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F.Coelho    375

Deixo aqui dois vídeos sobre a famosa Les Paul de Peter Green que depois foi vendida a Gary Moore. Num outro tópico já tinha falado do "fenómeno" "out of phase" e como se pode obter de duas maneiras distintas. Deixo à vossa consideração os vídeos e depois podemos falar ("opinar") um pouco sobre o assunto "out of phase".

https://www.youtube.com/watch?v=Q2OGCDudsAo

https://www.youtube.com/watch?v=UHOdXWLrxPk

 

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F.Coelho    375

Em tempos vi fotos de diagramas do campo magnético em torno das coils de guitarras para vários tipos (humbuckers, single coil, P90...)
Mas já não as encontro.
Fiz uns desenhos toscos que pretendem ver duas situações do campo magnético de dois humbuckers.
Podemos pensar que apesar de estarem "um pouco longe" um do outro que não existe interferência magnética. Mas existe. E será tão mais forte quanto os campos magnéticos dos magnetos.
Imagino, e só posso dizer imagino pois carece de experimentação, que por exemplo magnetos de neodimio terão mais interferência do que, por exemplo, alnico.
Para esta discussão, assume-se que em ambos os casos os humbuckers têm os enrolamentos no sentido que o sinal sai em fase.

1.º Caso                     Caso 1.png

No primeiro caso, podemos esperar um maior output na posição média (até mesmo só com a utilização isolada de um deles) pois existe um "reforço" do campo magnético entre os dois humbuckers.
Mas também será de esperar que os graves se acentuem mais e talvez se perda em qualidade de tom.

 

2.º Caso                                    5fe8c515d1224_Caso2.png.4a579a7365e780ca921e207a005af393.png


No segundo caso é de esperar uma maior independência de cada humbucker, já que a oposição do campo magnetico entre os dois humbuckers reduz a interferência mútua.
Esta oposição de campo está na origem da construção dos P90, que acabam por ter um campo magnético muito "acutilante" e daí aquele som característico.


Quando se quer fazer out of phase, invertendo um dos magnetos de um dos humbuckers, temos de ter em atenção que campo magnético total estamos a criar, pois mexe com o tom.
Talvez se possa inverter o magneto e simultaneamente rodar o humbucker. Neste caso mantém-se o campo magnético original da guitarra, mas na posição média o sinal está "out of phase".

Claro que existe outro caminho em que só se utiliza comutadores e cabos.

Talvez com estas ideias em mente se possa perceber um pouco melhor os vídeos anteriores.

Mas todos os comentários/criticas são bem vindo/as.

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tmo    2815

@F.Coelho

AVISO À NAVEGAÇÃO - POSTA COMPRIDA... MUITO COMPRIDA

Tenho feito algumas incursões no mundo das fases invertidas (aka: fora de fase, out of phase, reverse phase) de há alguns anos para cá e acho que posso opinar um bocado, pelo ponto de vista do curioso autodidacta e do músico.

Penso que para se perceber um pouco mais sobre este assunto é necessário rever uns conceitos base relativos a pickups genericamente e a humbuckers em particular.

Parte 1: compreender o single coils e o humbucker

Consideremos que um pickup é um single coil (uma bobine de fio), magnetizado e que gera corrente eléctrica sempre que o seu campo electromagnético é estimulado, coisa que acontece com a vibração das cordas ferrosas de uma guitarra eléctrica. Este gerar de corrente eléctrica tem a frequência da nota/som a ser tocada/o e que depois é transformado de novo em onda sonora após a passagem pelo amplificador e saída pelos altifalantes.

Concentremo-nos nos pickups por agora. Ora o magnetismo tem dois pólos como sabemos, o Norte e o sul e uma qualquer bobine terá um sentido de enrolamento, com um início e um fim do fio enrolado. Para a obtenção do efeito de cancelamento do ciclo do Hum dos 60 Hz, descobriu-se que unindo duas bobines com polaridades opostas e enrolamentos opostos se chegava a esse resultado, isto pelas mãos do nosso amigo Seth Lover. Ou seja, por outras palavras, os dois single coil de um humbucker têm de ser "Reverse Wound, Reverse Polarity".

