Controlo do "Tone": Potenciómetro Logarítmico ou Linear?

    Por F.Coelho    987 Visualizações     10 comentários    


Muitas vezes surge a dúvida sobre os potenciómetros de guitarra. Quais escolher? Porquê? Como funcionam? Quais os mais adequados ao som que procuras? Sabe aqui neste tutorial


Potenciómetros

Na figura abaixo apresento uma foto de um potenciómetro.

 

5b3276da6d167_ToneimagemPOT.png.80251ae6fde2168d1fbc699c384e611d.png

(imagem retirada de https://www.kitelectronica.com/2017/03/potenciometro-para-volumen.html )

O potenciómetro é uma resistência variável, que permite, consoante a rotação do veio, retirar uma parte do sinal (ou mesmo todo ou nada) para ser utilizado mais à frente.

Para melhor compreensão do POT, imaginem que têm na vossa frente uma deliciosa torta de laranja (o nosso POT em sentido figurado). Na vossa mão têm uma faca e vão cortar uma fatia. Como não têm condicionantes, não têm que partilhar com mais ninguém, o pedaço que podem cortar só depende da vossa gulosise. Assim, se estão precisando de muito açucar fazem um corte muito grande, isto é, deixam uma fatia fina e tomam para vós quase toda a torta (ou também podem fazer um corte “nulo”, ou seja, tomam a torta por inteiro).

Se a falta de açucar é média, podem cortar a torta ao meio e tomam uma metade. Se forem pessoas “normais”, tomam só uma fatia grossa e deixam o resto para mais tarde.

Pois é, aqui a faca comporta-se como o veio do POT, regulando a quantidade de resistência que é utilizada no circuito.

Outro aspecto que os POT's apresentam: o veio tem, normalmente, um curso de 300 graus (para quem está esquecido destas coisas da matemática, uma volta completa são 360 graus).

 

Vamos assumir que 300 graus corresponde à posição 10 do botão “Tone” da nossa guitarra, e como tal, o ponto de partida para início da rotação.

 

Na imagem seguinte, para um valor de 250 KOhms (normalmente conhecido como 250K), vemos a diferença de resposta dos dois POT's, consoante a rotação desde 300 até 0 graus.

 

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Um potenciómetro logarítmico tem uma resposta diferente do linear. Quando se começa a rodar gradualmente, a resistência do potenciómetro logarítmico vai-se reduzindo muito pouco e na parte final reduz-se bruscamente. Já o linear vai diminuindo a sua resistência de forma constante.

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Mais uma loucura do @F.Coelho... um bocado... extensa, mas muito informativa.

Boa onda...

Alguns comentários:

  • Há um tipo de potenciómetro chamado de Log Invertido, e este é supostamente ideal para o tone. Um pot logarítico, dependendo do respectivo valor, poderá dar um resultado tipo "on/off" em termos de efeito de "filtro passa baixos". Há muita gente a utilizar pots lineares para o tone.
  • Dependendo do valor, os capacitadores (Caps, que creio não serem o mesmo que condensadores, mas os letrados no assunto que se manifestem) podem cortar diferentes frequências, incluindo as graves. Podemos ter assim um controlo de EQ passiva (corte, apenas) de várias frequências (ou intervalos).
  • Os gráficos apresentados apesar de me parecerem correctos, fazem um pouco de confusão pois têm a escala orientada para outros lados. Geralmente coloca-se a origem no canto inferior esquerdo...
  • Riso 1

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Obrigado TMO.:yes:

Faço-o um pouco por mim (porque gosto de ocupar o meu tempo quando não toco), mas também pelo fórum. Se conseguir que alguém aprenda uma pequena coisa sequer já é muito bom.:)

há 31 minutos, tmo disse:

Os gráficos apresentados apesar de me parecerem correctos, fazem um pouco de confusão pois têm a escala orientada para outros lados. Geralmente coloca-se a origem no canto inferior esquerdo...

