Caixas em madeira para altifalantes: reciclagem e construção

    Por tca    1.118 Visualizações     9 comentários    


Neste tutorial mostramos-te como construir uma caixa para acomodar um altifalante. Se tens um combo antigo que não uses e meia dúzia de materiais muito acessíveis em qualquer loja de ferragens, então não podes perder este tutorial!

tca
Por tca

Maker, Hacker, PhD


Introdução

 

Neste tutorial vamos discutir uma das formas mais simples de construir caixas de madeira para altifalantes (pavilhões acústicos). A técnica de montagem não é nova mas merece a discussão de alguns detalhes para que se possa perceber como funciona e se possa repetir. A técnica de construção é simples e não requer qualquer tipo de máquinas sofisticadas.

Vamos usar dois exemplos diferentes: o primeiro é a reciclagem de um amplificador que usei no fim dos anos 80 um Torque, no segundo vamos usar um woofer de 5'' com um cone de Kevlar que funciona muito bem para guitarra.

Este é o projecto ideal para reaproveitar aquele altifalante que não tem casa ou aquele amp velhinho que tens e já não usas. Fica connosco nas próximas páginas!

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O que diz a comunidade sobre isto?


Bom tutorial @tca

Pena não abordares aqui a questão do dimensionamento (ie dimensões, fundo, geometria interna, selado/com porta...) do caixote e as influências que essas dimensões têm no som, assim como a questão de ser "open back" ou "closed back" e ter ou não abertura de bass reflex (ported).

Eras rapaz para tal :)...fica aqui o desafio para uma leitura mais geek!

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há 1 hora, LouVelvet disse:

Bom tutorial @tca

Pena não abordares aqui a questão do dimensionamento (ie dimensões, fundo, geometria interna, selado/com porta...) do caixote e as influências que essas dimensões têm no som, assim como a questão de ser "open back" ou "closed back" e ter ou não abertura de bass reflex (ported).

Eras rapaz para tal :)...fica aqui o desafio para uma leitura mais geek!

Obg @LouVelvet

Essa cena mais geek está prevista para um tutorial futuro, mas não é fácil escrever sobre isso para um público generalista e sem entrar "muito" em fórmulas e detalhes "escabrosos". Parte dessa informação está disponível na net, basta procurar ;) Como alguém dizia aqui no fórum, criticando-me -  "não podes confiar naquilo que as pessoas escrevem num fórum, podem sempre copiar da "net" para parecerem inteligentes" :D 

Nota que há muito informação errada escrita por aí, mesmo em sites escritos por quem sabe da poda, e.g. http://sound.whsites.net/tsp.htm

Gostava de fazer uma coisa mais experimental e medir os parâmetros do speaker e depois enquadrar a construção do pavilhão nessas medições.

Não está esquecido, para breve.

Ab.

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Mais um tutorial de grande qualidade como o @tca sabe fazer! Obrigado!

Curti o pormenor para ter os parafusos "recessos", nunca me tinha lembrado disso. Ficou com muito bom aspecto. Por acaso tenho aqui em casa madeira de pinho maçiço (a ideia era fazer umas cabs) e acabaram por ficar aqui paradas já há uns anos...

há 1 hora, LouVelvet disse:

Pena não abordares aqui a questão do dimensionamento (ie dimensões, fundo, geometria interna, selado/com porta...) do caixote e as influências que essas dimensões têm no som, assim como a questão de ser "open back" ou "closed back" e ter ou não abertura de bass reflex (ported).

Isso ia dar outro tutorial (e de certeza de leitura mais "pesada") já que aí já entra física e matemática :) mas seria muito interessante sem dúvida!
Há um conjunto de sites que ajudam a fazer essas contas (como por exemplo):

http://www.mh-audio.nl/ClosedBoxCalculator.asp
http://www.mh-audio.nl/CalculateEnclosures.asp

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há 3 horas, LouVelvet disse:

Bom tutorial @tca

Pena não abordares aqui a questão do dimensionamento (ie dimensões, fundo, geometria interna, selado/com porta...) do caixote e as influências que essas dimensões têm no som, assim como a questão de ser "open back" ou "closed back" e ter ou não abertura de bass reflex (ported).

