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phillipric    194

As questões que o @resolectric refere são pertinentes e reais. Penso que há alturas em que temos de fazer cedências. Este ano vou terminar com a minha banda de baile. Porque já há muito que estou cansado. E sim, podem vir com a frase feito... "eishhh... és um pimbalheiro"... já me diverti muito em concertos pimba. Já fiz grandes amizades, grandes concertos, já levei muitos aplausos. São muitos anos, apesar de ainda ser "novo" para isto. Mas cansei-me. Porque suportei todo o projecto desde quase sempre. Foi um projecto familiar desde a sua essência e assim continuou, com pessoal que vinha de fora, mas com um núcleo duro. Mas que funcionava porque eu aceitava trabalhar um pouco (ou muito) pelos outros. Ouvir as passagens, as cifras, as inversões, os breaks, etc. Só que o baterista nunca teve aulas a fundo... tem sensibilidade e dá uns bons toques mas falta-lhe imensa coisa e não entendeu, quando eu disse que este ano era para finalizar porque é que eu digo que estou "cansado". Ainda vamos ter uma conversa mais a fundo... mas lá está. Chegar, "vamos tocar"... e não saber o quê. Nem o que fazer, nem como. E perdem-se horas de ensaios com isso. Na guitarra está o meu sogro. Sempre foi limitado e foi aprendendo a tocar conforme fazíamos ensaios e concertos. Progrediu. Mas chegou ao limite. E sempre fui fazendo muito trabalho também por ele. E já lhes disse... compreendam-me que finalizo isto com muita tristeza, mas tenho de subir o nível, seguir com músicos tão bons ou melhores do que eu... é o que eu mais gosto na estrada. Apanhar alguém melhor do que eu e absorver, aprender, conversar, discutir (no bom sentido da palavra). Porque quero amanhã ser sempre melhor do que hoje. Já tive esta discussão aqui no fórum por causa de ser um nabo na edição de som, vst's, etc. Mas a minha essência faz com que aprenda discutindo, vendo, estando lado a lado com alguém e não sozinho... Adiante. 

 

Neste momento estou com o projecto "INTEMPUS". Fizemos o primeiro concerto dia 13 de Abril. Quem nos contratou ficou de boca aberta e prometeu-nos muitos mais concertos... já estão agendados. Não venho para aqui gabar o projecto porque isso não é o fundamental. Mantendo-me no tema...

 

Reunimos 4 tipos que se conheceram com um cantor/guitarrista que tinha a mania que era o maior da aldeia. E não sabia o que queria. Hoje sou o cantor XPTO + a banda wyz.... amanhã, isto é uma banda e temos o nome wyz... amanhã já vou tocar a solo por causa dos meus fãs.... estão a ver o estilo. A verdade é que deste projecto conheci o baixista e baterista que estão agora a trabalhar comigo. O baterista dá aulas numa escola de música e convidou-me para ir para lá dar aulas de piano. Conhecemos o guitarrista, foi para lá dar aulas e está também no projecto. Passou por um linfoma e esperamos um ano e meio para que ele ficasse curado. E está, felizmente. E percebemos que "isto" funciona, porque somos, primeiro que tudo, 4 verdadeiros amigos além da música.

 

Juntando só mais uma pequena passagem: terceiro ensaio da banda: "vamos tocar da música 1 à música 6". Ok.... ensaio... Guitarrista... "não tive tempo de ouvir esta e assim mas vamos ver como fica..."  Baterista: "Vamos tomar um café"? Ok... vamos lá...  "Não vale a pena virmos perder 3 horas de ensaio e não trazermos as coisas prontas. Para isso marcamos ensaio para daqui a 1 mês e cada qual tem de ter a sua parte pronta. Depois, logo se junta, dá-se mais este ou aquele pormenor, mas a base tem de estar pronta..." A partir daí, os ensaios foram feitos quase sempre à primeira e depois limamos o que temos. 

 

Finalizando. Isto depende de cada um. Toquei com um músico extraordinário que corre o mundo a fazer música. Literalmente. Digo-vos que desde Alemanha, Austrália, Zimbábué, Brasil, Venezuela... o tipo passa por vários países num mês. Nunca vi ninguém com capacidade de fazer o que ele faz. E é músico. Não é instrumentista. Toca da mesma forma bateria, baixo, guitarra, teclas, saxofone... dão-lhe um instrumento para a mão e ele toca. No entanto, em termos de relações pessoais era muito difícil de lidar. E deixamos de fazer parte desse projecto por isso. Na minha forma de ver as coisas, tem de haver cumplicidade entre os diversos músicos. Para aceitarem uma "carvalhada" quando é preciso, e para irem tomar uns copos quando estiver tudo na tranquila e para carregarem o material todo no fim, independentemente de ser o guitarra, o batera ou o vocalista. Todos são importantes, desde o tipo que enrola cabos, ao motorista da carrinha, ao empresário... e começa aí. Depois, a capacidade musical de cada um pode ser trabalhada se todos aceitarem que todos temos muito mais a aprender. Qualquer projecto deveria partir daí. 

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pgranadas    2248

Ha coisas que tolero até com alguma facilidade, mas aquilo que exijo mesmo é que levem as coisas a sério. Tinha um amigo que dizia, “trabalho é trabalho, conhaque é conhaque”, e eu tenho o mesmo lema.