Tem razão, mas eles estão assim propositadamente devido a:

 

há 2 horas, F.Coelho disse:

Vamos assumir que 300 graus corresponde à posição 10 do botão “Tone” da nossa guitarra, e como tal, o ponto de partida para início da rotação.

De outro modo em vez de "tirar agudos" ao sinal, a explicação seria vamos "meter agudos" no sinal. :wacko:

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Mais uma vez, top. Siga para tutorial! :yes: 
Compartimentado em "secções" torna-se mais fácil de ler, e o formato tutorial é adequado a este tipo de conteúdos mais exaustivos e de qualidade.

há 3 horas, F.Coelho disse:

Na imagem seguinte, para um valor de 250 KOhms (normalmente conhecido como 250K), vemos a diferença de resposta dos dois POT's, consoante a rotação desde 300 até 0 graus.

Tenho só uma questão que discuti há tempos com alguém julgo que foi o @John10. Segundo colocas aí, o pot terá uma resistência zero no seu curso máximo. Então, qual a diferença para um "no load" pot?

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Num "no Load Pot!", o fim do percurso não tem elemento que faz a resistência (carbono???). Já li que se pode fazer uma modificação a um pot convencional para um "no Load":

  • abre-se o dito
  • identifica-se qual a extremidade na qual se pretende o no load
  • raspa-se um pouco a resistência de forma a promover o contacto directo
  • volta-se a montar tudo com cuidado...

Pessoalmente nunca experimentei e os termos empregues são assim para o... amanhados.

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Como existem vários tipos de captadores, como Humbuckers, Singles, P90, etc, deve-se levar em conta também a guitarra a ser modificada, para saber qual é o tipo de captador que você precisa ou seja, qual é o pickup mais indicado para a sua guitarra, para lhe proporcionar o timbre que procura.

Se sua guitarra é uma Les Paul, por exemplo, sua escolha deve ser por modelos de humbucker. Um captador P90 não se encaixa em uma Les Paul originalmente montada com humbuckers. Neste caso uma opção seriam os P90 em formato de humbucker, como o Fat boy da Malagoli.

Vou tentar dar um exemplo : Há três cenários:
1- Com o potenciometro ligado: a sua resistencia é maxima, o que minimiza o efeito do capacitor. Note que há altas frequencias.

2-Com o potenciometro em curto: o capacitor tem o seu efeito máximo, e as frequências mais altas sao cortadas a partir de uns 800hz

3- Sem potenciometro e nem capacitor (proposta do post inicial): Os agudos ficam mais acentuados(note a escala) e a frequência de ressonância fica mais alta.

Dados da simulação:
Indutancia do captador: 2.9H
Resistência do captador: 7.4k
Capacitação do captador: 160pf
Resistência do pot. de tone: 500k
Capacitor do tone: 22n
Impedância do resto do circuito: 1M
Simulado usando LTSpice.

Espero ter ajudado. 

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há 4 horas, xtech disse:

Tenho só uma questão que discuti há tempos com alguém julgo que foi o @John10. Segundo colocas aí, o pot terá uma resistência zero no seu curso máximo. Então, qual a diferença para um "no load" pot?

O @tmo disse tudo melhor do que eu poderia ter dito.

há 2 horas, tmo disse:

Pessoalmente nunca experimentei e os termos empregues são assim para o... amanhados.

Eu tenho uma Stratocaster com no load tone. Não posso dizer que seja grande diferença. Talvez se note nas medições. Não sei.

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Ah, é verdade, há ainda um conceito muitíssimo importante realçar nestas coisas de minhoquices de timbres derivadas de potenciómetros, capacitadores e pickups, que é o timbre percebido. Este conceito refere-se àquilo que nós, diferentes espécimes da humanidade percebemos ou ouvimos.  É que somos todos diferentes, uns mais sensíveis que outros, uns mais surdos, outros ainda frescos, uns mais educados (diferentes estéticas possíveis, mas educados) e outros ainda em bruto (a quem as coisas são apresentadas pela primeira vez). Todos percebemos o som de forma diferente, daí que a questão do GOSTO PESSOAL se torna tão... pessoal. Ou seja, cada um de nós tem a sua base de dados construída com base na respectiva experiência e age de acordo com a mesma. Aquilo que para uns funciona bem, por exemplo e para o caso potenciómetros lineares versus log, versus reverse log, para outros pode funcionar mal. Ou seja, a regra aqui não é segundo a maioria, mas segundo aquilo que o ouvido de cada um (no qual se insere o processador central ou a massa cinzenta) ouve.

