F.Coelho

O comprimento da escala importa?



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F.Coelho    332

Nunca deveria ter abandonado a escala 24,75".

Há alguns anos atrás estupidamente meti-me com as escalas de 25,5". Notei logo diferença. Mais esforço, mais elasticidade requerida.

Para quem praticou ginástica ou outro desporto de alta competição sabe que a performance não dura para sempre. E que mais tarde as lesões retornam.

Ora tenho sido um mártir em lesões. Quando se é novo, tudo se faz, mesmo com os estúpidos sacrifícios. Como já disse aqui no fórum, praticava clássica, só há poucos anos me dediquei à eléctrica. Mas já vou "evoluindo" com a idade, não sou novo, se me faço entender.:)

Mas também se tenho tido lesões, também tenho-me debruçado mais sobre a anatomia humana. E de facto, não podemos ser "bons corredores" de 100 metros com pernas pequenas, entendem. Não é que tenha mãos pequenas. Mas reparei que tocar em escalas de 25,5" já exigia algum esforço, naqueles movimentos com um distanciamento de 4 trastes ou mais. E todos os guitarristas de top fazem gosto de demonstrarem a sua performance numa competição de vaidades(?). Por isso, um tema que até se vai tocando bem chega a uma parte que fica tudo estragado. É nestas alturas que é mesmo preciso uma mão grande e velocidade.

Agora que já passaram alguns anos vejo alguns desses guitarristas actualmente em espectáculos ao vivo (porque têm que necessariamente ganhar a vida) a tocarem as mesmas músicas mas de forma mais lenta e evitando determinados movimentos. Claro que a idade não perdoa. Tudo se vai perdendo. Mas é um pouco triste.

A minha intenção não é criticar só por criticar. Talvez deixar conselhos, ou melhor, dicas. Não sou guitarrista profissional. Meramente um curioso que tenta manter a cabeça ocupada.

há 17 horas, Antonio disse:

Perde menos tempo com esse tipo de coisas e mais tempo a estudar guitarra.

Bem dito. Mas quando se tem lesões estúpidas por estupidez acaba-se por ficar alguns tempos parados e acabo por estudar os porquês e levo-me a alertar para estes problemas.

Espero que tenha sido compreensível.

E boa saúde para todos nós.

 

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tmo    2541
há 6 horas, Antonio disse:

Essa experiência do baixo acredito que tenha feito diferença. Mas não era só a escala. É um instrumento diferente. 

Além de eu ter várias guitarras, a minha escola de música tem serviço de luthier. Trabalho com um muito bom! Isto quer dizer que recebo todas as semanas várias guitarras de clientes para levar ao luthier. Quando lá vou, ele tem sempre inúmeras guitarras de clientes também. 

Ora, claro que eu aproveito para experimentar tudo. Afinal tenho de verificar se o trabalho foi bem feito antes de entregar a guitarra ao cliente... 

Sim, toco regularmente em gibsons, fender usa, ibanez prestige, prs, etc... 

Não sei se é exactamente por isso... Mas a mim a cena da escala é um bocado "tinto". Talvez leve um minuto a adaptar os dedos, se for assim uma guitarra seguida à outra. Mas depois esqueço isso e passo a curtir outros aspectos da guitarra. 

Passar de 25.5" (escala Fender) para 24.75" (escala Gibson/PRS ?) é relativamente tranquilo nas primeiras posições (entre o 1º e o 10º/12º trastes), mas começa-se a sentir alguma diferença a partir do 12º no encavalitar dos dedos, principalmente se forem para o gordos. Passar de 25.5" para 27" já é um salto valente nas primeiras posições e um respirar de "alívio" nas mais altas, parece que há espaço para todos os dedos não se atrapalharem uns aos outros. Saltar para uma escala pequena tipo 22.2" é então um outro salto engraçado, difícil de enveredar por fraseados muito exigentes acima do 12º traste, pois fica tudo encavalitado.

A experiência de andar a saltar de umas guitarras para outras com frequência, se estas estiverem dentro da mesma amplitude de escala atenua-se quanto mais frequente for a prática e torna-se quase insignificante em termos de performance tocar uma mesma música numa LesPaul ou numa Tele, mas quando se salta para territórios diferentes como comprimentos de escala barítonos ou altos a conversa muda de figura substancialmente.

@Antonio a "conversa" de um baixo ser um instrumento diferente de uma guitarra está muito dependente do ponto de vista de cada um. Em termos práticos exige uma abordagem diferente quer pelo comprimento da escala, quer pela espessura das cordas, quer ainda pela amplitude tonal e claridade na expressão de cada nota, no entanto, se formos a ver pelo ponto de vista formal diferem apenas na questão do tamanho, são estruturalmente idênticos. Se escalarmos a mão (e tamanho geral) do músico, em teoria será possível executar as mesmas peças tanto na guitarra como num baixo... em teoria, claro... :D

Lembro-me de quando tinha aulas de piano há coisa de 30+ anos atrás, de que o tamanho da mão limitava a execução de algumas peças a poucas pessoas, principalmente quando surgiam acordes com acrescentos de 9as, 10as, e por aí. Fazer uma oitava num piano já exige algum esforço de amplitude da mão. A guitarra é mais simpática neste campo, as aberturas da mão das pessoas sem grande prática permitem uma execução de guitarra bastante diversificada, no entanto, brincar com o comprimento de escala de uma guitarra pode permitir a pessoas com mãos mais pequenas a execução de peças que de outra forma lhes estariam fora do alcance.

Volto a dizer, na minha opinião, o comprimento da escala é o princípio de tudo na guitarra...

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