  • No caso da polaridade, a grande maioria dos humbuckers tem como modo de construção o recurso a um íman em barra de forma paralelipípeda, na base dos dois single coil sendo que está dividido ao meio longitudinalmente, na sua polaridade, ou seja tem a face de maior área colada na base entre os dois coils, as faces de menor área alinhadas longitudinalmente com os single coils e as faces longas mas estreitas a tocarem nos pólos dos single coils, para poderem transmitir o respectivo magnetismo, não apenas pelo enrolamento dos fios, mas também para além da superfície do pickup para chegarem às cordas. Desta forma, metade do ínam é norte e a outra metade é sul, sendo que esta dicotomia se manifesta igualmente nos coils do humbucker.
  • No que respeita ao enrolamento, as fábricas/marcas, enrolam os pickups sempre da mesma maneira, no mesmo sentido, pois isto reduz substancialmente os custos de fabrico. Seguidamente, na montagem dos humbuckers, há duas opções para a obtenção do "reverse wound": uma é rodar 1 single coil segundo o seu eixo longitudinal e virá-lo ao contrário, a outra, mais prática e funcional, é ligá-lo com os fios trocados. Ou seja, tendo as duas bobines iguais, une-se a saída de uma com a saída da outra das bobines e obtém-se assim o som tradicional (coils em série) de um humbucker, gordo, algo comprimido, pujante.

Ou seja, a combinação das 4 pontas de dois coils permite a obtenção de vários sons distintos, entre eles os de fase invertida. Consideremos agora os dois coils pelas suas polaridades N (para norte) e S (para Sul), assim como as pontas 1 (para entrada do enrolamento) e 2 (para saída do enrolamento). Temos assim as pontas N1 e N2 para o coil Norte e S1 e S2 para o coil Sul. Para que os coils estejam em fase, é importante que o sentido da corrente seja de forma a que um deles seja invertido relativamente ao outro. Exemplo:

  1.  Estas combinações estão em fase uma com a outra*
    1. Combinação A - entrada de sinal por N1, N2 liga a S2, saída de sinal por S1
    2. Combinação B - entrada de sinal por S2, S1 liga a N1 e saída de sinal por N2
  2.  Estas combinações estão em fase uma com a outra*
    1. Combinação C - entrada de sinal por N2, N1 liga a S1, saída de sinal por S2
    2. Combinação D - entrada de sinal por S1, S2 liga a N2 e saída de sinal por N1

As combinações A e B estão em fase invertida relativamente às combinações C e D. Por si só, ou seja, se um humbucker estiver isolado, não há qualquer diferença em termos de timbre ou resposta relativamente a estas 4 combinações, todas elas soarão exactamente ao mesmo. No entanto, misturar uma combinação A com uma C ou D dará um timbre de fases invertidas.

Isto é funcional e válido igualmente para trabalhar single coils de individualmente, seja numa stratocaster ou numa telecaster. 2 single coils polaridades opostas têm a possibilidade de gerar 6 timbres diferentes.

  1. O coil Norte isolado
  2. O coil Sul isolado
  3. Os dois juntos em série e em fase
  4. Os dois juntos em paralelo e em fase
  5. Os dois juntos em série e em fase invertida
  6. Os dois juntos em paralelo e em fase invertida

De mesma forma se podem obter estas 6 possibilidades com dois humbuckers, considerando-os como um único single coil...

De experiência pessoal, não gosto particularmente de ter os coils de um humbucker em fase invertida, mas devo ainda dizer que não foi algo que tenha explorado muito, até porque há limitações físicas e projectivas que no momento das avarias não permitem ir ao infinito, no entanto, como muitos de vós poderão recordar-se, tenho uma guitarra que serve de laboratório sonoro para estas aventuras e que já aqui apresentei no tópico.

Relativamente à guitarra acima referida na posta inicial, e sem lhe conhecer as entranhas, arrisco afirmar que a combinação dos dois humbuckers será em paralelo de fase invertida, sendo que cada humbucker se encontrará com os respectivos coils em série e em fase.

Parte 2: orientação dos humbuckers

No que diz respeito à orientação da polaridade dos pickups, e para o caso mais pertinente, dos humbuckers em guitarras de dois humbuckers, ou seja, se os coils estão todos com polaridades alternadas ou se os coils NORTE (ou coils sul) estão virados para dentro/um para o outro, as diferenças de timbre serão como ter um pouco mais (ou menos) de sal ou pimenta, ou seja, não vai mudar drasticamente a resposta do pickup por si, esteja ou não sob a influência do campo electromagnético do outro pickup. Ressalva-se que o facto de um humbucker ter os coils com fabrico distinto, por exemplo um com pólos de parafusos e outro com pólos tipo varão, assim como enrolamentos diferentes, tanto em número de voltas como na tipologia do fio usado, vai ter um timbre subtilmente diferente consoante a orientação dos coils relativamente ao braço da guitarra (como referência apenas, pode ser a ponte). Ou seja, estando os pickups ligados em fase um com o outro, a diferença de timbre e resposta será ínfima caso se opte por ter os coils com polaridades alternadas versus com a mesma polaridade virada para dentro quando se opta por uma combinação simples de Neck, Neck +Bridge (paralelo), Bridge na selecção dos pickups.

