phillipric

Qual o problema ao fazer som?



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phillipric    201

Malta, tenho a certeza de que não será só comigo que isto acontece, mas confesso que, sabendo um mínimo de som ao vivo, ultrapassa-me completamente. 

Com os concertos e cortes na parte financeira, tenho tido a "sorte" de ser contratado muitas vezes para locais onde o som e luz são da responsabilidade de quem contrata. Ora, nem sempre sei quem vou apanhar. Já apanhei 3 vezes um "artista" da minha cidade que o gajo até sabe trabalhar, mas é um calão de primeira. Mas tanto com ele como com outros, a maioria das vezes acontece:

Som à frente, é ao gosto do técnico, como é lógico. Não costumo "chatear" a cabeça com isso porque sei que, por muito que eu diga que o som podia ser mais isto ou aquilo, ele vai acabar por gerir ao gosto dele. A única coisa que os tenho "lixado" agora é que como comprei um processador de efeitos para a voz, aí, quem manda sou eu. Faz-me confusão o receio que eles têm de usar efeitos na voz... todos os grandes usam, porque é que eu tenho de estar a seco? 

Mas o problema tem passado quase sempre pelo som de palco. Mexe daqui e dali, bateria, baixo, guitarra, teclas, vozes... etc. Outra coisa que me faz confusão: "O que queres ouvir"? Quero ouvir tudo caramba, não estou a tocar sozinho. Depois de muitas voltas a mexer... lá fica ao nosso gosto ou lá perto... chega à hora do concerto... "Onde está o som que estava feito?" Muito raramente tenho som em condições ou de qualidade em cima do palco. Há duas semanas, fiz um concerto em que ao fim de 10 minutos o som estava feito, foi tudo um pouco a correr porque existiam vários momentos no palco e tivemos de despachar. Olha, até nem está mau. Ouço bem a voz, nem estava colado ao micro, estava com ganho suficiente. 3 minutos depois começamos o concerto e.... a tarola parecia um bombo, a voz desapareceu, a guitarra ao fundo, as teclas quase sem se ouvir e o baixo a rebentar os monitores... Lá perdi 30 segundos depois da primeira música a pedir ao tipo que estava em palco para corrigir... melhorou ligeiramente, mas longe do que estava. Mas se estava feito, porque é que se mexeu? Não entendo, sinceramente. 

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phillipric    201

Mais um concerto, mais uma vez som de palco a deixar a desejar. Começar o concerto e... teclado sem som. A voz ao fundo, guitarra demasiado escondida... o costume. O baterista também se queixou de ouvir pouco o som geral. Já é crónico. 

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Antonio    461

Simpatizo contigo e conheço bem a situação. 

Acho que existem 2 causas muito flagrantes:

1 - Muitas pessoas fazem som porque veem uma oportunidade de negocio. Pensam que é só comprar material e saber ligar tudo e o básico dos botões. Não se apercebem que fazer som é uma skill especial que requer muito estudo e muita prática. Já tive sons muito maus feitos em equipamentos de topo e sons muito bons feitos em mesas ferrugentas que já tinham canais inutilizados. A diferença é que os operadores desses sistemas velhos e cansados já os conheciam muito bem e sabiam como os fazer soar.    

2 - Nos cursos de som nunca encontro disciplinas de treino auditivo ou, tão pouco, momentos dedicados á audição e avaliação de misturas bem feitas de forma a educar o ouvido.  Os cursos de som são apenas focados no uso das ferramentas. É mais ou menos como ensinar um daltónico a usar tintas e pinceis.  

Posto isto: 

Em relação á monição a questão do querer ouvir tudo é perigosa. É que quanto mais som no placo mais difícil fica para o tec de som fazer soar "á frente". Pensa nisto como um compromisso entre os dois, porque cada coisa que metes no teu monitor é menos uma fonte que o tec consegue controlar á frente. Por isso eles estão sempre a tentar que os músicos toquem com o mínimo de som no placo. É uma "guerra" normal. Há que saber jogar e criar compromissos.

Também digo que quanto mais confiante tiver o musico menos dependente está da monição. O truque é saber os temas tão bem que não precisamos de "cues" de ninguém. Saber tocar o tema todo, com as voltas todas certas, apenas sobre o click e não depender daquela frase da letra ou daquele break de bateria para saber quando "muda para a outra parte".   

 

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phillipric    201

Há ataques de baixo, bombo e pratos que têm de estar colados e isso só ouvindo bem o que se está a fazer. Não posso passar um concerto de alta adrenalina a ter de cantar de forma a ouvir-me ao fundo. Não dá. Não quero 5000 Watts no palco. Quero ouvir o que estou a fazer. Ponto. E continuo a achar que se ganha mais com um side fill do que com monitores de chão, mas isto é uma opinião muito pessoal. Já tive sons de palco bons, muito poucos, mas bons. Já tive um concerto de alto nível com um técnico que afinou tudo de cima a baixo... nem um feedback, tudo audível, com força suficiente. 

