demais e talvez pouco perceptiveis no som final.

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F.Coelho    234

Isto tudo tem uma razão...:ph34r:

Não fiquei descansado com a guitarra com partes de cortiça no corpo...:ph34r:

Dá para explicar a minha procura mais profunda, não acham?:D

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mpexus    624

Continuo a dizer que a diferença é mais sentida do que ouvida.

2 Guitarras iguais soam sempre um pouco diferente uma da outra. 

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