F.Coelho

Braço de guitarra em pinho



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F.Coelho    256

Por motivos diversos não encontrei disponível braços de 22 trastes.

Numa casa de ferragens perto de casa encontrei uma ripa de pinho. Resolvi comprá-la e aventurar-me na construção de dois braços. A ripa de 2,60 metros ficou-me em 11 euros e dividi em 3 partes utilizáveis para a construção de braços.

Tinha o hardware dos antigos braços, uma escala em maple e os trastes.

Como não disponho de ferramenta especializada grande parte do trabalho saiu dos braços. Foi uma aventura com muito suor, muita serradura e sobressaltos.

Resolvi avançar por que no que toca a densidades este pinho apresentava um valor de 0,62 Kg3/m3.

Consultando a tabela do link:

https://cedarstripkayak.wordpress.com/lumber-selection/162-2/

 

constatei que este valor se encontrava no limite inferior do maple (valores entre 0,60 e 0,75 kg3/m3). Por outro lado, reparei que o pinho “aguenta mais força” do que o maple (consultar a mesma tabela).

Como seria de esperar o trabalho não ficou perfeito, mas ficou operacional (não sabia o que iria resultar pelo que também não tirei fotos durante a execução dos trabalhos).

Mas ficam aqui a fotos que considero importantes.

Foto de uma parte da ripa:

 

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Foto do braço/guitarra Yamaha que levou a escala em maple:

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Foto do braço/guitarra cujo corpo tinha feito há tempos (também em pinho).

Como não tinha outra escala de maple, para esta guitarra fiz uma escala em pinho.

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Em termos de som, numa primeira impressão, o som característico das guitarras é aquele que se ouve no tema “Sultains of Swing”. Penso que houve uma melhoria no sustain e tem um bom vibrato. A Telecaster tem uns agudos muito fortes.

 

No tratamento da madeira apliquei bastante óleo de cedro da marca Tintinhas que tem uma espécie de aguarrás. Permite uma maior penetração na madeira e protege da bicharada.

Seguidamente apliquei óleo de cedro Pronto na Strato e óleo de escurecer Pronto na Telecaster.

Finalmente, depois de tudo bem seco, apliquei Novycera com verniz.

Só mais um pormenor, as marcas foram feitas com serradura fina de rosewood misturada com cola Titebond. Depois de seco foi limado.

 

Resumindo, foi uma boa experiência que deu para perceber a problemática dos braços.

No entanto, pelo facto de não ter ferramenta adequada, é algo que não irei repetir.

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F.Coelho    256

Faltou-me referir um pormenor.

Um dos motivos que me levou a comprar a ripa é que os veios da madeira corriam paralelos de forma a que quando realizasse o corte ficaria com os braços mais resistentes.

Como podem ver na imagem abaixo, os veios da madeira correm paralelos ao braço dando maior resistência, maior estabilidade às variações de temperatura e humidade e melhor propagação do som.

 

20190904_121633.jpg.ee7b7a7b64104c92fcf16ce68d26007f.jpg

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F.Coelho    256
há 18 horas, jorgeteixeira disse:

Não têm truss rod, pois não? Aguentam-se bem?

Como tive algum receio do chamado "bow" (arco) optei por colocar truss rod. Assim apliquei, em ambos, um truss rod que termina à volta de 3 centímetros do final do braço (na parte de aperto ao corpo). De facto quando afinei as cordas houve o aparecimento de um bow ligeiramente superior àquele  que estou habituado nos braços em maple (também fico sem saber se caso tivesse feito os braços em maciço este problema não se colocaria - mas não quis arriscar). Um pequeno aperto no truss rod foi suficiente para pôr os braços operacionais.

Outro receio que tive foi a possibilidade da headstock poder arquear com a tensão das cordas. Para prevenir tal, tive o cuidado de não desbastar em excesso a madeira na parte traseira da zona da pestana. Por agora, decorridos cerca de 5 dias, não noto deformações nos braços.

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tmo    1727

Boas @F.Coelho Grande aventura!... mais fotos, tens?