@Frederico Candeias Candeias, não estarás a confundir Captador com Capacitador...?

 

Nota: eu sou um simples amador nestas coisas e os termos técnicos correctos escapam-se-me por entre os dentes/dedos. Àqueles que sabem da poda a rolos, fazer o favor de corrigir. :D

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há 18 horas, xtech disse:

Tenho só uma questão que discuti há tempos com alguém julgo que foi o @John10. Segundo colocas aí, o pot terá uma resistência zero no seu curso máximo. Então, qual a diferença para um "no load" pot?

Boas XTECH.

Segundo apurei o "no load pot" seria a mesma coisa que introduzir no circuito um switch on/off que permitiria  colocar ou retirar a "linha POT/condensador" do mesmo circuito. Daquilo que lemos, é padrão um condensador de 0,047 microFarad trabalhar com um POT de 500K e um condensador de 0,022 microFarad trabalhar com um POT de 250K.

Quanto maior for a resistência da "linha POT/Condensador" mais agudos teremos à saída. O "no load pot" é o equivalente a se ter uma resistência infinita.

Existe outra coisa que interfere no problema e que não falei, para não complicar mais o post, pois a explicação teórica é muito complexa, que é: a "resistência dinâmica" da bobine do pickup, cujo termo correcto é "Reactância Indutiva", e de forma mais banal, "Impedância".

O pickup comporta-se como uma fonte e vê o circuito de regulação do Tone e do Volume como cargas. A transferência máxima de potência dá-se quando a Impedância de saída é igual à Impedância de entrada, segundo o teorema de transferência de energia. E que importância tem isto?

Ora se eu tiver escolhido um valor de POT/Condensador que já me cortasse alguns agudos, na posição 10, seria natural que quando actuasse no tal "switch on/off", recuperasse as frequências que estava a cortar (por má concepção do circuito ou por ser intencional para não ter um timbre tão agudo).

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Tenho um No Load Tone numa CHarvel e sendo sincero, a diferença entre o Tone no Max e o "click" quando entra em No Load é minima e quase imperceptivel.

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Para quem quiser aprofundar a questão da transferência máxima de potência pode ver este vídeo (mas aviso já que é chato para quem não tem um mínimo de bases em electrotecnia).

Tive o cuidado de: 1.º Ser em português, pois pode haver pessoal que não entenda bem o inglês; 2.º Ser o mais simples possível.

Estive a fazer as contas equivalentes para, como fonte, um pickup, e como carga,  um circuito de regulação do tom e o resultado da equação é algo complicado para expor aqui no fórum. Mesmo simplificando (desprezando o condensador da bobine do pickup) a coisa ainda é complicada de explicar.

Neste vídeo também poderão concluir porque é que as colunas têm que ter um valor mínimo de impedância igual à impedância de saída de um dado amplificador.

 

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      Um sistema wireless para guitarra serve para transmitir o sinal da guitarra até um amplificador, efeitos, mesa de som, etc "over the air", ou seja, sem necessitar de fios ou cabos condutores. Normalmente o kit é composto por duas peças:
       
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      Receptor: funciona de forma exactamente inversa ao emissor: tem uma antena que é "excitada" pela radiação electromagnética produzida no receptor e a partir daí produz corrente (o sinal da guitarra recebido) que depois é encaminhado para o amp, mesa de som, whatever. O receptor é normalmente maior e pode ter uma ou mais antenas. A função do receptor é captar, descodificar o sinal recebido e regenerá-lo de forma a que se pareça o mais possível (fidelidade) com o sinal enviado pela guitarra.  

