F.Coelho

O comprimento da escala importa?



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F.Coelho    330

Todos nós já experimentámos guitarras com uma escala de 24,75” e guitarras de 25,5”.

No primeiro caso estão, normalmente, as designadas Les Paul. No segundo, as Stratocaster.

Uma pergunta que é legítima de se colocar é: Faz assim tanta diferença tocar numa ou noutra escala?

A resposta não será fácil.

Vejamos:

24,75” correspondem a 628,65 mm.

Enquanto 25,5” correspondem a 647,70 mm.

No fundo a diferença entre escalas tem um valor de 19,05 mm ( 647,70 - 628,65 = 19,05 mm), ou seja, aproximadamente 2 cm.

Estes 2 cm distribuídos ao longo do comprimento da escala não traduzem grande alteração nas larguras entre trastes.

Matematicamente, por exemplo, na escala de 25,5” o espaço entre o 4.º e o 5.º traste tem uma largura de 28,85 mm e na escala de 24,75” o mesmo espaço tem uma largura de 28,00 mm. Ou seja, a diferença entre ambos é um valor de 0,85 mm, não chegando, portanto ao valor de 1 mm.

Essa diferença poderá ser um pouco maior da pestana ao 1.º traste, um pouquíssimo maior que 1 mm, mas à medida que se avança para os trastes mais perto do corpo da guitarra essa diferença começa a ser desprezível.

 

Portanto, todos dirão,”Este fulano deve querer descobrir a pólvora?”.

 

Vamos fazer esta experiência:

Peguem numa guitarra com a escala de 24,75”.

Coloquem o indicador na nota G (3.º traste) da 6.ª corda.

Agora, com o dedo mindinho vamos fazer a sequência “Hammer”-”Pull off”- “Hammer” na nota B (7.º traste).

Agora passem para a 5.ª corda e repitam o movimente entre as notas C e E.

Depois para a 4.ª corda, entre as notas F e A... e assim sucessivamente até chegarem à 1.ª corda.

Lá chegados façam o caminho inverso. E repitam o exercício até se sentirem confortáveis (ou não).

 

Agora peguem numa guitarra com a escala de 25,5” e façam o mesmo exercício.

 

No exercício, a diferença da distância entre trastes nas duas guitarras é de 2,5 mm aproximadamente.

 

Consoante as características das mãos de cada um muita coisa poderá acontecer, a saber:

Mão pequena – dificuldade em fazer o exercício em ambas as guitarras;

Mão um pouco maior – alguma facilidade na guitarra de 24,75” mas não praticável na guitarra de 25,5”;

Mão um pouco maior – conforto na guitarra de 24,75” e alguma facilidade na de 25,5”;

Mão um pouco maior – demasiada facilidade na guitarra de 24,75” e conforto na de 25,5”;

Mão grande – talvez optem por uma guitarra com uma escala maior.

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drill    327

O mais importante numa escala maior tem a ver com a tensão das cordas.

Pega num fio dentário e corta-o sensivelmente à medida de uma corda de guitarra. Estica-o. Agora diminui a distância em 2cm...

 

Às vezes, mesmo para umas mãos mais pequenas, é preferível 0.9 numa escala 25.5 do que 0.10 numa escala 24.75. Tudo depende da preferência de cada um.

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tmo    2534

A ergonomia do tocar, que é o problema que estás a levantar @F.Coelho é apenas 1 elemento a considerar nos diferentes comprimentos de escala das guitarras. Como o @drill muito bem referiu, o mesmo conjunto de cordas na mesma afinação vai ter mais tensão quanto maior for o comprimento da escala, e isto é também ergonomia, desta vez relacionada com as cordas.

Mas há outros aspectos a considerar. Escalas mais compridas terão timbres mais "redondos", ou com mais predominância de graves, considerando que tudo o resto é igual (tipo de construção, madeiras, acabamentos, marca e modelo das cordas, afinação destas, etc). Os agudo também se manifestarão diferentes em resposta.

Um outro aspecto a considerar é a capacidade (ou não) de afinar as oitavas junto à ponte.

É por causa destas razões todas que a guitarra não é um instrumento de afinação perfeita, mas antes de compromisso, no entanto há soluções para este problema: o multi-scale ou fanned fret, o True temperament e a mistura dos dois...

  • O multiscale caracteriza-se por não ter os trastes paralelos entre si, nem sequer são convergentes num único ponto (exercício de geometria facilmente comprovável em software CAD).
  • O True Temperament caracteriza-se por procurar a afinação correcta das notas corda a corda, traste a traste e fica imitado ao comprimento da escala, à espessura da corda em questão e à respectiva afinação. O que se pretende é que cada nota pressionada esteja perfeitamente afinada. Nisto resultam aqueles trastes ziguezagueantes (não rectos) que se vão encontrando já com alguma regularidade pela net.
  • A mistura destes dois sistemas é algo estranhíssimo de se ver numa guitarra, mas funcional e afinado. Limita é o uso da guitarra para apenas um set específico de cordas e apenas uma afinação.

Portanto, o comprimento da escala importa? Sim, caracteriza tipologias de som das mais diferentes guitarras, por isso é que é difícil fazer uma Les Paul soar como uma Strat ou Tele, por isso é que há igualmente guitarras barítono ou porque as guitarras Extended Range (7+ cordas) geralmente encontram-se com comprimentos de escala superiores aos 25.5".

Por isso é que um piano ou uma harpa tem comprimentos e espessuras de cordas diferentes ao longo da amplitude da sua "escala".

O Comprimento da escala de um cordofone é simplesmente a primeira das definições sem a qual não se define mais nada, é estruturante de tudo o resto, juntamente com o espaçamento entre cordas, quer na pestana, quer na ponte.