Outra opinião muito pessoal. O pessoal não se soube adaptar às mesas digitais... parece tudo um burro a olhar para um palácio. Há excepções, é claro. Mas são poucas. 

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Antonio    461
há 55 minutos, phillipric disse:

Há ataques de baixo, bombo e pratos que têm de estar colados e isso só ouvindo bem o que se está a fazer. Não posso passar um concerto de alta adrenalina a ter de cantar de forma a ouvir-me ao fundo. Não dá. Não quero 5000 Watts no palco. Quero ouvir o que estou a fazer. Ponto. E continuo a achar que se ganha mais com um side fill do que com monitores de chão, mas isto é uma opinião muito pessoal. Já tive sons de palco bons, muito poucos, mas bons. Já tive um concerto de alto nível com um técnico que afinou tudo de cima a baixo... nem um feedback, tudo audível, com força suficiente. 

Outra opinião muito pessoal. O pessoal não se soube adaptar às mesas digitais... parece tudo um burro a olhar para um palácio. Há excepções, é claro. Mas são poucas. 

Acho que o problema das mesas digitais é o excesso de ferramentas. Muita gente começa a usar Comp, EQ e efeitos sem um proposito claro, só porque existem lá  prontamente disponíveis  e sem sequer ouvir com atenção o som original para ver se há problemas a ser corrigidos com estas ferramentas. E a malta que começa por colocar presets então :rolleyes:   

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amrest    87

Um dos "maus vícios" (minha opinião) de quem faz o som à frente é pôr o bombo tão alto que abafa completamente o baixo. Este pode nem saber a música e dar todas ao lado que ninguém  consegue perceber. Quanto a mim arruína o som e, claro, o concerto.

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kyuuga    57

Concordo completamente, pelo menos aqui em Portugal parece que há muitos poucos bons técnicos de som.

Eu acho que para se ser um bom técnico de som há que ser (ou ter sido) um músico decente que tenha gravado algo ou tenha dado uns quantos concertos. Porque senão, na minha opinião, é muito díficil de se perceber como uma mix em palco deve funcionar. 

Eu falo por mim que sou baixista mas é muito raro ver um técnico de som que saiba como o baixo funciona...normalmente ou enchem aquilo de graves e é uma lama autêntica de som sem definição nenhuma a abafar tudo ou então fica completamente perdido no mix e mal se ouve (abafado pelo bombo e etc).

E hoje em dia, com as mesas digitais, nem percebo como é que às vezes o som do soundcheck é tão diferente do som do concerto. Tudo bem que as condições podem mudar porque depois há lá gente e tal mas as diferenças são dramáticas...será que chegam ao fim do soundcheck e se esquecem de gravar as definições ou simplesmente não querem saber? :D

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phillipric    201

A questão de qualquer instrumento... qualquer um vai sentir o "seu"... já ouvi/vi muito concerto em que digo sempre que se o baixo estiver a tocar duas notas ao lado não se nota. Está completamente perdido na pancada do bombo. As guitarras, nunca há o compromisso. Uma boa guitarra tem de "furar" sem ser agressiva. A maior parte das vezes há "medo" e a guitarra fica perdida na mistura, como se se estivesse a ouvir um cd. No meu caso, as teclas também ficam demasiado escondidas... sobretudo sons de piano, os técnicos devem sentir que é como um complemento, quando por vezes são a diferença melódica em relação a tudo o resto. Um bom piano, com brilho, uns graves bem colocados, sem entrar no expectro do baixo, faz toda a diferença. Tenho uns samples que junta strings, synfonika, cellos, pads, bells... parecia um "casio" a tocar... nada a ver com aquilo que costumo ter na sala de ensaio. 

Não é que possa dizer que foi um mau trabalho, não foi. Este último concerto pecou pelo som de palco e quem estava à frente apontou isto mesmo: o bombo estava bom, o baixo também, por acaso bem colocado. Teclas e guitarra muito escondida, tarola e pratos quase perdidos no meio do som. 

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resolectric    1133
On 6/12/2019 at 11:01, kyuuga disse:

...pelo menos aqui em Portugal parece que há muitos poucos bons técnicos de som.
...

Participo activamente num Fórum dos USA dedicado quase exclusivamente a questões relacionadas com som, estúdios, produção, etc.
Ainda que estejam por lá muitos músicos (conceituadíssimos) o "fio condutor" do Fórum é o som.

As queixas e os comentários são exactamente os mesmos: o som em concertos é cada vez pior por falta de sensibilidade musical dos técnicos e por falta de sensibilidade técnica dos músicos.
Em ambas as "classes" existe uma tremenda falta de sensibilidade humana e de respeito pelo trabalho de uns e de outros.