Eras rapaz para tal :)...fica aqui o desafio para uma leitura mais geek!

O Coursera tem este curso de engenharia de áudio em que uma das lições (~1h30 de vídeos) é sobre design de cabs abertas e fechadas. Creio que dá para ver já os vídeos no course preview, mas se não der, o curso tem uma sessão a começar dia 17.

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@BoillerObg , já tinha efectuado a inscrição no Coursera há algum tempo, os vídeos são muito bons (dei uma vista de olhas rápida). A ver, sem dúvida!

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On ‎05‎/‎07‎/‎2017 at 10:30, tca disse:

...

;) Como alguém dizia aqui no fórum, criticando-me -  "não podes confiar naquilo que as pessoas escrevem num fórum, podem sempre copiar da "net" para parecerem inteligentes" :D 

...

Era mais "não questiones os desconhecidos pela net pois por um lado, não sabes com quem estás a falar e por outro, o desconhecido que interrogas pode sempre ir procurar as respostas à net, fazendo com que te enganes na sua avaliação".
Numa linguagem mais simples, para que qualquer leigo entenda: não te armes em esperto e questiona-te mais a ti próprio, do que sabes, do que não sabes e do que queres saber.
É a forma certa de evoluir.
E eu sei, que estou aqui sempre a aprender; com os que sabem e com os que julgam que sabem.

Ab.

p.s.: bom tópico, este de construção da coluna!

p.s.2: e se a minha experiência pessoal servir como garantia de que colunas/monitores "homemade" podem ter alguma validade, posso deixar aqui como nota adicional que os meus Mains no estúdio são feitos por mim e estão em uso diário há mais de 25 anos. Portanto sim, pode ser uma boa ideia.

p.s.3: os meus não têm parafusos ;-) 

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On 7/12/2017 at 20:19, resolectric disse:

... os meus não têm parafusos ;-) 

A ideia deste tutorial é mostrar que se consegue com um mínimo de material e habilidade montar uns pavilhões acústicos. E passar um bom bocado na montagem. Acredita que mesmo com parafusos ficam indestrutíveis :D !

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há 11 horas, tca disse:

A ideia deste tutorial é mostrar que se consegue com um mínimo de material e habilidade montar uns pavilhões acústicos. E passar um bom bocado na montagem. Acredita que mesmo com parafusos ficam indestrutíveis :D !

Acredito sim senhor! Em momento nenhum critiquei o teu tutorial pois acho que está impecável.

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    • jcatarino
      Preciso da vossa ajuda.
      Mandei vir uma pedaleira Line6 Pod HD500X e agora não sei que amplificador/coluna devo comprar para ligar a pedaleira. Será que, por ser esta pedaleira, com os sons de vários amplificadores incorporados, bastará comprar uma coluna, e qual? Se for melhor um amplificador, qual a melhor solução?
      Obrigado.
    • nunocasais
      Boas...

      Há tempos foi lançado um tópico sobre as PRS e os porquês de quem as tem.
      Em homenagem a quem pediu um tópico sobre o assunto, cá está ele.

      Apresento-vos a minha PRS Singlecut 245 Artist Package





      PS: qualquer gajo fica bem atrás de uma coisa destas, não acham?

      Abraço
    • sergio.cunha
      Ontem fui buscar isto, vamos ver o que consigo fazer daqui.
      Alguém consegue identificar esta guitarra? Não reconheço o headstock, será de fabrico artesanal?