      Na imagem: um típico sistema wireless com o emissor (à esquerda) e o receptor (à direita).
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      Analógicos ou Digitais, consoante a maneira de codificar o sinal da guitarra que usam Non diversity ou True Diversity, consoante o número de subsistemas receptores que o "receptor" tem Conhecer estas características é extremamente importante, como iremos ver nas próximas páginas.

      Uma importante questão a ponderar na escolha de um sistema wireless para guitarra recai na opção analógico/digital. Ambos os tipos de sistemas fazem a mesma coisa, que é transmitir o sinal da guitarra através de ondas rádio (electromagnéticas) do emissor da guitarra para o receptor. A diferença está sim, na forma como o fazem, e essa forma traz vantagens e desvantagens.
       
      Sistemas Analógicos
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      Na imagem: o sinal original modulado em AM (modulação de amplitude) ou FM (modulação em frequência).
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      Alguns sistemas (principalmente os analógicos) são True Diversity outros não, e ainda há alguns que dizem que são "Diversity" (cuidado!). Mas afinal o que é isto do "True Diversity?
      O "True Diversity" é uma tecnologia na qual duas antenas são usadas (com alguma separação física entre elas) nos receptores de forma a que o receptor possa escolher o sinal oriundo da que mais lhe convier (o sinal mais forte) evitando assim quebras de som momentâneas causadas colisões de sinal, etc. Um sistema "True Diversity" reduz muito as quebras de som, e por isso, deve ser um must para quem quer comprar um sistema wireless digno desse nome.
      Um sistema é "True Diversity" se as antenas estão ligadas a módulos de recepção independentes no receptor. Caso contrário é apenas "Diversity" (e neste caso a sua eficácia é muito mais reduzida uma vez que um módulo de recepção não consegue medir a potência do sinal recebido em cada antena). Na verdade, um sistema "Diversity" pode ainda piorar mais o sinal...
      Agora, não se deixem enganar: há sistemas "Non Diversity" ou "Diversity" com duas antenas (marketing visual para enganar o povo) mas que não tem módulos de recepção independentes no receptor. Só o "True Diversity" é que tem.
      Se um sistema tem duas antenas mas não menciona nada, é porque não é "True Diversity", e portanto, é para evitar.

      Na imagem: um sistema "Diversity" com duas antenas da T.Bone. A evitar!
       
      Em todos os sistemas (mas principalmente nos analógicos), é necessário ter também especial cuidado com as frequências utilizadas por cada sistema para evitar dissabores escusados. Na próxima página, falaremos deste assunto.

      A gama de frequências na qual é possível haver emissões (humanas) de ondas electromagnéticas é definido pelas entidades reguladoras. No caso de Portugal, é a Anacom, que regula o uso do espectro electromagnético.
      Os sistemas wireless de guitarra analógicos mais antigos usam frequências VHF (entre os 30 e os 300 MHz), embora actualmente sejam usem todos UHF (entre os 300 e os 3000 MHz). Normalmente, usam frequências entre os 500 e os 900 MHz. Os sistemas wireless de guitarra digitais usam frequências na gama ISM 2.4GHZ. 
      Interessa-nos saber, nas gamas de frequências utilizadas pelos sistemas wireless, quais podemos (ou não) utilizar em Portugal e mostrar quais poderão ser mais problemáticas. Se quiseres saber apenas quais as melhores frequências a usar nos sistemas wireless, vai logo para o fundo da página ("O que dizemos nós"). Entretanto, vamos explicar o que se passa até chegar à recomendação das melhores frequências.
       
