F.Coelho

Escala de uma guitarra Vs empréstimo



Posts Recomendados:

F.Coelho    239

Depois do nivelamento dos trastes segue-se o arredondamento das extremidades.

Não arredondar pode implicar que num movimento mais rápido e longo (digamos do 12.º traste para o 3.º) na corda E (mais fina) este seja atrapalhado por um travamento entre o calo do dedo e uma aresta da extremidade de um dos trastes (pelo menos a mim acontece-me por vezes, daí ter de arredondar). Este processo não é por uma razão estética. Até é por uma razão de segurança, pois os travamento bruscos num movimento rápido podem causar lesões na articulação de um dedo (uma guitarra é um “animal” bem complicado, não é?).

 

Este processo faço-o com uma lima triangular que está limada numa das arestas para não ferir a escala.

É um trabalho chato e repetitivo (como todos que são feitos nos trates – 22 ou 24 vezes a mesma coisa).

Chega uma altura que já está tão mecanizado que a nossa mente divaga e pensa noutras coisas.

Ora bem, numa dessas vezes a minha mente levou-me a pensar que os trastes estão relacionados com o pagamento de um empréstimo, pois as fórmulas matemáticas dos dois são da mesma família. Dirão: “Não! Não acredito!”. Mas é verdade e eu vou tentar explicar da melhor maneira possível, simplificando.

 

Ora vejamos. Quem já arredondou trastes sabe que a sensação de começar no 1.º traste em direcção ao 22.º , é diferente da sensação de começar no 22.º em direcção ao 1.º.

No primeiro caso, progredimos muito na escala da guitarra mas à medida que chegamos ao 12.º traste parece que o trabalho nunca mais acaba.

Já quando começamos no 22.º traste, vamos avançado pouco na escala e depois do 12.º traste os avanços vão cada vez sendo maiores e de repente o trabalho acaba depressa.

 

Quando se contraí um empréstimo é o equivalente a comprar uma escala que necessita de arredondamento de trastes a começar pelo 22.º.

Tal como no processo do arredondamento em que se avança pouco na escala por cada traste, no caso do empréstimo vemos que nos primeiros anos a dívida pouco diminuí e só se pagam juros.

No caso figurado, diria que os juros que se pagam seria a soma das repetidas diferenças entre a largura na escala que vai desde a pestana ao 1.º traste e todas as restantes larguras entre trastes na escala (que vou abreviar para 1.º traste, 2.º traste, 3.º traste, …, 22.º traste).

Ou seja, para uma melhor compreensão:

 

(1.º traste – 22.º traste) + (1.º traste – 21.º traste) + (1.º traste – 20.º traste) + … + (1.º traste – 2.º traste) = total de juros pagos durante um empréstimo.

 

Podemos dizer de maneira grosseira que quanto maior a largura do 1.º traste mais juros se pagam. Ou seja, o comprimento da escala tem a ver com a taxa de juro do empréstimo. Quanto maior a escala, maior a taxa de juro. A escala de um baixo anda à volta de 86 cm já numa guitarra anda à volta de 65 cm. Ou seja, o 1.º traste do baixo é muito mais largo do que o 1.º traste da guitarra (o baixo paga mais juros).

 

Quem sente a guitarra observa que entre o 22.º traste e a pestana a digitação é “mais apertada”e até pode levar a uma utilização diferente dos dedos que no resto da escala.

Da pestana ao 12.º traste o modo de digitação praticamente não sofre alterações, e é “mais solto” (parece que a largura entre trastes é sempre igual).

Onde quero chegar?

Quando se amortiza parcialmente um empréstimo é o equivalente a avançar na escala em direcção ao 1.º traste.

Por exemplo: estamos a arredondar o 20.º traste, aparece um amigo voluntarioso que dá uma ajuda e arredonda até ao 14.º traste. Ficámos um pouco aliviados do trabalho, não acham?

Na amortização do empréstimo é semelhante. Quando se amortiza e se mantém a mesma prestação fixa, o número de anos do empréstimo também diminui (assim como os juros pagos, como já vimos).

Quando é que se torna rentável amortizar um empréstimo?

No seu inicio, diria entre o 21.º e o 18.º traste (estão a ver o paralelismo).

E o que quantia se deve amortizar?

Bem, sabemos que a vida não está fácil, mas tudo o que se possa amortizar no inicio vale a pena.

Grosso modo, se se saltar do 21.º traste para o 12.º poupam-se cera de dois terços em juros. Ou seja, se se está a dever cerca de 3.000 em juros, esta amortização permite que, mantendo a mesma prestação, se poupem 2.000 em juros e se reduza o tempo do empréstimo quase para metade.

 

Junto uma imagem que é meramente para dar uma noção do apresentado

5d3dc41ee6e8b_Imagem01.png.87400f189eaa9b02c70c18705211dd10.png

Não sei se consegui o meu objectivo, mas estou disponível para esclarecimentos.

  • Riso 1

Partilhar este post


Link para o post
Partilhar nas redes sociais
tmo    1691

Sacrilégio! Comparar a matemática associada a um instrumento artístico com a mesma associada ao canibalismo capitalista das entidades bancárias!...:D

De resto, é um ponto de vista e uma analogia perfeitamente válida e legítima, venham mais pensamentos profundos deste género para animar as tardes de domingo...?

  • Riso 1

Partilhar este post


Link para o post
Partilhar nas redes sociais
F.Coelho    239

Como as taxas de juro surgiram muito depois da música (e da divisão da escala), a música tem supremacia sobre aquelas.

Infelizmente existem no mundo muitas coisas boas que utilizadas de maneira errada só resultam em aberrações.

Não resisti a escrever o texto, pois às vezes não há a noção sobre empréstimos. Nos nossos dias assistimos à compra de dinheiro por parte das instituições de crédito a taxas negativas. Isto quer dizer que quando pensamos que estamos a fazer um bom negócio e achamos uma taxa de juro muito boa afinal não é bem assim e vale sempre a pena negociar (ou tentar).

E já agora, quando se referem a X prestações sem juros tal não é verdade.

Uma taxa de juro negativa é o equivalente dizer que o dinheiro vai perdendo valor todos os dias. Exemplo (grosseiro): uma instituição compra 120 euros hoje. Se este capital ficar parado, daqui por um ano esses 120 euros valem 117 euros. Se por outro lado for emprestado "sem juros" a 12 meses, a 10 euros cada, no final do ano em vez de 117 euros, a instituição fica com 120 e ganha 3 euros. Multiplicado por milhares vemos que a modalidade sem juros é bastante rentável.

Afinal, como se diz "Não há almoços grátis".

  • Gosto 1

Partilhar este post


Link para o post
Partilhar nas redes sociais

Regista-te ou entra para comentar!

Para deixar um comentário é necessário estar registado. É muito fácil!

Criar uma conta

Regista-te e vem fazer parte desta comunidade! É fácil!

Registar-me

Entrar

Já estás registado? Entra aqui!

Entrar agora