    • cecilio dias
      Boa tarde,
      Já tenho uma guitarra acústica folk com mais de 30 anos.
      Pretendia agora comprar uma acústica electrificada. E estou a pensar com cordas de nylon.
      Pretendia gastar talvez entre 400 e 500 euros.
      Andei a ver Alhambra, e Paco Castillo. Ainda não experimentei as Yamaha NTX700 e NCX700...(embora estas um pouco mais caras, mas queria ouvi-las)
      Só que por aqui não abundam. Testei uma Paco Castillo 222 e uma Alhambra 5P CW E2. Mas esta fica um pouco acima dos valores...
      E então pensei na Alhambra 3C CW E1. Mas não é fácil ... Vi só um tópico neste forum já com alguns anos...
      Também já li sobre as Takamine..
      Alguém tem opinião?
      Obrigado
       
    • citizen_erased
      Excelente tópico, master tmö! Era boa ideia porem isto como topico fixo. master tmö para presidente!!! :)
    • tmo
       
      Uma conto repescagem de 2007 (a pedido de algumas gentes) por tmo...
      Ora bem, qual é a grande vantagem de utilizar um pré digital ao invés de usar um analógico? Pondo de parte o rombo no orçamento que os diferentes prés fazem, a grande vantagem destes sobre os outros é a versatilidade de timbres que podem gerar. E para quê? Perguntais vós... simplesmente para poder chegar a mais pessoas e permitir o estudo do “Holly Grail of Tone” sem se ficar a pedir nas ruas. O que se irá abordar de seguida torna-se válido para Guitarristas, Baixistas ou outros instrumentistas que usem Setups idênticos aos que aqui se indicarão.
      Nota informativa ao leitor: o texto que se apresenta de seguida contém linguagem eventualmente chocante e disruptiva. Convenhamos que o texto original tem pouco mais de 10 anos... contudo, os princípios aqui referidos mantém-se sólidos uma vez que são transversais a praticamente qualquer setup.
       
      Ponto 1: HARDWARE
      Convém ponderar algumas características destes setups. Identificam-se inicialmente 3 tipos de setups exclusivamente digitais (dos quais depois se podem gerar outros híbridos e por aí fora ao gosto do cliente), são eles: Pedaleiras, Racks, Software para PC/Mac/Tablets. Enquanto os 2 primeiros funcionam como Stand-Alone, o que significa precisarem apenas de Guitarra + Amplificação (ou headphones), os últimos obrigam à existência de interfaces audio/digital adicionais para se poder utilizar o processador do PC ou da tablet. Independentemente do pacote escolhido, eles funcionam todos da mesma forma, processam o sinal digitalmente, sendo que para isso é necessário:
      Conversores analógico/digital para a conversão do sinal da guitarra em Zeros e Uns e a reconversão em frequências audíveis do sinal processado Processador (e software... um computador com tudo o que implica), para... pois, isso mesmo Um interface visual para o utilizador mexer nos n+1 parâmetros A grande diferença entre os processadores em formato pedaleira ou rack para os de formato software é apenas o hardware usado ser dedicado ou genérico, com todas os benefícios que isso traz para a mesa, tanto de um lado como do outro.
      A minha experiência recai sobre poucos aparelhos, cuja utilização levei à exaustão e cuja aprendizagem transportei de uns para os outros e algum software que volta e meia uso quando a situação assim o exige. Há 10 anos usava um Roland GP100 como máquina principal e um Boss VF1 como auxiliar, no entanto, como o foco deste tutorial é o princípio de utilização, a forma de programar os sons mantém-se válida para este espectro de processadores de sinal e ainda para os mais tradicionais.
      Pelas minhas mãos já passaram então dois tipos de processadores: os que permitem mensagens de Control Change dentro de um Patch/Programa e os que não o permitem.
      Sobre os 1os já lá vamos, sobre os 2os (normalmente pedaleiras de baixo custo) resta-me ainda dizer que é frequente terem dois modos: o play e o edit. Por norma, criam-se vários patches para um tema musical com este tipo de aparelhos, para se ter a distorção ou o phazer ligado (por exemplo) versus não os ter... isto poderá não ser necessário, se o utilizador passar a tocar no edit mode, que lhe permitirá alterar sons, assim como ligar e desligar efeitos sem a frequente “latência” existente quando se muda de patch. Em edit mode pode-se igualmente mexer nos botões/parâmetros referentes a cada um dos efeitos e obter assim modelação sonora em “real time”. Uma utilização deste género pressupõe um estudo prévio sobre os níveis pretendidos para cada acção, se bem que um pouco de improviso no assunto também poderá desenvolver sonoridades interessantes.
      No que diz respeito à utilização da segunda tipologia, bem, é necessário ter em conta o seguinte: tratam-se de conceitos que pretendem recriar setups tradicionais, através da emulação de amplificadores, pedais e os mais variados efeitos. Ok, até aqui não há novidades. Acontece que muitos permitem ainda a utilização simultânea de Prés de amplificadores dedicados à guitarra ou ao baixo, através da utilização de loops externos. No caso do software para plataformas PC, isto vai depender das especificações técnicas da placa de som em uso e das possibilidades de programação do software em questão. Dos que me passaram pelas mãos (GuitarRig, Amplitube e BIAS FX free), tal não é possível quando usados em Stand Alone, mas se integrados num DAW (Digital Audio Workstation - gravador multipistas digital por software) e dependendo da placa de som, pode ser facilmente contornado. A utilização de loops para ir buscar o timbre da pretendido a um amplificador tradicional pode tornar-se interessante se nestes setups ponderarmos a simulação de pedais e efeitos e não de Prés e amplificadores ou colunas.
       