      O que diz a Anacom
      Vamos então ver o que diz a Anacom quanto à atribuição do espectro de frequências. Na gama dos 500 aos 900 MHz temos:
      470 MHz aos 790 MHz:  TDT (dos 470 aos 582Mhz) Microfones Emissores e equipamentos auxiliares auditivos (o que nos interessa): (470 a 790 MHz) 790 a 862 MHz: Serviços de comunicações electrónicas terrestres (vulgo redes de telemóveis) 862 a 890 MHz:  Serviços de comunicações electrónicas terrestres ... Microfones emissores e equipamentos auxiliares auditivos (o que nos interessa) (863 a 865 MHz)  
      Na gama dos 2400 aos 2450 MHZ temos: 
      2400 a 2483,5 MHz:  SRD (Short Range Devices - vulgo wearables, etc) – Aplicações não específicas (interessa-nos) ISM (WIFI, etc)  
      Para piorar e complicar as coisas, devido a considerações de ordem europeia para a introdução do 5G, a Anacom decidiu fazer alterações nas frequências TDT até 2020. A introdução do 5G vai usar a gama de frequências dos 694MHz aos 790MHz, o que "colide" directamente com as frequências actuais da TDT. E a Anacom já decidiu que vai passar as frequências da TDT para a gama abaixo dos 694 MHz.
       
      O que dizemos nós
      Se queremos comprar um sistema wireless que vá para além de 2020, podemos esquecer as frequências abaixo dos 790 MHz porque em 2020 estarão ocupadas com as redes TDT e 5G. Sendo assim, as frequências seguras são a estreita faixa dos 863 a 865 MHz. Portanto, se queres comprar um sistema wireless analógico, certifica-te que escolhes um que funcione dentro desta gama de frequências.
      A nossa convicção é que o mercado, fruto da saturação do espectro electromagnético vá evoluindo em direcção aos sistemas digitais, que serão cada vez mais populares, a trabalhar na zona dos 2.4GHz (mesmo com todos os potenciais problemas de colisão com o WiFi e Bluetooth). 

      Agora que discutimos as questões técnicas, recomendamos as características desejáveis a ponderar na compra de sistemas wireless para guitarra, num horizonte superior a 2020:
      Recomendamos digital em vez de analógico. Continua a haver sistemas analógicos muito bons mas o mercado está a encaminhar-se gradualmente no sentido do digital. "True Diversity" é fundamental nos analógicos e muito desejável nos digitais.  Frequências: 863 a 865 MHz no analógico, 2.4GHZ no digital.  
      Sistemas Sem Fios para Guitarra Recomendados (Analógicos)
      Custo: The t.bone free solo PT 863 MHz (200€) Preço/Benefício: Sennheiser XSW 2-Ci1 E-Band Instrument (390€) Melhor: Shure QLXD14 S50 (1200€)  
      Sistemas Sem Fios para Guitarra Recomendados (Digitais)
      Custo: Line6 Relay G30 (158€) Preço/Benefício: Shure GLXD16 (480€) Melhor: Line 6 Relay G90 (539€)  
      Dúvidas, sugestões e correcções, estejam à vontade nos comentários ou editem o artigo  
    • Max Coelho
      Olá! Nós somos os TOCSIN, e somos uma banda com sede na zona de Viseu, e lançámo-nos no concurso EDP Live Bands como nossa estreia, com o tema Clairvoyance. Somos uma banda de Metal-Progressivo e procuramos trazer algo diferente à comunidade musical, com o junção de várias influências, como Tool, Deftones, A Perfect Circle, Alice In Chains, Alexisonfire, Alter Bridge, entre outros. Agradecíamos imenso se pudessem ouvir a nossa música (gravação e mistura caseira), e deixar o vosso voto para ajudar os TOCSIN a deixar a sua marca, e certamente que as próximas malhas a apresentar vão interessar imenso. Obrigado pela vossa atenção, e muita música!
      !!! https://edplivebandsportugal.edp.com/banda/tocsin !!!

    • tca
      Tutorial - Potpourri de Amplificadores de Guitarra
      Resumo:
      Neste tutorial vamos construir um power amp e discutir algumas tipologias de amplificadores para guitarra. Aventura-te e fica a conhecer melhor o mundo dos amplificadores de guitarra!
      ...