No entanto, quando, por outro lado, se pretendam aventuras como combinar os coils de dentro ou os de fora de forma a estarem com cancelamento do Hum (em humbucker), é então imperativo que a distribuição das polaridades seja alternada, como é o caso da guitarra apresentada no tópico das aventuras sonoras laboratoriais. Aqui, ao combinar em série os coils do meio, consigo obter um timbre gordo e cheio, em fase e hum canceling, simulando assim um humbucker no meio. De mesma forma, ao misturar em paralelo os coils de fora obtenho um timbre próximo ao de uma telecaster quando se misturam os dois pickups.

Parte 3: avarias...

Este fim de semana estive a mexer profundamente numa guitarra de um amigo meu, trata-se de uma Ibanez AF120, ou seja uma jaz box com dois humbuckers. Os pickups instalados eram exactamente iguais, salvo pequenas diferenças de de DCR, ou seja, as flutuações expectáveis no enrolamento das bobines (umas voltinhas a mais, outras a menos), sendo que considerou-se o com menos DCR para o Neck. Os pickups eram uns humbucker Dimarzio com mais de 20 anos e com apenas dois fios+terra, sendo que os coils NORTE tinha os pólos tipo varão e os coils SUL tipo parafuso. Pretendia-se que no projecto final, se pudesse aceder individualmente a cada coil e replicar o circuito desenvolvido já há alguns anos atrás na guitarra que apresentei no tópico Guitar Lab já aqui referido. Por outras palavras o pickup do neck irai sofrer uma rotação de 180º, ficando com os parafusos para o braço da guitarra. Tive de substituir os fios originais dos dois pickups por uns que permitissem o acesso individual a cada coils garantindo a lógica funcional (código das cores) dos pickups Dimarzio, assim como inverter a polaridade do pickup do NECK rodando o íman. Ora uma vez que os pickups eram iguais, apesar de ter os coils todos com polaridades alternadas, tanto os coils internos como os externos iriam manter o mesmo enrolamento, o que significaria que as misturas previstas como estando em fase, sairiam em fase invertida, pelo que a instalação do pickup do neck teve de ser feita em fase invertida. No sábado fez-se este trabalho, usando o selector original da guitarra de 3 posições (neck, ambos em paralelo, bridge). Instalaram-se nesse momento os rings Tripleshot da Seymour Duncan (cof, cof @pgranadas) e pôde-se comprovar o correcto funcionamento de tudo, tanto do acesso a cada coil como da mistura em fase dos dois pickups. Ontem, a aventura focou-se na instalação do Freeway Switch que permite as 6 combinações possíveis entre dois pickups. Ou seja, num fim de semana a guitarra passou de 3 para 24 combinações no Sábado e de 24 para 72 no Domingo. O moço ficou super contente. mas isto não é novidade para ele, pois é a segunda guitarra com este circuito e já conta pelo menos 3 guitarras com os rings Tripleshot, que fui eu a apresentar-lhe :D. A nível de curiosidade, agora já em Janeiro deverá receber uma guitarra feita pelo Daniel Rodrigues da DARO (https://www.facebook.com/daroguitars/ - https://www.daroguitars.com/) com 3 humbuckers, acesso individual a cada coil destes 3 humbuckers e dois switches Freeway 3x3-05 para misturar os 3 pickups... a quantidade de combinações possíveis ascende às 1200+... e fui eu a idealizar o circuito :D. Farei um pseudo New Guitar Day aqui quando a guitarra estiver pronta.

Parte 4: sons, ou a MINHA percepção pessoal destes...

Segue agora a parte de opinar relativamente às diferenças de sons daquelas 6 combinações possíveis para 2 pickups.