      Ponto 2: SIGNAL CHAIN
      Após as considerações anteriores, é importante analisar outro aspecto do som de Guitarra/Baixo/whatever: a sequência dos diferentes elementos que constituem a construção do nosso som, desde que iniciamos o processo de estimular a vibração das cordas da guitarra (para o caso) até ao momento em que recebemos o feedback/retorno desta acção.
      Desta forma torna-se importante analisar a corrente do sinal de um setup genérico independentemente do respectivo formato:
      Mioleira/Ouvidos/Dedos Guitarra/Baixo/Pirilau (errrr...) Wahs, compressores, booster e overdrives/distorções Pré Amplificador (o aparelho que caracteriza principalmente o tipo de som) Efeitos de modelação (reverbs, delays, chorus, phasers, etc) Amplificação. Coluna Cabelos/Ouvidos/Mioleira (e o loop fecha-se). Os aparelhos em formato pedaleira ou rack mais recentes permitem deslocar o loop de efeitos externos (quando têm essa possibilidade) na sua chain geral. Isto pode ser utilizado para substituir pedais singulares, ao gosto de cada utilizador ou um amplificador de guitarra (constituindo assim um setup híbrido). Nesta situação híbrida sugiro a seguinte chain, já sobejamente conhecida:
      Guitarra Input do Pré Digital Wahs e afins efeitos, simulação de pedais de overdrive, distorção boosters ou compressores Effects Loop SEND do Pré Digital para o Input do amp Effects Loop SEND do amp para o Effects Loop RETURN do pré digital Mais efeitos Master OUT do pré digital para o Effects Loop RETURN do amp Amp para a coluna Desta forma, o Pré Digital controla o sinal, mas permite o som do do Pré do Amp soar pelas goelas todas, assim como se amplifica TUDO através da secção de Power do amp. Convém ter bem definido a forma como o aparelho (Pré Digital) será amplificado, nos seus settings globais. Neste caso aconselha-se vivamente a não utilização de modelação de pré, amp ou coluna, mas cada caso é um caso e ninguém ouve da mesma forma.
      No caso de não se usar nenhum amplificador de guitarra, as ligações serão mais simples:
      Guitarra Input do Pré digital / placa de som Master Out do Pré Digital / placa de som para mesa ou Input da Power Amplification Colunas de Espectro total ou heaphones de qualidade simpática. Bom, até aqui continua a não haver novidades, apenas o concentrar de informação dispersa.
       