      Ver tutorial completo
    • tca

      Neste tutorial vamos discutir uma alguns amplificadores de guitarra de uma forma informal, discutir tipologias e ideias para experimentar na breadboard. A totalidade dos esquemas deste texto foram experimentados e funcionam.
      No fim vamos construir mais um power amp. A técnica de montagem  será ponto a ponto e o amplificador final utilizará mosfets numa configuração em classe A pushpull.
      A sugestão que dou para complementar a leitura deste este texto é procurar as tipologias e referencias que vou dando ao longo do texto. As coisas aqui descritas não são rocket science mas há muitos detalhes a considerar. A explicação completa dava quase para escrever um livro sobre o assunto. Não há muita coisa escrita sobre amplificadores de guitarra solid state mas o livro de Teemu Kyttälä, “Solid -State Guitar Amplifiers” é uma excelente referência para ler no mês de férias que se aproxima (o link para download do livro completo está mais à frente no texto).
      Boas leituras e construções.

      Quando comecei a estudar amplificadores de guitarra testei na breadboard uma grande quantidade de tipologias. A ideia era perceber de uma forma práctica  como soavam diferentes arranjos e que tipo de distorções se conseguiriam obter.
      Usando o simulador de circuitos (por exemplo o TINA-TI: http://www.ti.com/tool/tina-ti ) e uma breadboard é possível num par de meses simular e testar uma grande quantidade de circuitos.
      Esta maneira de estudar dá-nos muitos frutos e uma experiência hands-on que é muito difícil de se obter de outra forma, mesmo em ensino especializado. O procedimento é simples: simular o circuito, monta-lo numa breadboard e ouvir. Repetir as vezes necessárias.
       
      Claro que vou restringir este texto a amplificadores solid-state. Deixo aqui uma referência de leitura recomendada: Teemu Kyttälä, “Solid -State Guitar Amplifiers”:
      http://www.thatraymond.com/downloads/solidstate_guitar_amplifiers_teemu_kyttala_v1.0.pdf
      Uma excelente leitura técnica mas contém capítulos não técnicos que podem ser lidos sem grandes conhecimentos de eletrotécnica, em particular a secção que discute amplificadores solid state vs válvulas está muito bem escrita.

      Comecemos então. O primeiro da série foi inspirado no Muff Fuzz um pedal da Electro Harmonix. A ideia é a mesma do circuito original mas serve de booster para o andar de amplificação de potência que usa os dois TIP: o TIP 31 (NPN) e o TIP32 (PNP) numa configuração de emissor comum (este estágio tem apenas ganho em corrente, o ganho em tensão vem do Muff Fuzz).
       
       

       
       

      Ou usando um amplificador operacional usando dois transístores (o par 2N4401 e o 2N4403). O R4 controla o ganho da configuração. O ganho é controlado por feedback negativo à saída do opamp na base do TIP31.

       
      Claro que é importante o uso de um simulador de circuitos que permite simular não só o pickup da guitarra assim como o altifalante.
      Neste último exemplo a rede de feedback cobre não só T2 mas vai até ao estágio de saída.

       

      Uma outra configuração interessante é usar as flutuações de corrente de um opamp para controlar os transístores de saída. Só trabalham quando o opamp “puxa” mais corrente.

       
      Este exemplo curiosamente não funciona no simulador mas funciona na breadboard! O que se passa é que o simulador emula o opamp de uma forma ideal e não contabiliza as flutuações de corrente do integrado. Mas são essas flutuações que controlam o funcionamento dos transístores de saída. É um exemplo muito relevante que mostra bem alguns dos limites de aplicabilidade na utilização deste tipo de softwares para estudo de circuitos eléctricos.
      Há duas coisas que distinguem este último circuito dos exemplos anteriores: os transístores de potência estão numa configuração de colector comum (ganho de corrente e de tensão) e a rede de feedback controla a impedância de saída do amplificador.
      Os exemplos de power-amps anteriores têm uma configuração chamada de classe B. Cada um dos transístores de saída (ver a imagem anterior, TIP31 e TIP32) apenas conduzem numa das partes do sinal de entrada estando desligado (ou quase) na outra parte.
      Este tipo de configuração deve funcionar bem com o amplificador integrado LM386 (procurar a referência Ruby amp).