Assim, num Humbucker:

  1. A diferença do coil split (isolar um coil apenas) do Norte e do Sul é geralmente ínfima e surge como que uma variação no paladar e não tanto numa mudança entre batatas e arroz. Quanto muito será tipo massa fusili versus penne.
  2. A diferença entre um coil split (independentemente de ser o norte ou o sul) e ter os coils em paralelo, é que esta última opção tem um som um pouco mais comprimido e é hum canceling (estando em fase), um pouco como o meio termo entre o single coil e o humbucker em série, com uma sonoridade mais próxima do single coil. Terá como output a média do output de cada single coil enquanto que estando em série ou output será a soma dos dois single coils. Há quem associe facilmente o som de um humbucker em paralelo com o de single coils. É bastante próximo, mas ainda assim diferente.
  3. O som de um humbucker em série (e em fase) será necessariamente mais gordo e pujante de todos, mas também mais comprimido, o que significa menos dinâmica no ataque e mais sustentação geral das notas.
  4. As fases invertidas têm uma característica nasalada no som, resultante do cancelamento das frequências captadas pelos coils envolvidos. SE os dois coils estivessem a captar o som da corda NA MESMA POSIÇÃO e fossem exactamente iguais, as frequências seriam totalmente anuladas, mas como nunca são exactamente iguais na sua construção e porque não captam a vibração das cordas exactamente no mesmo ponto de vibração destas, o som que ouvimos é o das frequências que sobram após a anulação das que se opõem. resulta portanto num ênfase de médios e quase anulação de graves. relativamente à diferença entre série e paralelo em fase invertida, é o que se espera da mesma situação mas na mesma fase: em série o som é mais gordo e penetrante do que em paralelo. O som em fase invertida em série é uma das "marcas" do Brian May enquanto que o som em fase invertida e em paralelo se aproximará ao de um rádio a transistors assim meio que avariado ou com falta de pilhas.

Combinando humbuckers:

  1. Humbuckers em paralelo é a opção mais comum, presente em 99% das guitarras de fábrica, desde Gibsom à Fender, Ibanez, EBMM, ESP, etc.
  2. Humbuckers em série têm muito output mesmo, em particular se estiverem em série internamente. Som super gordo e com tendência para enrolar e ser puco definido.
  3. Inner coils** em série e em fase - sugerem um humbucker no meio. Em comparação com Outer Coils em série, apresentam uma curva de EQ com médios mais proeminentes relativamente aos graves e agudos.
  4. Inner coils em paralelo e em fase - sugerem um single coil no meio.
  5. Outer coils em paralelo e em fase - sugerem uma telecaster, juntar um spring reverb e um trémolo (o efeito,a tenção) suave e entramos rapidamente num ambiente surf rock ou country rock.
  6. Outer coils em série e em fase - sugerem um som pujante, derivado de uma telecastar com esteróides. Em comparação com Inner Coils em série, apresentam uma curva de EQ com os graves e agudos proeminentes relativamente aos médios.
  7. As fases invertidas, quer em série quer em paralelo são engraçadas.
    1. Outer coils (ou inner coils) em fase invertida, quer em série quer em paralelo, permitem entradas em ambientes mais exóticos com auxílio de efeitos de modelação e atmosféricos, assim como de escalas menos convencionais.
    2. Combinação de 3 coils, seja em série ou paralelo, mas em situação de fase invertida relativamente aos humbuckers: é aqui que brilham, pois as variantes tímbricas são riquíssimas em particular com um "mild drive" no som, promovendo reacções bastante distintas para um mesmo setting no amp/pedais.

Parte 5: Algumas considerações finais...

Lembra-se que:

  1. para haver hum canceling ou o efeito humbucker (é exactamente a mesma coisa), é necessário um número par de coils, sem fase e que respeitem o mesmo número de polaridades Norte/Sul. 3 single coils em fase e com polaridades alternadas tipo Norte/Sul/Norte ou Sul/Norte/Sul não são hum canceling, mesmo que dois deles sejam entre si.
  2. Toda e qualquer combinação em fase invertida anula o efeito hum canceling caso existisse se a fase estivesse "correcta", seja com 2 single coils ou com dois humbuckers (apesar de não garantir esta última).
  3. Estes conceitos são válidos APENAS para pickups PASSIVOS. Os pickups activos (EMGs, Fishman Fluence) são uma história completamente diferente, assim como os Lace Alumitones (que também são passivos).