EDIT: pequenas correcções de texto...

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deadpoet    1755

@F.Coelho, quando falas em trastos, referes-te aos espaços!

tenho ideia que os trastos são todos da mesma largura, para a mesma escala de uma guitarra!

depois é claro que existem vários tipos de trastos!

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F.Coelho    330

@deadpoet obrigado pelo reparo na forma incorrecta como escrevi o post e que entretanto penso já ter corrigido.

Curioso que sempre conheci aquelas "varetinhas" metálicas como trastes. Aliás, nas lojas online é essa a designação dada.

Mas nada melhor do que consultar o dicionário da Priberam.

E de facto mais uma vez reconheço que o nome mais correcto será a palavra "trasto" embora se possa igualmente utilizar a palavra "traste".

Mas depois é claro existem vários tipos de trastes.:yes:

(uma nota, quando se escreve neste site a palavra trasto a palavra fica sublinhada a vermelho indicando que está mal escrita (ou não existe), talvez se possa corrigir isso, não?)

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tmo    2534
há 54 minutos, F.Coelho disse:

@deadpoet obrigado pelo reparo na forma incorrecta como escrevi o post e que entretanto penso já ter corrigido.

Curioso que sempre conheci aquelas "varetinhas" metálicas como trastes. Aliás, nas lojas online é essa a designação dada.

Mas nada melhor do que consultar o dicionário da Priberam.

E de facto mais uma vez reconheço que o nome mais correcto será a palavra "trasto" embora se possa igualmente utilizar a palavra "traste".

Mas depois é claro existem vários tipos de trastes.:yes:

(uma nota, quando se escreve neste site a palavra trasto a palavra fica sublinhada a vermelho indicando que está mal escrita (ou não existe), talvez se possa corrigir isso, não?)

Para sermos ainda mais correctos, demo-nos referir às distâncias entre trastes/trastos, que era a isso que o @deadpoet se estava a referir, pareceu-me.

Quanto ao sublinhado a vermelho, não diz respeito ao fórum, mas antes ao browser que estás a usar.

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Antonio    975

Xiiii @F.Coelho isso é um caso absurdo de overthinking!

Em primeiro lugar existem montes de variáveis nesse teste. Perfil do braço, setup (acção), grossura das cordas, etc... 

Agora vou dizer algo que espero que não leves a mal. Até porque a minha intenção no próximo comentário é puramente positiva:

Perde menos tempo com esse tipo de coisas e mais tempo a estudar guitarra. É que o exercício e destreza a tocar é, de muito longe, a maior variável no meio disto tudo. Ou seja, quanto mais praticares menos te preocupas com as diferenças nas escalas ;)

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tmo    2534

... e agora pelo direito do contraditório, vou voltar à carga num ponto de vista que ainda não referi.

As minhas guitarras são na sua maioria de 25.5" (6 e 7 cordas), tenho de 27" (de 8 cordas) e uma Ibanez mikro de 22"(?).

Partindo do princípio que um bom guitarrista toca em qualquer guitarra como se tem dito por aqui e ali, a coisa não é assim tão simples quando toca à relação entre comprimentos das escalas. É que tal como nas primeiras posições se torna mais complicado a execução de acordes com 4 ou até 5 trastes de amplitude na medida em que o comprimento da escala aumenta, o mesmo também se verifica quando a escala diminui, em que o espaçamento entre os trastes torna algumas construções de acordes/arpejos/corridas e fraseados particularmente difíceis pela falta de espaço para os dedos.

O comprimento da escala de uma guitarra é TUDO para a inspiração ou execução de uma música. Em tempos tentei tocar uma composição pessoal, original em guitarra em que não usava a corda Mi agudo (a 1ª portanto), num baixo de 6 cordas (afinado de Si0 a Si2). Resumindo, as posições dos dedos da mão no braço eram exactamente iguais, mas as diferenças de escala eram de 25.5" para 34" (ou seria 32"?). A dificuldade era absurdamente grande, no entanto ao regressar à guitarra, parecia manteiga.

A escolha relativamente a que comprimento de escala se adequa melhor ao estilo de cada um cabe a cada um decidir, há vantagens e inconvenientes em todos os modelos e dimensões. As decisões resultam necessariamente da experiência de cada um e é importante experimentar, e várias vezes por ano. Isto porque pode acontecer num dia estarmos com os dedos mais marrecos que noutros, o ouvido mais entupido, ou a dor de cabeça de ouvir o patrão mais presente. No limite, ter uma guitarra de cada tipo é o ideal, mas não há orçamento que nos valha para tamanha avaria. Resta-nos portanto recorrer às lojas para experimentar, e na actualidade do COVID-19 é encomendar, experimentar e devolver caso não se aprecie a peça em questão. No máximo perdem-se uns cobres nos envios, mas ganhou-se a experiência.

 

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Antonio    975

Essa experiência do baixo acredito que tenha feito diferença. Mas não era só a escala. É um instrumento diferente. 

Além de eu ter várias guitarras, a minha escola de música tem serviço de luthier. Trabalho com um muito bom! Isto quer dizer que recebo todas as semanas várias guitarras de clientes para levar ao luthier. Quando lá vou, ele tem sempre inúmeras guitarras de clientes também. 

Ora, claro que eu aproveito para experimentar tudo. Afinal tenho de verificar se o trabalho foi bem feito antes de entregar a guitarra ao cliente... 

Sim, toco regularmente em gibsons, fender usa, ibanez prestige, prs, etc... 

Não sei se é exactamente por isso... Mas a mim a cena da escala é um bocado "tinto". Talvez leve um minuto a adaptar os dedos, se for assim uma guitarra seguida à outra. Mas depois esqueço isso e passo a curtir outros aspectos da guitarra. 

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