      O exemplo seguinte mostra um amplificador em class A, onde o transístor de saída está sempre em condução. Este não o testei mas o amplificador com a lâmpada de carro num tutorial anterior é também um amplificador em classe A.

       

      Outro exemplo que não poderia deixar de  testar era o famoso amplificador Zen do Nelson Pass ( https://www.passdiy.com/project/amplifiers/the-zen-amplifier ) 
      Neste caso a minha ideia foi construir uma versão pequenina, para ver, ou antes ouvir, como soava.

       
      As minhas simplificações levaram-me, depois de muitas iteradas e escutas e ao fim de 4 meses à versão que já divulguei num tutorial passado. Esta versão usa um IRFP240 (favorito do Pass) e que debita mais ou menos 3W clean (standard de guitarra).
       

       
      Já me esquecia que também experimentei uma versão pequena do JLH (John Linsley-Hood) mas usando transístores (não mosfet). Claro que a ideia surgiu também da versão do amplificador do Pass (https://www.passdiy.com/project/amplifiers/the-plh-amplifier).
      Esta sim uma topologia fantástica que valerá a pena voltar a fazer mais umas experiências com ela... em particular em overdrive.
       

       
      Outro amplificador que soa muitíssimo bem é o amplificador “Dead of Zen” (nome que dava para uma banda de heavymetal) do Rod Elliott ( http://sound.whsites.net/project36.htm ).
       

      Vejamos então mais esta ideia para um power amp. Precisamos do material seguinte:
      Mosfet N IRF620 Mosfet P IRFP9620 100nF x2 condensador (25V) 1mF condensador (25V) 120kOhm x4 resistências 1/4W Jacks de audio Ficha de alimentação para painel dissipador Caixa Hammond 1590BB (ou semelhante) isoladores para os transístores dissipador Fonte de alimentação de portátil (18V 6A)  
      O poweramp com uma lâmpada divulgado num tutorial anterior partilha com este que usa dois mosfets a mesma simplicidade. O circuito é este:
       

       
      Usa dois mosfets, um tipo N e outro tipo P e funciona em classe A, i.e. os dois transístores estão simultaneamente a funcionar durante a parte positiva e a parte negativa do sinal de entrada para sinais de baixa amplitude. Tem um ganho de 2.5.
       

       
      Para sinais com maior amplitude temos distorção de crossover e achatamento dos topo da onda!
       

       
      A resposta em frequência é:
       

       
      A montagem foi feita numa Hammond 1590BB. Os mosfets foram literalmente aparafusados à caixa usando os isoladores e massa térmica.

       
      Como se pode ver a montagem não é nada do outro mundo, basta paciência.
       

       
      Uma das coisas importantes em circuitos de amplificação é usar uma configuração em estrela e apenas um ponto de massa (ligado à caixa metálica). O link seguinte tem a discussão deste tipo de configuração para amplificadores a válvulas mas vale também para transístores: http://www.geofex.com/Article_Folders/stargnd/stargnd.htm
       

       
      Outras das questões importantes que temos de ter em atenção com os amplificadores em geral em qualquer configuração  e em particular com os amplificadores em classe A é a dissipação de calor. A rule of thumb é: se conseguires deixar a mão sobre o dissipador mais do que 60s então está tudo ok.
       

       
      Equivale a 60 graus Celsius, a temperatura ideal do café para ser bebido.

      Este tutorial tinha como objetivo mostrar a importância da utilização de um simulador de circuitos elétricos e a prototipagem rápida para estudo de circuitos. Tem referências e detalhes para nos manter ocupados durante este tempo de férias.
      E no fim a construção de outro amplificador classe A com dois mosfets tipo N e tipo P.

       
      Como soa? Melhor mesmo é montar um!
      Boas construções.
      Tiago Charters de Azevedo
      Lisboa, 2017