As brincadeiras/experiências com mais do que 2 coils, sem fase ou em fase invertida, em série ou em paralelo, ou combinações destas permite aceder a timbres e texturas que de outra forma estarão inacessíveis nas guitarras tiradas das paredes das lojas (físicas ou online) e que em muito respondem a perguntas como "como é que ele [inserir nome de artista conhecido] consegue AQUELE som??". Há variantes que são virtualmente indistintas em gravação e que funcionam como "dentro da área", outras que são drasticamente diferentes e que mudam por completo o som de uma guitarra. Muitas delas raramente se usam e funcionam melhor em ambientes de jam e/ou improviso pela espontaneidade com que podem surgir e sugerir ambientes distintos. É fácil e expectável recorrer sempre aos mesmos sons/combinações dentro do grande leque de opções. Por exemplo, flutuo basicamente entre 5 sons diferentes: Humbucker série Neck e Bridge, Single Neck (geralmente o do braço), Single Bridge (geralmente o interior) e Inner Coils em Série. Dependendo da guitarra, ainda uso os dois humbuckers misturados em paralelo mas com os respectivos coils em série. Serão no máximo umas 6 a 10 combinações (considerando ainda aadição dos piezos ao barulho) para guitarras que têm cerca de 70+ combinações (145 a Guitar Lab). É over kill? sim, sem dúvida, mas por vezes é a única possibilidade de se descobrir o que é que funciona para nós, fora do panorama comercial que não nos é apresentado numa qualquer guitarra de fábrica, assim como uma possibilidade de descobrir novos sons sempre que pegamos numa guitarra.

Numa conversa há uns tempos no FB com um amigo do outro canto do planeta quando ele disse que lhe bastavam os sons do pickup Neck e o do Bridge comentei é por isso que tu tens uma catrefada de guitarras, todas soam diferentes, eu tenho todas as guitarras numa, poupo mais espaço :D.

:::::::::::::::::::::::::::::::::::

* - para pickups da mesma marca, pelo menos, salvo indicado em contrário.

** - Inner coils é uma expressão que se refere aos coils de dentro de dois humbuckers, serão necessariamente o coil virado para o neck, do humbucker da Bridge e o coil virado para a bridge do humbucker do neck. Outer coils serão, obviamente os outros.

Algumas referências interessantes...

... para quem ousa ou quer ousar mergulhar nestes oceanos:

Seymour Duncan Tripleshot rings: https://www.seymourduncan.com/single-product/triple-shot

Freeway Switch uso e recomendo fortemente: https://www.freewayswitch.com/products/

  1. Tenho uma guitarra instalada com um 3x3-05, já instalei este em pelo menos duas guitarras deste meu amigo
  2. Tenho 3 guitarras com o 5B5-01 instalado e um 3B3-01 por instalar num pickguard ou uma guitarra, a ver vamos o que sai primeiro :D

EMG - pickups activos de referência: http://www.emgpickups.com/

Fishman Fluence pickups activos de bobines impressas em PCBs: https://www.fishman.com/product-series-fluence/

Lace Alumitones (nem todos da página): https://lacemusic.com/collections/12

FIM,  já chega... vão dormir!

 

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F.Coelho    375

Excelente TMO. Tanta trabalheira. Há muita coisa à qual não acedo porque nunca tive a tentação de ligações da 4.ª dimensão.

Deixo-te aqui algumas dicas inofensivas e não te preocupes, como o texto está, está muito bem.

Continuação de sucessos.

"e que gera corrente eléctrica sempre que o seu campo electromagnético é estimulado"


De facto o que se passa é que as próprias cordas na área do campo magnético se transformam em magnetos (Norte e Sul). Não se pode falar em campo electromagnético mas sim, só magnético. Nos alternadores, é a rotação dos magnetos (designados pólos) do rotor pelos magnetos do estator que gera corrente eléctrica. Sim, em último caso podemos dizer que tocar desmagnetiza os pickup's, pois se no caso dos alternadores os magnetos são gerados pela própria corrente eléctrica gerada (uma pequena quantidade de derivação), nas cordas das guitarras o magnetismo é cedido pelo pickup. E quando se cede perde-se. (Só um pequena observação, os alternadores para produzirem corrente têm que ficar com aquilo a que se chama de magnetismo remanescente. Embora a força dos campos dos pólos seja fraca, no arranque, o alternador começa a produzir uma pequena corrente que por sua vez aumenta a força dos campos e aumenta a corrente e assim sucessivamente até atingir os parâmetros estabelecidos. O alternador é accionado, normalmente, por um motor a diesel ou outro combustível. Na guitarra, o "alternador" é accionado pela palheta, ou dedos, braço... ou seja "pelo feijão".