Aquela pessoa, que se dedicou a música porque quer andar sempre na desbunda e no relax, não é um músico. É um preguiçoso com uma desculpa planeada. E eu detesto preguiçosos.

Gosto de me divertir, acho que a música permite que nos divirtamos enquanto trabalhamos, mas em primeiro lugar há que se ser minimamente profissional e respeitar as outras pessoas. Por isso compreendo perfeitamente o @Antonio.

Admito que alguém seja limitado e que precise que o ajudem. Admito que alguém tenha um imprevisto na sua vida. Mas gente que chega sistematicamente atrasada, não. Gente que não se esforça para fazer a sua parte, não. E gente que faz barulho enquanto os outros trabalham arranjos, recebe um alerta, e depois uma guia de marcha.

Prefiro trabalhar, e até mesmo ter que ensinar se for o caso, com alguém que seja limitado, mas que queira aprender e se esforce, do que com alguém que seja um virtuoso e que não respeite o tempo e o trabalho dos outros.

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jlcosta    722

Temática extremamente interessante e pertinente.

Concordo com a maioria dos pontos de vista aqui descritos, as pessoas são de facto o mais difícil de lidar a todos os níveis e a idade contribui para a nossa falta de paciência para aguentar essas pessoas.

Mas mesmo que elas não existissem, há dias em que a "desinspiração" vai além das pessoas. Vai além de carregar material às tantas da manhã, vai além dos ensaios cansativos e dos devaneios alheios.

Mesmo sozinho, há uma tendência para uma desispiração influenciada por esta última década de tecnologias e internet.

É uma quantidade de informação tão extensa, tão bruta que me tira o foco, que banaliza qualquer ideia de novidade que possamos ter e deturpa até o nosso sentido das coisas.

Faz falta a pica de esperarmos por mais um album daquela banda, ou daquele guitarrista que nos enche os olhos, daquela entrevista que é uma novidade, ou daquelas referências teóricas onde sabemos realmente com quem vamos aprender alguma coisa.

Sou um gajo positivo e vejo sempre o lado positivo das coisas, penso que fazemos parte de uma geração de transição, que veio da internet de 56kb para a fibra, que veio da cassete para o spotify, que veio dos livros e das fotocópias de acordes para o youtube onde há de tudo "à barda".

Isso desinspira-me quando o pressuposto se calhar até é fazer o contrário, é inconsciente mas muito influente na minha vida, afeta-me todos os dias e manifesta-se a todos os níveis.

Deve ser uma crise dos trinta. Mas os trinta também me trouxeram a ideia de que remar contra a maré sem aceitar o fluxo dos mares, não tem muita lógica. Agilizo enquanto espero por dias melhores e vou tocando o que me apetece e quando me apetece sem grandes lógicas.

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Antonio    451

@pgranadas exacto! Se a premissa da banda for, "ok sabemos que esta pessoa precisa de alguma ajuda, tem vontade de evoluir e os outros estão na boa com isso" Ok. Agora uma pessoa aceitar uma posição numa banda propondo-se a fazer algo que afinal não tem capacidade para fazer é gozar com os outros... Ainda por cima a grande maioria das vezes nota-se claramente que é por preguiça!

 

@jlcosta É a historia do copo meio cheio ou meio vazio. Eu acho esta nova realidade super inspiradora! Exatamente porque com o digital posso fazer tudo sozinho sem aturar ninguém :D     

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tmo    1643
há 18 minutos, Antonio disse:

(...) Exatamente porque com o digital posso fazer tudo sozinho sem aturar ninguém :D     

... ou sem ninguém te aturar???:ph34r:

Na minha banda actual, o prefácio sempre foi "vamos com calma, mas vamos". Sou o único de Lisboa, o @A.G.E.N.T.E. dos graves é dos Algarves e o cozinheiro dos pratos e tachos é de Aveiro. Tocamos uma vez por semana quando tocamos, músicas cuja estrutura não é linear e cujos fraseados surgem dos confins do cosmos de cada um de nós. Ou seja, procuramos fugir dos clichês musicais de toda a malta, das modas, do fashion, fazemos musicalmente o que nos dá na gana e aquilo que conseguimos concretizar dentro das nossas limitações técnicas e teóricas, mas estamos a explorá-las e rompê-las, alargá-las, a sair do "confortável".

... e isto tem sido a minha luz ao fundo do túnel, de um túnel longo e escuro no qual as vicissitudes da conjectura contemporânea me enfiaram...

Acho que para um projecto funcionar tem de haver respeito mútuo pelo outro(s), perceber se há interesse e investimento, mesmo que numa ou outra fase se mostre mais ténue ou mesmo imperceptível. Tem de haver comunicação verbal fácil, sem rodeios, frontal e empática... sem empatia ninguém se relaciona.

E temos de respeitar as dificuldades dos outros assim como esperamos que respeitem as nossas (isto começa a soar a missa)... cada um tema sua guerra (fazendo agora a relação com o texto do @resolectric) seja ela contra uma força militar ou social. Não quero com isto dizer que se tenham de aturar as merdas todas de bon vivans  que se acham rock star, mas às vezes se calhar é importante alargar um pouco os preceitos...

Mas não nos levemos tão a sério, assim como sejamos igualmente objectivos relativamente ao que pretendemos com a coisa, o Yin e o Yang da composição musical contemporânea em registo colectivo...

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