Por curiosidade, foste tu que fizeste o truss rod ou compraste? Na segunda hipótese, podes indicar o link sff?

Outra coisa, não percebi se os braços que fizeste foram de conversão de 24 para 22 trastes ou se lhes mudaste o comprimento da escala (distância Pestana-Ponte, por vezes medida também Pestana-12º traste)... podes esclarecer sff?

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F.Coelho    256

Boas @tmo 

Os truss rod aproveitei dos dois braços que destruí após tanto limar (por causa da já falada lesão do ombro que me obrigou a ter braços mais finos nas guitarras).

Quanto ao número de trastes não fiz qualquer alteração. Mantive os 22.

Andei à procura de braços de 22 trastes baratos. No local onde me abasteço (Fratermusic) não tinha braços com escala em maple. Mandei vir uma escala em maple para montar num dos braços, mas depois constatei que já não dava para montar pois o braço estava muito limado (com esforço daria mas seria um desperdício de material).

Quanto aos braços tipo Dr.Parts só encontrei de 21 trastes. No site da Thomann fiquei "guloso" por este braço:

https://www.thomann.de/pt/goeldo_neck_paddle_rw.htm

mas por 181 euros (e logo dois braços) tira o apetite a qualquer um. Ainda por cima obriga a serração e furação, com os riscos associados, para quem não tem ferramenta especializada. Por outro lado nunca se sabe o que se vai receber em termos de qualidade e disposição de veios, no que toca às à madeiras (aqui incluo tanto a escala - rosewood ou maple- e a restante madeira do braço).

Por todas estas razões e porque era uma pena pôr estas guitarras de lado, decidi arriscar (especialmente a castanha cujo corpo também foi construído por mim, em pinho maciço e que tem 3 pickup's Fender N3).

Primeiro andei a ler umas coisas. Lembro-me de alguém comentar: "canadian maple, this is pine", sobre os braços das guitarras HB.

E isto despertou-me a atenção. Também li este artigo:

https://www.esquire.com/entertainment/interviews/a2873/guitar042307/

e vi uns vídeos (este por exemplo https://www.youtube.com/watch?v=pNStUlezHvU ) Consultei a tabela de densidades das madeiras e reparei que o pine pitch tem uma boa densidade e aguenta mais força que o maple. O problema seria encontrar esse tipo de pinho. Mas tive essa sorte.

O maior problema que tive foi a abrir o rasgo para o truss rod. Só com berbequim, foi de facto uma aventura. Os desbastes foram feitos com umas limas grossas e os nivelamentos foram feito à mão, com uma "ripa" de alumínio onde colei folha de lixa 40. Reconheço que, caso estivesse perante hard maple, em que a densidade é mais elevada, não teria tido "força" para executar o trabalho.

Este pinho revelou-se uma madeira boa de trabalhar. Reage bem à lima grossa sem lascar (o que acontece com o pinho de baixa densidade). Por outro lado, a vantagem que tive, foi escolher a disposição dos veios. Quando compramos uma guitarra ou um braço por vezes ficamos um pouco limitados ao que existe e do que tenho lido existe muita madeira que é aproveitada sem cumprir os requisitos que devem observar para a construção de uma guitarra.

Agora é esperar que a madeira "acame" e ver se não aparecem deformações.

Quanto a fotos, posso tirar mais algumas, mas diz-me, existe alguma preferência de ângulo (talvez as imperfeições, não? Pois, o berbequim e as limas não perdoam como se sabe).:D

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Rui T    1541

O que me disseram, porque eu percebo quase nada do assunto, é que o pinho senão estiver bem seco pode deformar com o passar dos anos.

Parabéns pelo trabalho.

 

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tmo    1727

Está excelente @F.Coelho. Perguntei mais para poderes expor um pouco mais profundamente as actividades. Quanto às fotos, "bota" as que quiseres/tiveres..

... e já agora, só mesmo para esclarecer, garantiste que a geometria Pestana-Ponte se manteve ao aproveitares e refazeres os braços...

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