" para poderem transmitir o respectivo magnetismo, não apenas pelo enrolamento dos fios, mas também para além da superfície do pickup para chegarem às cordas. "


O fio dos enrolamentos não tem propriedades magnéticas, como é o caso do cobre. Se isso acontecesse seria um "campo magnético todo desatinado". O que se pretende no fundo é que o campo magnético irradie como um feixe laser. Mas tal não é possível com os materiais utilizados. Os P90 são os que têm o campo magnético mais parecidos com o que acabei de frisar.


"2 single coils polaridades opostas têm a possibilidade de gerar 6 timbres diferentes."


Percebo e está correcto. No entanto posso-te dizer que tenho um conjunto de 3 singles coil da Fender e todas elas têm a mesma polaridade. E isto porque, já em tempos fiz a experiência com humbuckers que se tiverem  colocados na guitarra de igual forma quanto à disposição dos campos magnéticos existe um reforço do campo magnético (entre os pólos mais próximos de cada um deles) e o output é maior e de menor qualidade. Numa guitarra comum se passares um iman desde o início do humbucker do neck até ao final do humbucker da bridge vais ver que vais sentir: atrai-repele-repele-atrai ou vice versa conforme o pólo do iman que estás a utilizar. Se se sentir atrai-repele-atrai-repele, significa que o pólo interior do humbucker do neck fecha com o pólo interior do humbucker da bridge. No magnetos cerâmicos este efeito é suficiente para se sentir um output superior.
A Fender com este pickups pretende que exista um "isolamento magnético" entre eles. Nenhuma das single coil fecha o seu campo magnético com qualquer outra.


"não vai mudar drasticamente a resposta do pickup por si, esteja ou não sob a influência do campo electromagnético do outro pickup. "
Diria somente campo magnético.

"Ou seja, estando os pickups ligados em fase um com o outro, a diferença de timbre e resposta será ínfima caso se opte por ter os coils com polaridades alternadas versus com a mesma polaridade virada para dentro quando se opta por uma combinação simples de Neck, Neck +Bridge (paralelo), Bridge na selecção dos pickups. "


Será tão mais ínfima quanto o tipo de magnetos utilizados possuirem um campo magnético mais pequeno. Nas cartas dos materiais com propriedades magnéticas vemos que o AlNiCo tem pouca intensidade de campo (aliás, para estes o output pode ser compensado de duas formas aumentar o número de voltas no enrolamento ou aumentar o volume no amplificador). Já no caso dos cerâmicos senti diferença. E no caso do neodimio provavelmente a diferença será considerável.

"A diferença do coil split (isolar um coil apenas) do Norte e do Sul é geralmente ínfima e surge como que uma variação no paladar e não tanto numa mudança entre batatas e arroz. Quanto muito será tipo massa fusili versus penne. "


Também comungo da tua opinião. Mas acho que, pelo menos no meu caso, se está a fazer mal o split coil. Todos os esquemas na net, por simplicidade, quando se quer o slipt, ligam "o meio do humbucker" à terra (ou à massa, mais propriamente). Assim temos uma coil que está ligada nas duas pontas à massa e a outra coil que dá o sinal. O ideal seria mesmo retirar a coil que "não trabalha" do circuito, ou seja mantinha-se a ligação à massa no meio do humbucker e ao mesmo tempo desaparecia a ligação à massa da outra ponta (ficava no ar). E digo isto porque, tempos muito idos, já constatei fenómenos noutros equipamentos que duas massas no mesmo componente por vezes intriduz "ruído". E não esquecer que a bobine que "não trabalha" não tem o campo magnético desligado e gera correntes e estas por sua vez geram campos electromagnéticos que actuam (ou não) na bobine que está ao lado a esforçar-se.
Mas obrigaria a mais comutações e blá, blá, blá. Mas se puderes fazer a experiência e comunicar os resultados seria excelente, pois nunca compreendi porque o slit coil não tem um efeito bem melhor.

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F.Coelho    375

A volta que este tópico já deu :).

Mas mais conhecimento vale sempre a pena.

A minha intenção inicial era que alguém notasse a diferença (como nos desenhos dos jornais). No primeiro vídeo, vão constatar no minuto 4:29 que o humbucker do neck tem os parafusos numa posição e no minuto 5:12 os parafusos estão na posição oposta. Mas também fazer a devida homenagem a dois excelentes guitarristas, principalmente a Gary Moore que muito admiro e cuja partida foi cedo demais...

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