      Ponto 3: SOUND DESIGN
      Passemos então à fase seguinte: a criação do som, dos Patchs / Programas, num processo válido para qualquer um dos setups usados, contudo, com um particular ênfase no setup exclusivamente digital.
      Ora, na minha opinião, a 1ª coisa a fazer quando se procura um TIMBRE fixe em qualquer setup é: DESLIGAR TODOS OS EFEITOS, procurar ter tudo em bypass (no caso de se usar o pré de um amp de guitarra, desliga-se o loop do Pré Digital) desde a guitarra até à amplificação. Quando se conseguir ouvir o som da guitarra crú, sem qualquer modelação ou alteração, estamos prontos para começar o TONE shapping para o céu (ou inferno).
      Procuremos então seguir os próximos passos:
      Regular o Master Out e o input level do Pré Digital / placa de som de forma a considerar um volume sem distorção, isso procurar-se-á com os Prés e respectivas simulações. Ligar então os efeitos de pré e de simulação de colunas (para o caso do setup totalmente digital antes da amplificação) ou o loop de efeitos (para o caso da utilização do pré do amp). na primeira situação, é provável que se demore algum tempo, uma vez que se irá passear pelas diferentes possibilidades de simulação tanto de pré como power ou de coluna. Para facilitar a coisa, convém ter o manual à mão para consulta das diferentes possibilidades de modelação, de forma a que se chegue ao som que se procura sem grandes demoras. Experimentar as variantes entre tipos de Pré e tipos de coluna. Neste caso, ajuda rodar os presets existentes para visualizar aquilo que mais se aproxime ao timbre desejado, no entanto reitera-se a importância de começar do ZERO, sem efeitos e apenas com as simulações de pré, amps e colunas ligados. Na segunda situação, bem, é escolher o som pretendido de um dos canais do amp. Fazer o Timbre do Pré+amp. (dependendo do software de cada marca, a simulação de pré pode vir conjunta ou separada da do amp e ou da coluna inclusive). No caso de se usar o setup digital, a minha experiência diz que se deve procurar muito bem todos os extremos de cada parâmetro. Para se saber bem onde se pretende estar, por vezes é importante passear pelo extremo. Este é um desses casos. Aconselha-se vivamente a experimentar os extremos de cada parâmetros para se chegar ao "meio termo" pretendido. Assim como um amp a válvulas limpa o som quando se baixa o volume na guitarra, a grande maioria destes processadores digitais também o fazem. Desta forma sugiro que se regule o Pré para um Som sujo, com overdrive ou distorção, variando os valores dos diferentes parâmetros a gosto. E porque é que se regulou o Pré para sons sujos? Ora para se fazer uso do “volume da guitarra”. Pessoalmente gosto de transitar de overdrive para som limpo de forma contínua e gradual, sem interrupções, saboreando todos os momentos intermédios de diferentes graus de distorção/overdrive. Para isso uso um pedal de volume ou expressão, com o qual obtenho sons limpos de distorções e overdrives bastante cheios e pesados. Para o caso se poder definir um “pedal de volume” no pré digital, é altura de o colocar na chain do sinal, imediatamente antes do “Pré” ou do “Loop”, para quem usa amps de guitarra. Este “Pedal de Volume” não deverá cortar totalmente o som, apenas deverá reduzí-lo até limpar a distorção/overdrive. É natural que para distorções com muita saturação, tal não se consiga na totalidade, porém, a minha experiência diz que se consegue fazer tal acrobacia com distorções/overdrives pesados e densos. A utilização de um pedal de expressão na função de “Pedal de Volume” é controlada através de MIDI (normalmente) e de mensagens tipo CONTROL CHANGE. É natural que se possa perder um pouco de volume global quando se reduz o volume de entrada no pré, porém, isto pode ser compensado com aumentos simultâneos no volume de um EQ de bandas ou paramétrico, por exemplo, igualmente programável via MIDI. Alternativamente, poder-se-á atribuir a este pedal de expressão a função de variar os valores de drive/ganho, sendo que a textura é diferente. Fica ao gosto de cada um, sugere-se e aconselha-se a experimentação. Após ter-se regulado o Pré, a simulação de coluna (para quem precisar) e o pedal de volume, pode-se atacar a restante panóplia de efeitos. Caso se pretenda usar Compressor, não se deve colocar este entre o pedal de volume e o Pré (na situação de se optar por este caminho), pois assim reduz-se drasticamente o efeito pretendido. Normalmente, consegue-se um melhor resultado com o seguinte encadeamento: Compressor – Pedal de Volume – Pré. Pode-se (e deve-se, haja tempo) experimentar trocar efeitos e ordem destes (caso o processador/software o permita), tendo em atenção a não colocação de efeitos entre o “pedal de Volume”, o “Pré” e a “Simulação de Coluna” (na situação de se optar por este caminho). A minha experiência diz-me que NÃO TRAZ NADA de significativo para a produção do som, podendo eventualmente estragar modelações pretendidas. Geralmente após a cadeia de “Pedal de Volume”+”Pré”+”Simulação de Coluna” costumo utilizar um EQ para corrigir, atenuar ou acentuar pormenores do timbre base.  
