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Sinais FX: Equipamentos Digitais ou Analógico?

    Por F.Coelho    793 Visualizações     21 comentários    


Mais do que um braço de ferro entre analógico e digital, o objectivo é procurar as vantagens e desvantagens de um e de outro e concluir quais os cuidados a ter na compra de equipamentos digitais.


Porquê digital?

No campo digital, quando temos sinais codificados em "0" e "1", com um algoritmo de software podemos facilmente fazer operações que facilitam muito a vida em determinados aspectos (os algoritmos existem desde há muito tempo, quando a matemática começou a ter importância nas sociedades e, não havendo computadores, traduziam-se numa fórmula resolvida à "unha". Por exemplo: escolher todos os números pares num dado conjunto de números inteiros. O algoritmo será: dividir por 2; dá resto 0? Sim, é par. Não, é ímpar. Nós desenvolvemos uma técnica que nos permite logo seleccionar os pares, sem estar a dividir por 2. Basta ver os números que terminam em 2, 4, 6, 8 e 0  - desde que não seja mesmo 0, pois 0 não é par nem ímpar, é zero).

Em programação podemos desenvolver um software que dê indicações ao computador, para fazer as divisões ou para que faça uma comparação do último algarismo de cada número. Parece-me que o conceito de algoritmo está dado e é importante pois fala-se muito deles, quando nos referimos a pedaleiras multi FX.

O hardware ocupa pouco espaço, basta olhar para uma calculadora científica que os nossos estudantes usam. Se se pensar que para resolver a função coseno há bem poucos anos atrás, de forma analógica, era preciso uma sala cheia de móveis, com válvulas, resistências, condensadores e afins, percebe-se as diferenças de espaço.

De facto, como já foi dito, por um membro deste fórum, para se ter os mesmos efeitos em analógico, que uma pedaleira digital, teria que vender a casa e eu acrescento, talvez exageradamente, e alugar um campo de futebol para dispor todos os pedais e amplificadores.

Existe assim, uma vantagem do digital no que se refere ao preço e ao espaço (ideia reforçada pelos membros que intervêm mais à frente).

Noutro aspecto, o peso também uma vantagem como podem calcular. Só um mero amplificador a válvulas ronda os 10 Kg. Uma pedaleira multi FX pode simular cerca de 15 amplificadores. Associado ao peso vem a vantagem da portabilidade ou mobilidade. É fácil deslocar uma pedaleira multi FX para qualquer lado.

Outra vantagem, será o consumo de energia e a factura da electricidade é menor quando se utiliza uma pedaleira multi FX.

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Eu ajuntaria um outro factor que joga a favor do digital, a estabilidade.

Quem já usou analógico, já passou pela dor de cabeça de ruídos vindos lá de se sabe de onde, se por algum motivo a corrente tem flutuações, os equipamentos reagem a isso, etc.

O digital, é menos sensível a esse tipo de fenómenos, mais estável.

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há 6 horas, Desventrar disse:

Nos porquês do digital, faltam referir um d os principais factores: de o peso e o preço.

Corrigido... :D

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Interessante isto do Digital, pq ainda hoje ouvi o Rick Beato num video a falar de Kbs e Samplings:

 



Ele mostra um teste (que eu não fiz), se o pretendem fazer façam-no antes de ver essa parte do video senão ficam a saber as respostas.

embora não seja especifico a Pedaleiras acho que pode até ser pertinente visto que falamos de Digital.

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Isso de se usar material analógico, é tudo muito giro, mas no final tudo é convertido para digital, e na maioria dos casos para digital super comprimido...

por isso essa história do: "Ah e tal, o analógico é puro"

1. Só ouve assim o próprio guitarrista, quando toca a malha. Ninguém mais. A partir dali tudo é convertido para digital.

2. Ninguém nota a diferença entre uma coisa que foi100% gravada e processado em analógico ou digital, a menos que tenha uma aparelhagem de 50K€

3. As nuances que eventualmente possam existir, são completamente absorvidas quando todos os instrumentos são misturados.

Resumindo, tudo isso só existe com um objectivo. . E é isso, e só isso que justifica o facto de haver tanto ruído a tentar convencer os consumidores de que vale a pena investir em equipamentos que custam uma pipa de massa, quando há outros, que fazem o mesmo serviço, por muito menos dinheiro.

 

Recordo o seguinte POST: 

 

Onde o senhor, com anos e anos de experiência a tocar em estúdio como músico de sessão, afirmou algo que transcrevo:


"Usa como já disse, um único pedal overdrive, e nem referiu qual era, ele disse: Na realidade qualquer um serve, eles fazem todos a mesma coisa, e as diferenças são praticamente imperceptíveis. Tenho mais de vinte em casa, e sinceramente, eles soam todos ao mesmo.
Em estúdio a sua preocupação é ter apenas um bom tone limpo de guitarra. Porque, segundo disse ele, quem tem a palavra final é o produtor, por isso nem vale a pena perder tempo com efeitos, chego lá, toco o melhor que posso com um bom tom limpo, e depois o produtor pode usar os plugins que quiser para obter o resultado final."

 

Esta é a realidade, por isso não encontro justificação para que se use analógico.

Não estou com isto a criticar quem o faça, entenda-se. Apenas, para mim, não vejo qualquer necessidade ou vantagem.