Quando os técnicos se sentem "donos do concerto" ou os músicos sentem que podem trabalhar e comandar sózinhos, está tudo estragado.
Como cada vez mais os seres humanos têm dificuldade de comunicar entre si, não sabendo, geralmente, elaborar uma frase simples (tipo: preciso de mais definição no som do Baixo) ou entender uma frase simples (como: preciso de mais definição no som do Baixo) é natural que o resultado de trabalhos cooperativos seja cada vez pior.
Daí que os artistas a solo singrem (nada melhor do que stressar com o computador, que não responde) enquanto que os artistas que trabalham em conjunto têm cada vez mais dificuldades.
O problema passa, por exemplo, pelos Bateristas que têm de parar quietos quando o técnico diz que vai fazer o som do Baixo ou os técnicos que não prevêem que o som da sala vai mudar quando o público chegar (há uma explicação técnica para isso e os técnicos têm de a dominar).

O problema é o analfabetismo funcional.
Não chega saber ler ou falar. É preciso saber entender o que se lê, entender o que se diz e conseguir transmitir o que se quer dizer.

As redes sociais e mesmo Fóruns como este não são sinónimo de que a humanidade comunique mais.
Num evento artístico colectivo, ou se comunica com clareza ou não há Arte.
E não é só em Portugal nem é mais aqui do que noutros sítios.
É um problema humano do século XXI.

 

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Antonio    461
há 1 hora, resolectric disse:

Participo activamente num Fórum dos USA dedicado quase exclusivamente a questões relacionadas com som, estúdios, produção, etc.
Ainda que estejam por lá muitos músicos (conceituadíssimos) o "fio condutor" do Fórum é o som.

As queixas e os comentários são exactamente os mesmos: o som em concertos é cada vez pior por falta de sensibilidade musical dos técnicos e por falta de sensibilidade técnica dos músicos.
Em ambas as "classes" existe uma tremenda falta de sensibilidade humana e de respeito pelo trabalho de uns e de outros.

Quando os técnicos se sentem "donos do concerto" ou os músicos sentem que podem trabalhar e comandar sózinhos, está tudo estragado.
Como cada vez mais os seres humanos têm dificuldade de comunicar entre si, não sabendo, geralmente, elaborar uma frase simples (tipo: preciso de mais definição no som do Baixo) ou entender uma frase simples (como: preciso de mais definição no som do Baixo) é natural que o resultado de trabalhos cooperativos seja cada vez pior.
Daí que os artistas a solo singrem (nada melhor do que stressar com o computador, que não responde) enquanto que os artistas que trabalham em conjunto têm cada vez mais dificuldades.
O problema passa, por exemplo, pelos Bateristas que têm de parar quietos quando o técnico diz que vai fazer o som do Baixo ou os técnicos que não prevêem que o som da sala vai mudar quando o público chegar (há uma explicação técnica para isso e os técnicos têm de a dominar).

O problema é o analfabetismo funcional.
Não chega saber ler ou falar. É preciso saber entender o que se lê, entender o que se diz e conseguir transmitir o que se quer dizer.

As redes sociais e mesmo Fóruns como este não são sinónimo de que a humanidade comunique mais.
Num evento artístico colectivo, ou se comunica com clareza ou não há Arte.
E não é só em Portugal nem é mais aqui do que noutros sítios.
É um problema humano do século XXI.

 

Concordo. Mas acho que o problema tem uma causa mais profunda. 

Acho que esse comportamento é fruto de um grande insegurança de ambos os lados. Acho que no sec XXI as pessoas estão muito habituadas ao facilitismo. Como tens studio deves reparar que a maior parte das pessoas não se preocupa em trabalhar realmente para gravar uma performance decente! Vão para o estúdio já a contar com takes infinitos, comping, quantize, melodyne, etc...

Os tecs que som também acham que carregar um preset numa mesa digital faz milagres e não se preocupam a fazer treino auditivo e perceber realmente como soa uma boa mistura, ou sequer como deve soar a banda que estão a misturar.

Acho que esta tendência para o facilitismo apoiado na ilusão de que a tecnologia resolve tudo, deixa no sub-consciente a noção de que não existem realmente competências para realizar o trabalho, seja tocar, seja fazer som. Ou pelo menos a noção de que as competências são frágeis.

Ora, claro que inseguranças a nível do sub-consciente levam sempre  a uma comunicação em modo defencivo em que qualquer sugestão é levada como ataque pessoal.

Eu comecei a estudar MESMO as musicas. Consigo tocar as minhas partes acapela ou sobre o simples click sempre com power, feeling e confiança. Ouvnido-me muito ou ouvindo-me pouco, de olhos fechados ou de olhos abertos! Sei mesmo de cor quantas voltas são cada parte, não preciso de ouvir o break de bateria ou um verso da voz "para saber quando muda". Consigo tocar os solos todos a bater o pé e sei exactamente a duração de cada nota! Basta-me sentir o pulsar dos subs para saber o tempo e conseguir executar  a minha parte.

Quando faço concertos, tento transmitir imensa calma e confiança. Deixo os tecs de som fazerem a cena deles e torno claro que NÃO preciso que eles façam um bom trabalho para eu conseguir fazer o meu. O resultado é uma comunicação brutalmente melhorada porque os tecs não sentem pressão d aminha parte e sentem-se livres para fazer as coisas á maneira deles porque a mim não me afeta em nada.    

     

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