      Ponto 4: CHAOS CONTROL
      Quando se está confortavelmente em casa a tocar/programar estes aparelhómetros, releva-se para 2º plano a sua utilização live. Facilmente se esquece a usabilidade na transição de um timbre para outro. Na era dos estúdios caseiros, um fade in e um fade out entre duas pistas fazem milagres, mas ao vivo ou em ensaios a coisa não funciona da mesma forma. É igualmente importante tornar os timbres funcionais em ambientes menos favoráveis ao tweaking instantâneo.
      Enquanto que as pedaleiras multiefeitos se mostram como um 3 em 1 (processador, interface e controlo), os aparelhos em Rack ou até mesmo os setups em formato PC/Mac ou tablet beneficiam grandemente de pedaleiras controladoras, venham nos protocolos MIDI, USB ou outros.
      Ter a possibilidade de modelar em "real time" parâmetros de forma expectável com o pé e sem tirar as garras da guitarra potencia grandemente a expressão do músico e é um campo muito pouco explorado pela grande maioria dos guitarristas, sendo ainda mais flagrante a ausência destas experiências naqueles que recorrem aos processadores digitais.
      Com uma pedaleira controladora ligada ao setup digital, pode-se ligar e desligar vários efeitos simultaneamente em combinações ao gosto do freguês ou modelar um wha com um pitch shifter em simultâneo. O limite é (actualmente e numa grande dose de processadores) apenas o utilizador e a sua vontade de sair da caixa.
      Aconselha-se vivamente a experimentação de pedais de expressão para adulteração de parâmetros e criação de sons menos comuns. Por este lado, tenho como ponto de partida 3 pedais de expressão e vários tipo on/off. Os de expressão controlam:
      Exclusivamente o drive do meu pré-amp Efeitos para o qual designe o pedal, podendo combinar wha com panner rate ou o que me der na real gana. Controlar o rate speed de efeitos como Phaser, Phanger, Chorus ou Ring Modulator é garantia para a entrada em ambientes claramente distintos dos que a maioria das pessoas faz com estas ferramentas. Mistura - Efeito Reverb / sinal anterior Se neste momento me encontro afastado de modeladores de amplificação de guitarra digitais, os conceitos que desenvolvi sobre como construir o timbre da guitarra aquando da utilização do Roland GP100 mantêm-se. Procuro ter um pedal de expressão a controlar o nível de drive, um para efeitos esquisitos e um terceiro para misturar o reverb. Possibilidades há mais que muitas e os modeladores actuais do mercado permitem um leque de sons bastante grande.
      Outra atitude que procuro ter na programação do meu setup é a de criação de alternativas e possibilidades de ajustes com pouco esforço. Procuro ter um ou dois pedais dedicados a mudar a EQ geral da coisa, para o caso de me deparar com salas de ensaio mais escuras e em que precise de furar melhor sem ser necessariamente mais alto, ou, se por alguma razão a guitarra em questão se apresentar diferente do costume. Trata-se de garantir uma salvaguarda para situações que geralmente obrigariam a remexer na programação em momentos pouco oportunos (num concerto, por exemplo). Ter um pedal dedicado a alternativas ajuda substancialmente a salvar momentos potencialmente embaraçosos.
      Ainda nesta questão do controlo do caos, é importante referir que existem de base duas formas de mensagem entre os controladores e os processadores: aquela que permite mudar o programa ou patch - PROGRAM CHANGE, e aquela que permite alterar os parâmetros dos diferentes blocos de efeitos dentro de cada programa/patch - CONTROL CHANGE. No universo MIDI, estas são para mim as tipologias de mensagens mais importantes para o caso em questão (há outras, para outros trabalhos). Torna-se assim importante garantir que a pedaleira controladora esteja a enviar a mensagem no mesmo canal que o processador vai receber e interpretar.
      Os controladores são, para o caso, como o teclado de um computador: uma fonte de introdução de informação. Cada pedal/botão tem um número associado e é esse número que depois é usado para se associar determinado parâmetro ao pedal. Pedaleiras com poucos pedais têm geralmente a gestão dividida entre as mensagens referidas, ou trabalham em PROGRAM CHANGE MODE, o que significa que os pedais servem para mudar os programas e os bancos de programas, mas quando se muda para o CONTROL CHANGE MODE, estes mesmo pedais passam a operar de forma a ligar e desligar efeitos segundo a programação predefinida no processador. É o que acontece com a pedaleira Roland FC200, com a Behringer FCB1010 (?) e muitas outras. Controladores com muitos pedais poderão fazer uma divisão destes para que uns mudem os programas e outros os controlos/parâmetros do programa em uso...
      No caso das pedaleiras multiFX, esta situação já não se coloca de forma tão eminente, uma vez que é frequente terem dois modos de utilização, cujos nomes poderão variar de marca para marca: EDIT MODE e PLAY MODE. Dentro do PLAY MODE poderão ainda existir outros sub modos, estando estes dependentes do nº de pedais que o aparelho tem e na forma que este tem para os gerir.
       