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há 33 minutos, pgranadas disse:

Esta é a realidade, por isso não encontro justificação para que se use analógico.

Eu acho que se vai criar um mito urbano: "O digital mata, deixa de digitar":D

Vai ser um pânico mundial.

  • Riso 2

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Ok, a ver se consigo sintetizar alguma da informação.

Primeiro e antes de tudo, Vermelho +Verde = Amarelo. :D Todos os valores em 1 na tabela dá o branco e todos em 0 dá o preto...

Segundo, por muito que custe a acreditar, o nosso cérebro funciona de forma digital, no sentido em que não sentimos/absorvemos o contínuo da realidade, mas antes samples desta, questão válida para os sentidos que captam frequências da realidade (visão e audição). O que é que acontece então ao espaço entre esses samples? São preenchidos por uma actividade que tem muita prática na política: especulação. Por outras palavras, o cérebro completa a informação recebida com informação que já tem em base de dados (memória) e quando não tem nada para ligar os pontos, INVENTA, dando origem aos preconceitos (granda salto, fui do funcionamento cerebral a nível sensorial para o nível psicológico, mas o funcionamento geral ou de base é este). Isto deve-se ao facto de ser BEM MAIS RÁPIDO assumir informação do que estar constantemente a processá-la, e, diga-se, 99% dos casos a coisa até corre bem nem corre mal.

Depois, uma coisa que também é necessário referir, é que os sistemas digitais estão em constante evolução, quer em capacidade de processamento, quer em de amostragem e, mais cedo ou mais tarde, aproximar-se-ão à capacidade de amostragem da nossa cabeça. Quando aí chegarmos, ser-nos-á impossível distinguir uns de outros, excepto para casos muito particulares de indivíduos com capacidades fora do comum. E verdade seja dita, para a GRANDE maioria dos mortais, já lá estamos.

Numa mistura em ambiente banda, num concerto, por exemplo, já há "N+1" bandas a recorrer ao digital para garantir consistência de som entre concertos. Os grandes do Rock estão todos convertidos à Fractal Audio, à Kemper ou à Line6 para produção/processamento do som das guitarras e baixos. NINGUÉM da audiência tem a capacidade para identificar o que se está a passar nos bastidores. Estou a falar de gigantes que usavam Mesa Boogie, Marshall, Soldano entre tantos outros, sistematicamente em todos os concertos, passaram a usar dois aparelhos destes, ocupando um máximo de 6 unidades de rack, versus autênticos frigoríficos em duplicado por questões de redundância.

E convenhamos, estas grandes marcas estão a mudar a abordagem e a autorizar/carimbar a qualidade de replicação dos seus produtos nas versões digitais... Marketing puro e duro.

 

O grande problema do digital, ainda é a questão das conversões. Se considerarmos apenas duas, portanto, A/D e D/A, a coisa passa muito bem até com processadores antigos (o problema acaba por ser mais nos algoritmos do que nas conversões), e com baterias e vozes à mistura, ninguém perceberá a coisa assim tão facilmente. O problema começa quando o sistema deste ou daquele implica uma constante reconversão do sinal porque uns efeitos são analógicos e outros digitais, e aí, quanto mais conversões existirem, maior a deterioração do sinal... quase como a fotocópia da fotocópia da fotocópia da fotocópia da fotocópia da fotocópia da fotocópia da fotocópia... ou seja, uma imagem de alto contraste... ou super comprimida.

Por outro lado, quando se fala em gravação, então entra-se noutro mundo onde o Digital dá cartas que o analógico nunca deu e dificilmente dará. Não me refiro aos efeitos de plugins, mas tão simplesmente às capacidades de edição comummente chamadas por Copy/Paste. Só com isto, o digital dá grandes goleadas ao analógico. No entanto, o digital só é tão bom quanto melhor for a captação e conversão, de onde a aproximação ao analógico se torna imperativa... curioso, não é?

Posto isto, em termos de guitarrada (que é a área na qual mais navego), actualmente toco com preamp analógico a válvulas - Mesa Boogie Triaxis... que som da pi_____. No entanto, uso um processador digital - TC electronic G-Force, que colora um pouquinho de nada o som, mas é esse o objectivo, certo? Por que raio vou adicionar efeitos se não é para alterar o som?. Mesmo em ByPass há alteração, sente-se (ou sou eu que não sei mexer naquilo), mas é facilmente negligenciável com o barulho das luzes. Neste caso, quando vou fazer uma gravação mais finalizada (ver o tópico do "Save the Planet" com o @paulosergio) prefiro fazer a gravação sem efeitos e depois processá-los via digital no G-Force, tipo re-amp, mas para efeitos. Desta forma evito conversões desnecessárias e por questões de idade, confio mais nas da placa de som do que nas do G-Force.

Para finalizar, isto são ferramentas para a criação, para a arte, pelo que desde que o autor se sinta confortável com o seu uso, quem somos nós para criticar a sua escolha? Podemos ou não gostar do resultado e se estivermos devidamente educados, eventualmente identificar o porquê, mas... e se for esse o objectivo?

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@Coelho135 boa dissertação, parabéns! :yes: . Conteúdo muito interessante e obrigado por partilhares o conhecimento.

Eventualmente poderemos promover isso a um tutorial ou eventualmente completar o artigo sobre conversão analógico-digital que temos ali no dicionário:

 

  • Obrigado 1

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