      Ponto 5: FINAL WHATEVER
      Ora bem, para concluir resta dizer que a "César o que é de César", "cada macaco no seu galho" ou outras coisas semelhantes. Quer isto dizer, há espaço para tudo no mundo desde que se respeitem os espaços à volta. O que aqui se debateu não é nem melhor nem pior do que um setup mais tradicional de Guitarra+amp/coluna+pedais. Há vantagens e inconvenientes para tudo e neste caso o maior e mais flagrante inconveniente é o Plug'n'Play não ser instantâneo. Traz, obviamente outras mais valias, principalmente para músicos em bandas de covers que precisem de cobrir um grande espectro sonoro relativo às respectivas set lists.
      Do meu ponto de vista, a versatilidade é sem dúvida alguma a grande mais valia destes setups menos tradicionais. O espectro de expressões tímbricas que se consegue é sensivelmente igual ao existente de expressões musicais. Isto são ferramentas ultra especializadas em fornecer ao músico/utilizador a maior paleta sonora possível para que com apenas um aparelho, o músico consiga fazer tudo o que lhe der na real gana.
      Há, obviamente aspectos intrínsecos a estes setups que deverão ser explorados no futuro, nomeadamente as diferenças na qualidade de uns e outros, portanto comparativos de especificações, prós e contras, etc., relembrando também que o respectivo valor de mercado aumenta substancialmente na função da novidade e quantidade de funções (que eu saiba ainda não tiram cafés nem servem cerveja... mas se o kit de unhas estiver afinado, isso provavelmente surgirá pelo caminho).
      Pontos CHAVE a reter, numa espécie de sumário da coisa, a programar estes aparelhos dever-se-á:
      Começar com uma folha limpa, sem nada activo e gerir o sinal de entrada e saída para valores sem distorção e sem estragar o aparelho auditivo; Modelar a base do som, através de simulações de pré+amp+coluna até se atingir um timbre que não comprometa o gosto; Acrescentar salvaguardas do timbre para situações inesperadas, através de EQs/Boosts/Compressores que abrilhantem ou tornem o timbre um pouco mais escuro conforme o gosto, associados a pedais em controladores; Acrescentar o resto dos efeitos a gosto. Utilizar pedaleiras controladoras em formato MIDI ou USB ou outro (caso o processador não seja já uma pedaleira) para controlo de efeitos e respectivos parâmetros. Disclaimer: não me responsabilizo pelos laços sociais potencialmente desfeitos, fruto do tempo excessivo na busca do HOLY GRAIL OF TONE com estes aparelhos.
      Bom, fico-me por aqui, opiniem, comentem, perguntem, risquem-me da vossa lista de contactos.